Juan Carlos I regressa a Espanha e com ele a polémica em torno da monarquia

(C) Facebook |Juan Carlos I

Apesar do pedido de Felipe VI para que regressasse depois de 28 de maio, Juan Carlos I aterra no país nesta quarta-feira, para uma visita de “âmbito privado”. Podemos reagiu: “Indecência democrática”.

O ex-rei de Espanha Juan Carlos I volta esta semana ao país, mas à revelia do filho e atual monarca, Felipe VI, que queria evitar polémicas em torno da coroa em período eleitoral, segundo fontes da Casa Real.

Juan Carlos de Borbón, envolto em suspeitas de corrupção e outras polémicas relacionadas com comportamentos considerados desrespeitosos das instituições espanholas, vive exilado nos Emirados Árabes Unidos desde 2020 e deve aterrar em Espanha na quarta-feira, para passar uns dias em Sanxenxo, na Galiza, e participar em regatas de barcos à vela.

O rei emérito, que abdicou em 2014, já esteve em maio do ano passado em Sanxenxo, naquela que foi a sua primeira viagem a Espanha desde 2020 e que acabou por ser alvo de críticas de vários setores, pela forma como Juan Carlos I anunciou a estadia e se expôs publicamente, arrastando atrás de si 300 jornalistas acreditados e organizados por um clube náutico ou aceitando uma cerimónia de homenagem do mesmo clube.

Em Sanxenxo, Juan Carlos I acabou também a saudar grupos de pessoas que se deslocaram à localidade e o receberam com gritos de “viva o rei” à sua passagem por diversos pontos.

Em paralelo, partidos e dirigentes políticos, nomeadamente os socialistas que estão no governo nacional, entre outras vozes, lamentavam aquela passagem tão mediática e com um lado triunfal por Espanha e reclamaram que deveria ter aproveitado para dar explicações sobre a sua atuação enquanto Chefe de Estado e pedir desculpa aos espanhóis.

“Explicações do quê?”, respondeu o próprio, em Sanxenxo, à questão de um jornalista.

A visita do ano passado acabou com uma escala em Madrid antes do regresso a Abu Dhabi em que Juan Carlos I se encontrou em privado com Felipe VI, revelou então oficialmente a Casa Real espanhola num comunicado.

Fontes da Casa Real acrescentaram aos meios de comunicação social que nessa conversa o atual monarca condenou o “circo” em que se havia transformado a deslocação a Sanxenxo e pediu a Juan Carlos I para ser mais discreto, sobretudo, em novas viagens a Espanha.

As mesmas fontes da Casa Real disseram que Felipe VI tinha pedido ao pai para regressar este ano a Sanxenxo, para as regatas de que é fã, só depois das eleições municipais e regionais de 28 de maio, para não haver o risco de a coroa e o futuro da monarquia se transformarem num assunto dos comícios da campanha eleitoral.

A equipa de Juan Carlos I tinha aparentemente concordado, segundo as mesmas fontes, que acrescentaram que, porém, a Casa Real espanhola ficou a saber pelos meios de comunicação social que o rei emérito aterra já esta semana em Sanxenxo.

O governo, através da ministra porta-voz, a socialista Isabel Rodríguez, já disse que a visita é de “âmbito privado”, mas acrescentou que o executivo já “manifestou em múltiplas ocasiões a sua opinião” em relação “à conduta do rei emérito” e continua a ser a mesma.

Isabel Rodríguez não quis, porém, estender-se na resposta ou pedir de forma clara a Juan Carlos I para dar explicações aos espanhóis e para se desculpar perante o país, como já fez anteriormente o próprio primeiro-ministro, Pedro Sánchez.

Já o maior parceiro dos socialistas na coligação de governo, o Podemos (extrema-esquerda) considerou na segunda-feira uma “indecência democrática” o regresso de Juan Carlos I a Espanha, que nunca “prestou contas em sede judicial das suas malfeitorias” e aos cidadãos do país.

E uma das vice-presidentes do governo, a ministra do Trabalho e dirigente comunista, Yolanda Díaz, além de insistir em que faltam explicações e desculpas de Juan Carlos I, entrou no terreno que Felipe VI, precisamente, queria evitar e, numa entrevista à televisão La Sexta no domingo à noite, reafirmou que é republicana e que o futuro da monarquia tem de entrar no debate público, o que anteviu que irá acontecer “na próxima década”.

Os analistas e peritos na monarquia espanhola concordam em que o debate sobre o futuro da monarquia se aproxima e será inevitável dentro de algum tempo, por a atual herdeira do trono, Leonor de Borbón, chegar à maioridade em outubro deste ano e ser necessário mudar a Constituição, que dá prioridade aos homens sobre as mulheres nos direitos sucessórios.

Essa alteração da Constituição exige um referendo nacional, o que colocará a questão da monarquia no centro do debate público.

Entre os partidos da direita, as críticas são menores e dizem que Juan Carlos I é um cidadão espanhol que pode livremente visitar o país, de forma privada e quando quiser.

Apesar de aparentemente estar a regressar a Espanha numa decisão unilateral, sem atender ao calendário que lhe deu a Casa Real, Juan Carlos I está a ser mais discreto em relação a esta deslocação, desconhecendo-se, por enquanto, e ao contrário do que aconteceu em 2022, a hora a que chegará, onde vai ficar alojado ou que percursos vai fazer na Galiza.

A justiça espanhola arquivou em março do ano passado os três casos que estavam relacionados com o rei emérito, por alguns dos alegados crimes já terem prescrito e por Juan Carlos I não poder ser processado pelas “irregularidades fiscais” de que foi culpado entre 2008 e 2012 devido à sua imunidade como chefe de Estado.

Últimas do Mundo

O Instituto Geográfico Nacional (IGN) espanhol registou seis terramotos na madrugada de hoje em diferentes cidades da província de Granada, o mais significativo de magnitude 3,4 na escala de Richter.
Cuidadoras denunciam gatos mortos e alertam que várias colónias foram abandonadas depois de os habitats dos animais terem sido ocupados por acampamentos improvisados.
Yoli deixou a própria casa com as filhas depois de o medo ter tomado conta da família. Uma das crianças já não queria sair à rua e acordava de madrugada aterrorizada. O relato surge num momento em que Ceuta enfrenta uma vaga de imigração ilegal e 15 denúncias de violação, segundo fontes da Guardia Civil.
O sarampo provocou 17 mortes num total de 1.500 casos registados nos últimos 12 meses, no município angolano do Songo, província do Uíje, divulgaram as autoridades sanitárias locais.
Catorze mineiros ilegais morreram numa mina abandonada na África do Sul, revelou hoje a polícia, que admite que tenha havido um desmoronamento.
Pelo menos 2.000 pessoas morreram devido ao surto do vírus Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo), que regista o crescimento mais rápido de sempre, segundo os dados mais recentes do Governo.
O forte sismo que abalou hoje a Colômbia causou estragos em pelo menos seis aeroportos, destruiu parcial ou totalmente habitações e provocou dezenas de feridos, levando o recém-empossado Presidente colombiano a convocar uma reunião de crise.
As autoridades chinesas anunciaram hoje mais 30 vítimas mortais do deslizamento de terras que, em 17 de julho, soterrou mais de dez edifícios no município de Chongqing (centro), elevando para pelo menos 41 o número de mortos.
Várias pessoas ficaram feridas depois de um forte sismo ter atingido o sudoeste do Japão, provocando derrocadas de edifícios e incêndios, anunciou esta terça-feira a primeira-ministra, Sanae Takaichi.
Ataque junto à Porte de Clichy fez três feridas, duas delas em estado grave. Suspeito, de 31 anos, foi detido no local e está a ser investigado por tentativa de homicídio qualificado.