Rendas à margem da lei: Fisco sinaliza 8.500 proprietários de imóveis com indícios de fuga a impostos

Arrendamentos não declarados, dados incompletos e cruzamentos que falham. A Autoridade Tributária detetou milhares de casos com indícios de rendimentos imobiliários omitidos, num universo onde o arrendamento não declarado continua a escapar ao controlo do Estado.

©D.R.

A Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) sinalizou, ao longo deste ano, cerca de 8.500 contribuintes com divergências ou indícios de omissão na declaração de rendimentos associados a imóveis. A informação foi confirmada à CNN Portugal por fonte do Ministério das Finanças.

De acordo com a tutela, estão em curso ações específicas de controlo, incidindo sobretudo sobre rendimentos provenientes do arrendamento habitacional e do alojamento local. O processo baseia-se no cruzamento de dados declarados (ou omitidos) pelos proprietários com informação já disponível na AT, nomeadamente declarações de arrendatários e dados fornecidos por empresas de água, energia e telecomunicações, ao abrigo da declaração Modelo 2 do IMI.

A reação do Governo surge na sequência de críticas públicas do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos (STI). O presidente do sindicato, Gonçalo Rodrigues, alerta para falhas significativas na fiscalização dos arrendamentos não declarados, apontando lacunas no preenchimento da declaração Modelo 2 — um dos principais instrumentos ao dispor do Fisco para detetar imóveis arrendados e confirmar se os respetivos rendimentos são comunicados.

Segundo o sindicato, a informação chega frequentemente incompleta ou insuficiente, o que compromete a eficácia do controlo. “Existe um mecanismo legal que obriga as empresas de serviços essenciais a comunicar contratos e respetivas alterações à AT, mas esse cruzamento de dados não está a funcionar”, denuncia Gonçalo Rodrigues, remetendo para o artigo 125.º do Código do IMI.

O responsável vai mais longe e acusa a AT de ineficiência operacional, defendendo que a ausência de fiscalização eficaz poderá estar a resultar numa perda de milhões de euros em receita fiscal. “Assim, não serve para nada”, critica.

Enquanto o Governo assegura que o reforço do controlo está em implementação, o sindicato mantém o alerta: sem informação completa e fiscalização efetiva, os rendimentos imobiliários não declarados continuarão fora do r

Últimas de Economia

O número de passageiros movimentados nos aeroportos nacionais deverá ter aumentado 4,7% em 2025, para 73,75 milhões, segundo dados preliminares do Instituto Nacional de Estatística (INE), hoje divulgados.
Um total de 33 mil clientes da E-Redes, em Portugal continental, continua sem abastecimento de energia elétrica devido aos danos provocados pelo mau tempo na rede de distribuição desde 28 de janeiro, informou hoje a empresa.
O Banco Central Europeu (BCE) acredita que a Autoridade de Combate à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo (AMLA) irá "melhorar a cooperação entre os supervisores e reduzir a fragmentação" na Europa.
Portugal registou, entre 2021 e 2024, oito casos de suspeita de fraude relacionados com o Mecanismo de Recuperação e Resiliência, que financia o PRR, indicou hoje o Tribunal de Contas Europeu, falando em instrumentos “pouco eficazes” contra irregularidades.
A reposição de antenas da rede de comunicação de emergência SIRESP destruídas pela passagem da depressão Kristin vai ter um custo de "cerca de seis milhões de euros", informou hoje o ministro da Presidência.
A Deco Proteste alertou hoje que as propostas financeiras criadas por vários bancos, para o apoio aos efeitos do mau tempo assentam, na sua maioria, na contratação de novos empréstimos, que podem “agravar o endividamento das famílias”.
O Governo deu mais um mês para os contribuintes dos concelhos afetados pela tempestade Kristin cumprirem as obrigações fiscais que terminavam entre 28 de janeiro e 31 de março, estendendo o prazo até 30 de abril.
Os apoios financeiros a atribuir para reparar os estragos causados pelo mau tempo serão atribuídos no prazo máximo de três dias úteis nas operações até 5.000 euros, que dispensam vistoria, e em até 15 dias úteis nos restantes.
A bolsa de Lisboa fechou hoje em máximos, desde junho de 2008, avançando 1,13%, para 8.991,17 pontos, com a Teixeira Duarte e a Mota-Engil a liderar as subidas, crescendo 8,03% e 5,15%, respetivamente.
O Tribunal de Contas chumbou esta segunda-feira as contas da idD Portugal Defence de 2022 e detetou várias desconformidades em contratos celebrados durante a presidência de Marco Capitão Ferreira, incluindo empréstimos de 1,8 milhões sem autorização do Ministério das Finanças.