Greve dos funcionários judiciais com adesão de cerca de 85%

Facebook/sfjudiciais

A adesão à greve dos funcionários judiciais iniciada no dia 27 de Abril e que levou ao adiamento de vários julgamentos e diligências rondou os 85%, segundo dados provisórios fornecidos à agência Lusa pelo Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ).

A greve, que se prolonga até 05 maio, causou o adiamento da sessão do julgamento do processo Aquiles, relacionado com o narcotráfico de cocaína, bem como do início do julgamento do ativista antirracista Mamadou Ba, por difamação do antigo líder dos “hammerskins” Mário Machado, entre outros casos judiciais.

Segundo dados do SFJ, a greve atingiu a adesão máxima (100%) em mais de 30 tribunais, incluindo os de Cantanhede, Coimbra Central Cível, Coimbra Central e Local Criminais, Coimbra Instrução Criminal, Tribunal de Comércio Aveiro, Tribunal Administrativo e Fiscal (TAF) de Viseu, Tribunal de Trabalho da Guarda, Locais cível de Loures, Local e Central Cível de Sintra, Tribunal de Trabalho do Barreiro, bem como no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).

Os tribunais da Relação do Porto (90% de adesão), Castelo Branco (97%), Celorico da Beira ( 85%), Coimbra Local Cível (80%), Covilhã (95%), Guarda   (97%), Oliveira de Azeméis (97%) e Trancoso (98%) registaram elevados níveis de adesão à greve, enquanto outros, como o de Fornos de Algodres, Gouveia e Meda, registaram 0% de adesão.

Entretanto, a ministra da Justiça afirmou, na Batalha, esperar um entendimento “a muito breve prazo” entre o Governo e os oficiais de justiça, prometendo a aprovação do Estatuto dos Oficiais de Justiça.

Esta quinta-feira está agendada nova reunião no MJ, mas se o sindicato não obtiver respostas do Governo nesse encontro, no plenário de dia 28 irá “decidir o que fazer depois de 05 de maio”.

O SFJ iniciou ontem uma “greve clássica”, paralisando totalmente até 05 de maio, o que, assegura, “será muito mais prejudicial” do que a última greve. O sindicato admite ainda estender a luta até julho.

“Aquilo que nós vamos demonstrar é que (…) a inação e reiterados comportamentos ilegais por parte do Ministério da Justiça vão ter uma resposta à altura dos funcionários judiciais e agora num modelo de greve clássica”, que é “muito mais prejudicial para os cidadãos”, disse na passada segunda-feira à Lusa António Marçal, presidente do SFJ, a propósito da greve de 10 dias que hoje começa.

O dirigente sindical referiu que, com a paralisação total, que implica perda de remuneração e ausência do local de trabalho, deixarão de ser praticados atos como notificações e citações, necessários à realização de diligências como inquirições e julgamentos, pelo que podem ser milhares as diligências e julgamentos que voltam a ser adiados com duas semanas de greve.

António Marçal coloca o ónus da resolução do conflito no Ministério da Justiça (MJ), a quem atribui a responsabilidade de dar resposta às reivindicações sindicais, nomeadamente o pagamento integrado no vencimento do suplemento de recuperação processual, que a ministra Catarina Sarmento e Castro remeteu para a implementação do novo estatuto dos oficiais de justiça, que está a ser trabalhado, e que o SFJ insiste que não necessita de qualquer regulamentação em estatuto para ser pago.

“[A greve decorre] até dia 05 de maio para já. Depois, durante a próxima semana, mantendo-se este silêncio ensurdecedor por parte do MJ e do Governo, será apresentada uma nova jornada de luta até 15 de julho, em que não serão só greves, haverá um conjunto de ações que irão ser desenvolvidas pelos trabalhadores até que efetivamente o Governo resolva os problemas”, disse à Lusa.

Para hoje  está agendada nova reunião no MJ, mas se o sindicato não obtiver respostas do Governo nesse encontro, no plenário de dia 28 irá “decidir o que fazer depois de 05 de maio”.

Últimas do País

Os 24 acidentes em passagens de nível registados em Portugal em 2025 causaram nove mortos, segundo um comunicado oficial divulgado hoje, no qual se destaca que o número não tem diminuído "de forma correspondente" à redução destas infraestruturas.
Os alunos do 4.º que não realizaram a prova de Monitorização das Aprendizagens de Matemática devido à greve dos trabalhadores não docentes de sexta-feira vão fazê-lo no dia 19 de junho, informou hoje o Ministério da Educação.
O presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), Luís Laginha de Sousa, alertou hoje para as limitações à capacidade de utilização de recursos que o supervisor tem, o que lhe "retira flexibilidade e operacionalidade".
Doze concelhos dos distritos de Faro, Portalegre, Santarém, Castelo Branco e Évora apresentam hoje um perigo máximo de incêndio rural, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Um homem de 47 anos foi detido na segunda-feira em flagrante delito por ter ateado um incêndio florestal no concelho de Lousada, distrito do Porto, anunciou hoje o Comando Territorial da GNR do Porto.
Portugal está entre os países europeus que mais processa cocaína, tendo sido desmantelados em 2024 quatro laboratórios e apreendidas 23 toneladas, a sexta maior quantidade entre os Estados-Membros da União Europeia (UE).
Os dados realçam o aumento da proporção de partos de mães de nacionalidade estrangeira de 26,3%, em 2024, para 28,8%, em 2025, com as parturientes de nacionalidade estrangeira a residirem sobretudo em municípios do Algarve e da Grande Lisboa.
A Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) condenou hoje "a promoção aberta" de bolsas de nicotina no festival Primavera Sound Porto, alertando que estes produtos provocam forte dependência e podem incentivar o consumo de nicotina entre os mais jovens.
O suspeito, "já anteriormente condenado pelo mesmo crime e contra a mesma vítima, voltou a injuriá-la e ameaçá-la, incumprindo as medidas que lhe haviam sido impostas pelo tribunal".
A Polícia Judiciária (PJ) deteve um homem de 35 anos na ilha de São Miguel, nos Açores, por tentativa de homicídio, na sequência de uma discussão alegadamente relacionada com o consumo de estupefacientes, foi hoje divulgado.