Inquéritos por criminalidade financeira aumentaram quase 70% no ano passado

O número de inquéritos abertos pelo Ministério Público (MP) por suspeitas de criminalidade económico-financeira aumentou 69,6% entre 2023 e 2024, enquanto os inquéritos por cibercrime e violência conjugal diminuíram.

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Os dados constam no relatório anual do Ministério Público relativo ao ano passado, publicado pelo Procuradoria-Geral da República (PGR), e revelam que os inquéritos abertos por crimes de furto, roubo e recetação de metais não preciosos foram os que mais aumentaram em 2024, com uma subida de 77,6%, seguidos pelos crimes económico-financeiros, que registaram uma subida de 69,9%.

A criminalidade económico-financeira engloba os crimes de abuso de confiança, fraude, desvio na obtenção de fundo, burla qualificada, infidelidade, administração danosa, frustração de créditos e insolvência e, no ano passado, o Ministério Público abriu 14.895 inquéritos, bem acima dos 8.782 inquéritos abertos em 2023, deduziu 932 acusações e arquivou 10.089 inquéritos.

No seu relatório anual, o Ministério Público indicou também que “o número de novos inquéritos pelo crime de branqueamento de capitais continua a revelar tendência de aumento”, com a entrada de 2.899 inquéritos durante o ano de 2024.

No ano anterior, foram instaurados 1.734 inquéritos relacionados com o crime de branqueamento de capitais, o que representa uma subida de 67,2%. Em 2024, o MP deduziu 88 acusações e arquivou 329 inquéritos.

Já em relação aos crimes que registaram uma descida mais acentuada, encontram-se os crimes de violência conjugal, com uma diminuição de 29,7%, e a cibercriminalidade, com uma diminuição de 20,3%.

Apesar da diminuição, estas duas tipologias de crimes continuam a ser as que dão origem a mais inquéritos: foram abertos 33.265 inquéritos relacionados com cibercriminalidade – e arquivados 25.430 – e 25.701 relacionados com violência conjugal – e arquivados 16.443.

No relatório de 2024, a Procuradoria-Geral da República adiantou ainda que o Ministério Público terminou o ano passado com mais de 300 mil processos pendentes, tal como tinha acontecido no ano anterior. No entanto, o número de inquéritos concluídos aumentou 5,7% em relação a 2023.

“Foram concluídos 452.679 inquéritos, o que representa 58,3% do total de inquéritos movimentados no ano”, lê-se no documento.

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