Suspeito de atear fogo a manifestantes pró-Israel nos EUA é acusado de “crime de ódio”

O presumível autor do atentado contra uma manifestação a favor da libertação dos reféns israelitas em Gaza, que deixou uma dezena de feridos no domingo no Colorado, Estados Unidos, foi acusado na segunda-feira de "crime de ódio".

© LUSA/REBECCA SLEZAK

“O Departamento de Justiça acusou o autor deste horrível ataque de crime de ódio”, anunciou esta segunda-feira a procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, num comunicado, acrescentando que se trata de um “estrangeiro ilegal”.

“Agimos rapidamente para enviar a mensagem de que nenhum ato de antissemitismo será tolerado e que haverá consequências graves”, sublinhou o procurador-geral do estado do Colorado (oeste dos Estados Unidos), Jay Bishop Grewel, durante uma conferência de imprensa em Boulder.

“O meu gabinete acusou Mohamed Sabry Soliman, de 45 anos, de crime de ódio”, disse Bishop Grewell, explicando em seguida que, “quando esse crime inclui tentativa de homicídio, a pena máxima federal é a prisão perpétua”.

Mohammed Sabry Soliman, de 45 anos, é acusado de ter lançado dispositivos incendiários contra os participantes numa marcha semanal organizada em apoio aos reféns israelitas detidos pelo movimento islamita Hamas na Faixa de Gaza desde 07 de outubro de 2023, gritando “Libertem a Palestina!”.

O alegado agressor “planeava este ataque há um ano”, porque “odeia aquilo a que chama o grupo sionista”, afirmou Grewel no final dos primeiros interrogatórios. “Disse que queria que eles morressem todos. Não se arrepende de nada e fá-lo-ia de novo”, acrescentou o procurador.

Nos Estados Unidos, entende-se por “crime de ódio”, ou crime cometido com motivação de ódio ou preconceito, um ato que visa uma pessoa devido a determinadas características da sua identidade, como a origem étnica, religião, nacionalidade ou orientação sexual. Este tipo de crime constitui uma infração federal, circunstância agravante que implica penas mais severas.

Mohammed Sabry Soliman está também a ser processado pelo estado do Colorado por várias outras acusações, incluindo tentativa de homicídio.

O ataque ocorreu cerca de dez dias depois de dois funcionários da embaixada israelita nos Estados Unidos terem sido mortos a tiro perto do Museu Judaico em Washington. O atirador, que também gritou “Libertem a Palestina”, foi detido e acusado de homicídio.

Pelo menos doze pessoas ficaram feridas em Boulder, duas das quais permaneciam hospitalizadas na tarde de segunda-feira, de acordo com uma contagem atualizada pelas autoridades locais. No domingo, o balanço provisório era de oito feridos, quatro mulheres e quatro homens, com idades compreendidas entre os 52 e os 88 anos.

“Testemunhas descreveram o suspeito usando um lança-chamas caseiro e lançando um dispositivo incendiário contra a multidão”, informou a polícia de Boulder.

O homem de 40 anos, de nacionalidade egípcia, segundo a imprensa norte-americana, “tentou comprar uma arma de fogo”, mas “não conseguiu fazê-lo porque não tem residência legal”, acrescentou o procurador do Colorado.

Mohammed Sabry Soliman “entrou no país em agosto de 2022, com um visto que expirou em fevereiro de 2023”, detalhou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, sublinhando que, entretanto, apresentou um pedido de asilo em setembro de 2022.

No dia seguinte ao ataque, Donald Trump escreveu na sua rede social, Truth Social, que o que aconteceu em Boulder “não é tolerável nos Estados Unidos”.

O Presidente norte-americano aproveitou para criticar a administração anterior de Joe Biden, e insistir nos méritos da sua política de imigração, considerando que o alegado agressor entrou em território norte-americano devido à “ridícula política de fronteiras abertas” do seu antecessor.

“Este é mais um exemplo de que precisamos de controlar as nossas fronteiras e deportar (os imigrantes ilegais)”, disse.

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