Nem todas as mulheres querem ser salvas

O feminismo dominante continua a falar como se representasse todas as mulheres. Mas a realidade mostra fissuras nessa unanimidade. Cada vez mais mulheres jovens recusam a narrativa da vitimização permanente e afirmam-se fora do discurso oficial, sem pedir desculpa por isso.

A presença de Rita Matias e Madalena Cordeiro na Assembleia da República simboliza essa mudança. São jovens, conservadoras e politicamente ativas — três características que parecem intoleráveis para certos setores ideológicos. As críticas que enfrentam raramente se limitam às ideias: muitas vezes questiona-se a sua legitimidade enquanto mulheres.

Estas mulheres não querem menos direitos. Querem menos imposições. Não rejeitam a igualdade; rejeitam a uniformização. Defendem que a maternidade não é um fracasso, que a fé não é ignorância e que a família não é uma prisão.

O mais revelador é que o feminismo que se diz plural reage com hostilidade à dissidência. Em vez de debate, surgem rótulos. Em vez de argumentos, ataques pessoais. Não é surpresa que tantas mulheres jovens se afastem desse movimento.

A diversidade de vozes no Parlamento não é um retrocesso. É um sinal de maturidade democrática. Nem todas as mulheres querem ser salvas. Algumas querem apenas ser ouvidas.

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