Inflação leva mais estudantes a recorrer a refeições sociais

O aumento dos preços está a levar os estudantes a recorrerem mais às cantinas, como a “Cantina Velha” da Universidade de Lisboa, que servia cerca de 400 refeições diárias e agora rondam as 1.600.

Nas cantinas da Universidade de Lisboa (UL), o preço de uma refeição custa 2,80 euros, ou seja, “é mais barato do que a refeição confecionada em casa”, contou à Lusa Helder Semedo, do Conselho Geral da UL.

Segundo Helder Semedo, nota-se um crescimento de refeições vendidas, com destaque para a Cantina Velha: Em 2019, antes da pandemia, aquele refeitório situado na cidade universitária “servia entre 400 a 500 refeições diárias e agora ronda as 1.600”, revelou.

A inflação também está a afetar a vida dos estudantes “que se queixam que antes pagavam cerca de 60 cêntimos por uma lata de atum e agora pagam 1,5 euros”, disse.

O atum é apenas um exemplo da recente subida de preços, já que o valor do cabaz alimentar aumentou 22% no último ano. Se em fevereiro do ano passado, um cabaz custava 184 euros, o mesmo cabaz ronda agora os 230 euros, segundo contas da DECO divulgadas esta semana.

Para muitos alunos, a solução passa pelas cantinas das escolas, onde uma refeição inclui sopa, prato e fruta. Helder Semedo revelou que até os micro-ondas, que antes tinham muita utilização, agora são pouco usados.

À Associação Académica da Universidade de Lisboa (AAUL) já chegaram alguns pedidos de ajuda, segundo o presidente da AAUL, Afonso Garcia.

“O custo de vida de um estudante em Lisboa é muito superior ao de outras cidades, mas a verdade é que também no Porto e em Coimbra a situação está mais difícil”, afirmou.

A Lusa contactou a Federação Académica do Porto (FAP) que representa 70 mil alunos e confirmou que a situação é semelhante.

“Têm chegado alguns pedidos de ajuda”, disse a presidente da FAP, alertando para a probabilidade de existir uma “realidade escondida pelo estigma”: “Certamente que existem casos que não nos chegam pela vergonha de pedir ajuda”, disse Ana Gabriela Cabilhas.

“O aumento dos preços é sentido pelos alunos no supermercado, em alimentos como carne, laticínios, ovos, cereais, congelados ou enlatados”, contou.

Além de mais alunos à procura de refeições a preços sociais, no Porto aumentaram também as “filas para os micro-ondas” de alunos que, provavelmente, antes almoçavam fora.

Segundo a presidente, “nota-se um aumento das dificuldades para suportar os custos associados à frequência do ensino superior em relação ao ano passado, mas também em relação ao semestre letivo anterior”.

Ana Gabriela Cabilhas lembrou que o orçamento disponível das famílias “está a diminuir, ao passo que os custos de frequência estão a aumentar”.

“Aumentou o custo dos alimentos no supermercado, aumentaram as despesas de habitação, de eletricidade, mas também dos materiais de estudo, como é exemplo, os cursos de arquitetura e artes plásticas, que já obrigam os estudantes a ter que fazer escolhas sobre que materiais abdicar de comprar”, exemplificou.

Perante a pressão do aumento da inflação observa-se também no agregado familiar, que “tem que reduzir despesas para permitir que os filhos continuem a estudar. E isto, por sua vez, causa angústia nos estudantes”, sublinhou.

A situação poderá agravar-se, no próximo ano letivo, caso o Governo não altere a atual legislação, que define que o valor das refeições nas cantinas está indexado ao IAS (Indexante dos Apoios Sociais).

“O IAS aumentou e se o Governo não avançar com medidas legislativas, as refeições podem subir para o dobro em setembro”, alertou Helder Semedo.

Tanto a AAUL como a AFP realizaram em 2022 inquéritos junto dos alunos que revelaram haver uma percentagem elevada de jovens com dificuldades em pagar as contas e um número também elevado de estudantes que já tinham equacionado abandonar os estudos.

Em média, entre 10 a 12% dos alunos do 1.º ano desistem de estudar, segundo dados oficiais.

A estes somam-se os números do acesso ao ensino superior que revelou que este ano mais de 10% dos alunos que entraram na primeira fase do concurso não se matricularam, ou seja, mais de 5.000 alunos colocados não concretizaram a sua inscrição.

Não há estudos sobre os motivos para não terem aceitado a vaga, mas Afonso Garcia acredita que em muitos casos as questões financeiras foram decisivas.

Últimas do País

Um português, de 36 anos, procurado pelas autoridades francesas por uma denúncia de fraude fiscal foi encontrada e detida no distrito de Viana do Castelo, anunciou hoje a Polícia Judiciária (PJ).
A PSP apreendeu mais de 550 equipamentos elétricos e eletrónicos falsificados e cerca de 250 maços de tabaco ilegais durante ações de fiscalização a estabelecimentos comerciais na Amadora, no distrito de Lisboa, anunciou hoje uma força de segurança.
Uma mulher foi hoje encontrada inconsciente na A8 e transportada para o hospital de Leiria, estando o caso a ser investigado pela GNR por suspeitas de ofensas à integridade física, disse fonte oficial.
A coordenadora da Unidade de Voz do Hospital Egas Moniz alertou hoje para o aumento de casos do Vírus do Papiloma Humano (HPV) na laringe, incluindo em crianças, algumas das quais chegam a necessitar de traqueostomia para conseguir respirar.
Os concelhos de Tavira, no distrito de Faro, e de Idanha-a-Nova, no distrito de Castelo Branco, apresentam hoje risco muito elevado de incêndio, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Eurico Castro Alves, médico que coordenou plano de saúde do PSD, recebeu 178 mil euros em “comissões” por cirurgias. A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) aponta irregularidades e admite devolução das verbas.
A recolha de dados biométricos nas partidas nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro foi retomada ao início da tarde, após ter sido suspensa durante a manhã devido às filas de espera, disse à Lusa o porta-voz da PSP.
O Grupo VITA, criado pela Conferência Episcopal Portuguesa para acompanhar as situações de abuso sexual na Igreja Católica, tem recebido novas denúncias que visam agressores que já morreram, disse hoje a sua coordenadora.
A Polícia Judiciária (PJ) detectou no Porto um cidadão português procurado na Alemanha por crimes de burla e fraude fiscal decorrentes, que terá causado prejuízos superiores a 6,4 milhões de euros, foi hoje anunciado.
A Capitania do Porto do Funchal prolongou o aviso de agitação marítima forte na orla costeira do arquipélago da Madeira até às 06h00 de domingo e cancelou o de mau tempo, que estava em vigor desde terça-feira.