Raça mirandesa com redução significativa de cabeças de gado num ano

© Mirandesa

A Associação de Criadores de Bovinos da Raça Mirandesa disse hoje que, no último ano, verificou-se uma redução significativa no número de cabeças de gado, a rondar um milhar, devido aos efeitos da seca no Nordeste Transmontano.
“Entre maio de 2022 e maio de 2023, sentiu-se uma redução significativa no efetivo desta raça autóctone, que ronda as mil cabeças de gado, devido aos efeitos da seca. Os produtores preferem desfazer-se dos animais (venda ou abate) para obter algum rendimento já que o alimento escasseia”, vincou Válter Raposo.

Também responsável pelo livro genealógico dos bovinos de Raça Mirandesa, Válter Raposo indicou que são já dois anos consecutivos de seca a deixar as suas marcas no efetivo pecuário desta raça.

De acordo com Válter Raposo, a chuva que se fez sentir foi tardia e aconteceu numa altura em que a colheita das forragens, como o feno ou aveia, já estava ceifada e armazenada.

“No ano passado, os criadores ainda mostravam algumas expectativas e mantiveram o efetivo adulto, contudo, não se verificou a entrada de novos animais nas explorações para renovação das unidades pecuárias. Este ano é notória a diminuição do efetivo devido à falta de expectativas para os próximos tempos. As ajudas diretas por cabeça de gado são cada vez menos e os produtores ficam na expectativa para não recorrer à compra externa de alimento”, explicou.

O solar de Bovinos de Raça Mirandesa estende-se aos concelhos transmontanos de Miranda do Douro, Vimioso, Mogadouro, Bragança, Vinhais e Macedo de Cavaleiros, onde se concentram cerca de 4.400 fêmeas adultas. Em 2022, o efetivo ultrapassava as cinco mil fêmeas reprodutoras.

De acordo com Válter Raposo, a chuva verificada nas duas últimas semanas não altera praticamente em nada a situação de seca que se vive no Planalto Mirandês e no Nordeste Transmontano.

“A água que caiu nestes dias poderá servir para as culturas de verão, como o milho ou o sargo, mas já há poucos agricultores a praticá-la”, disse o responsável por esta raça autóctone.

Do lado dos agricultores, João Marcos, produtor pecuário do concelho de Mogadouro, no distrito de Bragança, referiu que “a chuva é sempre bem-vinda, só que a que caiu nos últimos tempos trouxe poucas vantagens para a pecuária”.

“Quando começou a chover no fim de maio e em junho estávamos no início das colheitas. Para além de não trazer grandes vantagens, ainda estragou o feno e a aveia que tínhamos colhido e que estava nos campos. Como os lameiros já estavam secos, dificilmente voltará a rebentar erva a médio prazo, porque estamos praticamente no fim da primavera”, afirmou.

Já José Gaspar, também produtor neste concelho nordestino, disse que esta chuva só tem prejudicado as produções agrícolas.

“Se havia pouco alimento para o gado, esta chuva veio complicar ainda mais a situação”, frisou.

Contactado pela Lusa, o presidente da Câmara de Mogadouro, António Pimentel, avançou que à semelhança do que aconteceu em anos passados, e após uma análise às dificuldades dos produtores, a autarquia não coloca de lado a aquisição de alimento para os animais para quem tenha maiores quebras.

“O município estará sempre recetivo a equacionar este tipo de situação que também poderá ter, caso seja necessário, uma maior abrangência através da Comunidade Intermunicipal Terras de Trás-os-Montes”, disse.

Quando 89% do território está em situação de seca e 34% em seca severa e extrema (Alentejo e Algarve), o ministro do Ambiente e da Ação Climática admitiu hoje, em Loulé, a possibilidade de o Governo adotar novas medidas de restrição ao consumo de água nas regiões em maior situação de stresse hídrico.

O governante admitiu também que possam vir a existir “diferenciações tarifárias para grandes consumidores em sistema de gestão de recursos hídricos durante todo o ano”.

Últimas do País

Os banhistas podem colocar chapéus-de-sol em frente às concessões de praia, que “não podem exceder 30% da área útil da praia, nem 50% da frente de praia”, indica a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), num esclarecimento técnico hoje divulgado.
Um ex-diretor das Águas de Gaia (ADGaia) e um empreiteiro ficaram em prisão preventiva no âmbito da operação 'Água Turvas', que investiga um alegado esquema de corrupção na empresa municipal, decidiu hoje o Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto.
As forças de segurança vivem tempos particularmente exigentes, até pelos palcos digitais e mediáticos onde se veem envolvidas, e, nesse contexto, a formação de novos agentes assume importância e complexidade acrescida, disse hoje um oficial da PSP.
A greve de hoje dos enfermeiros da Unidade Local de Saúde (ULS) Arrábida, em Setúbal, teve uma adesão superior a 70% nos hospitais e obrigou ao encerramento de várias unidades de cuidados de saúde primários, revelou fonte sindical.
João Gamelas demitiu-se do cargo de diretor clínico para a área hospitalar da ULS Lisboa Ocidental por razões pessoais, mas reconhece que “o problema que se vive na confiança e na relação com os profissionais” pesou na decisão.
O líder do CHEGA defendeu, no Parlamento, uma Comissão Parlamentar de Inquérito à 'Operação Influencer', sublinhando que o país assistiu à queda de um Governo socialista "afundado num verdadeiro polvo de corrupção”.
A onda de calor iniciada em 20 de maio é a terceira mais longa de que há registo em número de dias médio, com 9,3 dias, e 25 novos ‘recordes’ da temperatura máxima do ar, foi hoje divulgado.
Mais de 200 motoristas de táxi, segundo a PSP, foram detidos nos primeiros cinco meses do ano na região de Lisboa pelo crime de especulação, prática considerada "totalmente inaceitável" para o presidente da Federação Portuguesa do Táxi (FPT).
O CHEGA vai propor no Parlamento que um trabalhador possa reformar-se quando atingir 40 anos de descontos ou 65 de idade e quer colocar um teto máximo para as pensões mais altas de 4.500 euros.
Um homem de 45 anos acusado de ter matado um septuagenário à paulada na sua própria casa em Águeda remeteu-se hoje ao silêncio no início do julgamento no Tribunal de Aveiro.