Banco Central Europeu diz ser fundamental adaptar comunicação aos cidadãos

©facebook.com/christinelagarde

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, defendeu hoje ser importante simplificar e adaptar a comunicação aos cidadãos para que estes confiem nas medidas adotadas pelos bancos para conter a inflação.

“É fundamental não só executar ações decisivas para diminuir a inflação, mas também comunicar de maneira efetiva”, considerou Lagarde, que falava, em Londres, num seminário organizado pelo European Economics & Financial Centre.

Para a presidente do BCE, “agora, mais do que nunca”, transmitir “de maneira credível” que a inflação vai situar-se na meta dos 2% a médio prazo “tem sido vital”.

Na sua intervenção, Lagarde alertou ainda para um ambiente comunicacional fragmentado, com as instituições a gerarem cada vez menos confiança.

“As instituições já não podem presumir que vão manter a atenção do público” numa altura em que qualquer pessoa com um telefone tem a capacidade de fazer ouvir os seus pontos de vista, notou.

Assim, referiu ter optado por transmitir a atuação dos bancos centrais de forma mais humilde e com mensagens acessíveis.

Christine Lagarde disse que os bancos centrais tendem a comunicar sobretudo com o mercado financeiro e com outros especialistas, público que, normalmente, presta mais atenção aos temas em causa.

No entanto, é fundamental que completem a sua informação técnica com uma versão “adaptada ao público não especializado”, vincou.

Por outro lado, referiu ser importante garantir a fiabilidade dos analistas que fazem as previsões económicas.

Os bancos têm de agir com antecedência para lidar com desafios como a inflação, defendeu, sublinhando que, num mundo mais volátil, “é mais fácil que as previsões fiquem rapidamente desatualizadas e que a as políticas nelas baseadas tenham que ser ajustadas ou revertidas”.

Neste momento, os bancos centrais têm também de admitir que subestimaram “tanto a dinâmica da inflação, como a sua persistência”.

Transmitir a mensagem à população em geral “é essencial para a legitimidade dos bancos centrais independentes nas sociedades democráticas e para a eficácia das suas políticas monetárias”, concluiu.

Últimas de Economia

O preço mediano dos alojamentos familiares transacionados em Portugal aumentou 16,8% em 2025 face ao ano anterior, situando-se nos 2.076 euros por metro quadrado (€/m2), divulgou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE).
Os juros da dívida portuguesa subiam hoje a dois, a cinco e a 10 anos face a quinta-feira, alinhados com os de Espanha, Grécia, Irlanda e Itália.
O Banco de Portugal (BdP) registou um prejuízo de 1,4 milhões de euros em 2025, tendo recorrido a provisões para absorver parte do resultado, de acordo com o Relatório do Conselho de Administração divulgado hoje.
O endividamento do setor não financeiro, que inclui administrações públicas, empresas e particulares, aumentou 200 milhões de euros em fevereiro face a janeiro, para 862.100 milhões de euros, anunciou hoje o Banco de Portugal (BdP).
O cabaz essencial de 63 produtos, monitorizado pela Deco Proteste, atingiu esta semana um novo máximo, ultrapassando os 260 euros, após uma nova subida de 1,37 euros, divulgou hoje a organização.
O Ministério Público suspeita de uma articulação entre responsáveis da TAP, membros do Governo e um advogado para viabilizar o pagamento de 500 mil euros a Alexandra Reis, antiga administradora da companhia aérea, valor que considera não ser devido por lei.
A taxa de juro implícita dos contratos de crédito à habitação subiu em março pela primeira vez em mais de dois anos, para 3,088%, contra 3,079% no mês anterior e 3,735% em março de 2025, divulgou hoje o INE.
A economia portuguesa apresentou um excedente externo de 246 milhões de euros até fevereiro, uma descida de 488 milhões de euros em termos homólogos, divulgou hoje o Banco de Portugal (BdP).
A crise na habitação afeta as pessoas e também o crescimento da economia ao afastar jovens dos centros urbanos e travar a produtividade, alertou o diretor do Departamento da Europa do Fundo Monetário Internacional (FMI), em entrevista à Lusa.
A Associação das Companhias Aéreas em Portugal (RENA) disse esta quinta-feira que, para já, não há impacto na operação, mas admite a possibilidade de cancelamentos de voos e preços mais altos se a crise energética persistir.