Presidenciais: Centenas de portugueses fazem fila em Paris para votar e prevê-se participação histórica

Centenas de portugueses estão hoje a convergir para o consulado de Portugal em Paris para votar na segunda volta das presidenciais, com vários a exercerem pela primeira vez o seu direito de voto, prevendo-se uma participação historicamente elevada.

© D.R.

Jovens e idosos, sozinhos ou em família, são várias as centenas de portugueses que estão a dirigir hoje até ao Consulado-Geral de Portugal em Paris para votar na segunda volta das eleições presidenciais, formando uma fila que, por volta das 12:00 (11:00 de Lisboa), percorria toda a rua e chegava até à esquina, motivando olhares, fotografias e perguntas de parisienses curiosos.

Entre estes portugueses animados por virem exercer o seu direito de voto, estava um grupo de 35 ‘motards’ que, com casacos de cabedal, capacetes com os núcleos nacionais e bandeiras de Portugal a esvoaçaram na traseira dos seus modelos coloridos da marca portuguesa Famel, aproveitaram o dia de sol para fazer uma excursão entre amigos desde Choisy-le-Roi, nos arredores de Paris, que incluiu uma ida ao consulado e, depois, um almoço.

“Viemos todos de moto. É um amigo que tem estas Famel todas e tem o prazer de tirar estas motinhas lindas. Não votamos sempre, mas hoje decidimos vir porque achamos que pode ser bom para o nosso país e para o futuro do nosso país”, disse à Lusa Joaquim, de 61 anos, residente em Paris há 38 anos.

Como Joaquim, vários portugueses que decidiram vir hoje ao Consulado-Geral de Portugal em Paris não costumam votar nas eleições portuguesas, e há o mesmo quem está a exercer o seu direito de voto pela primeira vez, como Adília da Conceição, 85 anos, que, em 1970, com apenas 29 anos, chegou a Paris vinda de uma aldeia no distrito de Bragança.

Hoje, a questão de vir pela primeira vez depositar um voto numa urna, porque quer garantir que quem procura Portugal para viver e trabalhar recebe o mesmo acolhimento que ela própria recebeu quando chegou a Paris há 56 anos.

“Não sou por quem não gosta das pessoas, compreende? Fui muito bem acolhida em França. Gosto que o meu país seja igual, que acolha bem os outros”, disse.

Rosa e Virgílio, habituados a votar por correspondência – o que não é permitido nas eleições presidenciais –, também decidiram hoje votar presencialmente pela primeira vez, apesar de terem acordado cedo para fazer o percurso de mais de uma hora de carro desde Compiègne, onde vivem, a cerca de 90 quilómetros de Paris.

O motivo para terem decidido deslocar-se pela primeira vez até às urnas é simples: “Desta vez é importante votar para ver se o país muda”.

“Preocupa-me muito o que se está a passar em Portugal e a estabilidade em Portugal. Somos portugueses, estamos fora, mas queremos sempre o melhor para o nosso país”, afirmou Rosa, antes de aproveitar o dia de sol para ir dar um passeio com o marido pela capital francesa.

Nestas eleições presidenciais, que decorrem hoje em Portugal, os candidatos portugueses no estrangeiro podem votar tanto no sábado como no domingo e, em França, foram abertas mesas nos consulados de Paris, Tours e Orleães. Ao contrário das eleições legislativas, que permitem tanto o voto presencial como o voto postal, nas eleições presidenciais apenas é possível o voto presencial.

À Lusa, a cônsul-geral de Portugal em Paris, Mónica Lisboa, disse que, na primeira volta das eleições presidenciais, a afluência de portugueses às urnas na capital francesa já tinha sido expressiva, mas, hoje, está a ser “ainda maior”.

“Até às 11:00, já votaram 1.700 pessoas em três horas. Entre ontem [sábado] e hoje, já votaram cinco mil participantes. A primeira volta, no total, teve sete mil e qualquer coisa concorrentes. Portanto, o número de votantes deverá ser ultrapassado”, referiu.

Entre as razões que poderão também ter ajudado a que tantos portugueses decidissem vir às urnas, está o facto de estar um dia de sol e céu azul em Paris. Esse foi um dos motivos que levaram Sílvio Évora, de 48 anos, a vir de bicicleta com a mulher e os dois filhos a votar ao consulado, também para dar o exemplo aos mais jovens sobre a importância de votar.

“O mais velho tem 10 anos, já faz muitas perguntas e, portanto, era importante mostrar [como se vota] para ele perceber como é que se passa, como é que a gente decide”, afirmou.

Mais de 11 milhões de candidatos são chamados a escolher o novo Presidente da República, num sufrágio que opõe António José Seguro a André Ventura, os dois mais votados em 18 de janeiro.

No primeiro sufrágio, Seguro obteve 31,1% dos votos e Ventura, 23,52%, segundo o edital do apuramento geral dos resultados.

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