Mais de 2.300 médicos escolhem especialidade e sindicato teme que vagas fiquem por ocupar

Mais de 2.300 novos médicos começaram a escolher as vagas para a formação numa especialidade, mas o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) teme que nem todos os lugares disponibilizados para o internato venham a ser ocupados.

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“Infelizmente, à semelhança do que tem acontecido nos últimos anos, o SIM antecipa que as vagas não venham todas a ser ocupadas, apesar do número historicamente elevado agora colocado a concurso”, adiantou o sindicato em comunicado.

Em causa estão, segundo a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), um total de 2.323 vagas de especialidade a ocupar nas unidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS) que vão receber os novos médicos, que iniciarão a sua formação especializada a partir de 01 de janeiro de 2026.

A esse total somam-se mais oito vagas destinadas a serviços do ministério da Defesa e da Administração Interna.

O SIM apelou aos 2.370 médicos candidatos ao internato para que aproveitem as vagas agora abertas, alegando que existe uma capacidade formativa alargada e um “esforço coletivo para melhorar as condições” de entrada na especialidade.

“Este aumento de vagas representa uma oportunidade concreta para reforçar o SNS e reduzir a crónica carência de especialistas em várias áreas”, realçou ainda o sindicato, reconhecendo, porém, que a escolha da especialidade por parte dos novos médicos acontece num “contexto particularmente exigente”.

Isto porque, de acordo com o SIM, os médicos internos do SNS enfrentam cargas de trabalho muito elevadas, horas extraordinárias frequentemente não remuneradas, uma autonomia assistencial precoce, uma pressão crescente nos serviços de urgência e custos pessoais significativos com formação.

Esta realidade “ajuda a explicar as dúvidas legítimas que muitos colegas sentem e reforçam a necessidade de garantir condições formativas sólidas e seguras”, referiu o sindicato, alertando para o “risco real de permanecer sem especialidade ao longo da vida profissional”, que limita o desenvolvimento técnico, científico e remuneratório dos médicos e fragiliza a capacidade de resposta do SNS.

“Compreendemos plenamente as dúvidas e incertezas que muitos colegas sentem neste momento, mas é precisamente por isso que apelamos a que não desperdicem esta oportunidade de avançar na sua formação”, apelou o sindicato.

O SIM recordou também o trabalho que tem desenvolvido para melhorar as condições do internato médico, com “avanços já concretizados” na valorização remuneratória e na proteção do trabalho realizado durante a formação.

O sindicato garantiu que pretende dar o seu contributo para a revisão do regime do internato médico, quando estiver em discussão, defendendo as reivindicações dos médicos internos para um “modelo mais justo, transparente e alinhado com as necessidades reais de formação e do SNS”.

Depois de muitos anos a ser organizado pelas administrações regionais de saúde, entretanto extintas, a ACSS voltou a receber o processo de escolhas de vagas para a formação especializada, que decorre até 29 de novembro.

Este ano, o processo de seleção das vagas para a formação especializada dos médicos decorre através de uma nova plataforma informática, desenvolvida no âmbito do projeto de desmaterialização do internato médico.

Segundo a ACSS, esta solução marca um “passo importante” na modernização e simplificação dos procedimentos, garantindo maior eficiência e transparência no processo.

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