Mais de 1.000 mortos nos confrontos no sul da Síria desde domingo

Mais de mil pessoas morreram em confrontos intercomunitários no sul da Síria, na última semana, de acordo com um novo balanço do Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

Lusa - EPA/STR

Segundo o OSDH, este número de mortos, registados desde o passado domingo, inclui 336 combatentes drusos e 298 civis drusos – 194 dos quais foram “sumariamente executados por membros dos Ministérios da Defesa e do Interior”.

Entre os mortos estão também 342 membros das forças de segurança do Governo e 21 beduínos, incluindo três civis “sumariamente executados por combatentes drusos”, segundo a mesma fonte.

Além disso, 15 membros das forças governamentais foram mortos em ataques israelitas, informou o OSDH.

O balanço anterior da organização não-governamental (ONG) indicava mais de 900 mortos desde o domingo passado.

As autoridades sírias anunciaram hoje o fim dos combates em Sweida, cidade no sul da Síria de maioria drusa, uma semana após o início de confrontos sangrentos intercomunitários.

“Sweida foi evacuada de todos os combatentes tribais e os combates nos bairros da cidade cessaram”, declarou na rede social Telegram o porta-voz do Ministério do Interior sírio, Noureddine Al-Baba.

A violência entre grupos drusos e beduínos sunitas eclodiu a 13 de julho na região de Sweida. Estes confrontos provocaram cerca de 87 mil deslocados, de acordo com a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

No sábado, as autoridades sírias anunciaram um cessar-fogo na província de Sweida e começaram a destacar forças com o objetivo de restaurar a paz.

O governo do Presidente interino Ahmad al-Charaa já tinha enviado forças para Sweida na terça-feira, retirando-as após Israel bombardear vários alvos do governo em Damasco, alegando querer proteger a comunidade drusa e sentir-se ameaçado pela presença das forças governamentais sírias nesta região próxima da fronteira entre os países.

Posteriormente, foi concluído um cessar-fogo entre a Síria e Israel, sob a égide dos Estados Unidos.

No entanto, no sábado, durante o dia, num bairro da cidade, combatentes tribais, alguns com o rosto coberto, disparavam com armas automáticas, de acordo com imagens da agência de notícias AFP.

Os drusos são uma minoria religiosa da Síria, que segue uma fé abraâmica que tem traços próximos do judaísmo e do cristianismo, mas com hábitos culturais árabes.

Mais de metade dos cerca de um milhão de drusos em todo o mundo vive na Síria. A maioria dos restantes reside no Líbano e em Israel, incluindo nos Montes Golã, território capturado por Israel à Síria na guerra do Médio Oriente de 1967 e anexado em 1981.

Após a queda do regime do Presidente sírio Bashar al-Assad, em dezembro, surgiram preocupações quanto ao destino das minorias étnicas no país sob o novo governo de transição sírio, liderado por Ahmad al-Charaa, um antigo líder rebelde islamita.

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