Teia de familiares no meio da operação influencer

Os envolvidos na operação que levou à queda do Governo de António Costa e atingiu o coração do Executivo socialista têm várias ligações familiares a outros ministérios e serviços do Estado.

É isso que observamos quando vemos onde trabalham os cônjuges e filhos de arguidos e envolvidos neste processo. Susana Escária, mulher de Vítor Escária, o chefe de gabinete de António Costa que foi apanhado com 75 mil euros em dinheiro vivo escondido em livros no seu gabinete em São Bento, é diretora dos Serviços de Prospetiva e Planeamento no Ministério do Ambiente e foi adjunta do secretário de Estado da internacionalização. Entre outras responsabilidades, a direção geral do Ministério do Ambiente e da Ação Climática tem como missão assegurar a gestão de programas de financiamento internacional e europeu. Ou seja, a atribuição de fundo europeus. Também Diogo Lacerda Machado, o melhor amigo de Costa, tem dois filhos colocados no Estado. Francisco Lacerda Machado foi adjunto do gabinete do secretário de Estado da Internacionalização, à data Eurico Brilhante Dias.
Depois disso foi nomeado para conselheiro económico da embaixada de Portugal em Washington, embora a sua formação de base seja Ciência Política. Sobre esta nomeação feita no ano de 2020, Paulo Morais, presidente da associação Frente Cívica, referia o seguinte: “O novo Adido Principal para a área económica da embaixada de Portugal em Washington, que vai promover as relações de negócios entre Portugal e os Estados Unidos nesta nova fase de Administração Biden, é o filho de Lacerda Machado, o compadre do António Costa. Francisco Lacerda Machado não tem currículo, nem experiência. Mas é o filho do compadre que vai representar-nos nesta nova fase de vida dos EUA”. 

Por seu lado, o filho mais novo de Lacerda Machado, João Lacerda Machado, foi nomeado pelo Ministério da Defesa para uma empresa tutelada pelo Ministério da Defesa, pertencente ao setor empresarial do Estado, a idD – Plataformas das Indústrias de Defesa Nacional S.A. – tendo começado essa colaboração em 2017. Mais tarde rumou ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, tendo concluído com sucesso o concurso à Carreira Diplomática. Quanto a Laura Galamba, mulher de João Galamba, outro dos envolvido na Operação Influencer, integra os quadros da Comissão do Mercado de Valor Mobiliários (CMVM) e esteve em regime de mobilidade no Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais (GPEARI) do Ministério das Finanças, desempenhando as funções de coordenadora, apesar de a sua nomeação não ter sido publicada em Diário da República durante um ano. Fernando Medina referiu depois no Parlamento que Laura “não foi nomeada pelo Governo, nem tem nenhuma nomeação à espera de nenhum cargo que dependa de nenhum membro do Governo”. 

A propósito destas ligações, o Presidente do CHEGA acusa o Partido Socialista de ter como prática constante a colocação de socialistas nos principais setores-chave do Estado. “Os tentáculos deste polvo socialista chegam a todos os setores da Administração Pública, criando uma rede de influência inadmissível num Estado de Direito”, referiu André Ventura. O CHEGA tem lutado contra o nepotismo e denunciado estes casos que “minam a democracia e a confiança nas instituições”. Acresce que estes casos geram muitas vezes situações de dúvida, de alguma incompatibilidade política, que pode não ser necessariamente jurídica, e que acabam por manchar as instituições e não passam uma boa imagem. 

Para limitar estes casos e outros que podem envolver negócios entre membros do Governo e os seus familiares, o CHEGA apresentou um projeto de lei que prevê impedir estes mesmos negócios e tem como objetivo a garantir a imparcialidade da atuação administrativa. Defende por isso que a Administração Pública deve fazer o que estiver ao seu alcance para que o regime de contratação pública seja tão transparente quanto possível, bem como procurar acabar com todo o tipo de favorecimentos pessoais na esfera governamental. 

No projeto de lei apresentado pelo partido refere-se que “segundo os resultados do Barómetro Global de Corrupção de 2021, quase 90% dos portugueses acredita que há corrupção no Governo, que os Deputados da Assembleia da República e os banqueiros estão entre os mais corruptos e 41% dos portugueses considerou que a corrupção aumentou”. 

E acrescenta que “é natural que isto aconteça quando sucessivamente há notícias de contratações dúbias feitas por titulares de órgãos públicos com familiares, veja-se a título de exemplo a notícia da Sábado cujo título é ‘Estado contratou o pai, a mãe e o irmão da Ministra da Cultura’, sendo noticiado um ano depois, sobre a mesma figura do Estado uma outra notícia, desta vez do Polígrafo que questiona ‘Empresa da família da ministra da Cultura voltou a celebrar contratos com o Estado?!’, tendo sido considerada verdadeira a notícia. Nesse sentido, o partido de André Ventura “propõe várias alterações à lei vigente, no sentido de impedir ou dificultar este tipo de situações”, de- vendo “ser absolutamente proibidos quaisquer contratos, com empresas em que o titular do órgão seja detentor de participação (independentemente de ser mais ou menos de 10%), assim como de empresas que tenham participação de familiares próximos do titular do órgão, nomeadamente, ascendentes, descendentes, cônjuges ou unidos de facto.” E acrescentam que “caso a contratação não ocorra em área tutelada pelo próprio titular do órgão então ela é possível, no entanto, por razões de transparência essa informação deve não só ser pública como deve ser proactivamente publicada em www.transparência.gov.pt”. 

Últimas de Política Nacional

Francisco Rocha Gonçalves autorizou nova unidade de cirurgia cardíaca no Santo António, no Porto. Diretor do serviço é seu amigo pessoal, com quem terá passado férias no Algarve.
Empresa liderada por gestor acusado de corrupção celebrou contratos superiores a 25 milhões de euros com entidades públicas desde que foi conhecida a acusação do Ministério Público.
O presidente do CHEGA, André Ventura, lamentou hoje os “ataques e falta de sentido democrático” das associações e universidades que criticaram a presença do partido na Futurália, dizendo que houve uma “tentativa de censura”.
O CHEGA vai chamar ao parlamento o governador do Banco de Portugal (BdP) para explicar a reforma de Mário Centeno com “benefícios escandalosos”, anunciou hoje o presidente do partido, que disse ter existido um “acordo escondido”.
O Parlamento rejeitou todas as propostas apresentadas pelo CHEGA para reforçar o mercado de arrendamento, incluindo a descida para 5% da taxa de IRS aplicada aos rendimentos prediais.
Um jornalista da rádio Observador foi retirado da sala durante uma audição da Comissão Parlamentar de Inquérito ao INEM, após uma decisão conjunta de PS e PSD. O CHEGA foi o único partido a votar contra.
O PS e o PSD chumbaram, na Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação, um requerimento do CHEGA que pretendia ouvir especialistas independentes sobre a localização do futuro Aeroporto Luís de Camões, impedindo que dúvidas técnicas, económicas e ambientais fossem discutidas no Parlamento.
A presidente da Câmara de Alcácer do Sal, Clarisse Campos, retirou os pelouros ao vereador Mário Caixas, também eleito pelo PS, alegando quebra de confiança política num momento considerado decisivo para a recuperação do concelho após as recentes cheias.
O serviço ferroviário entre Lisboa e Setúbal, que atravessa a Ponte 25 de Abril, vai estar sob escrutínio no Parlamento. O CHEGA conseguiu aprovar uma audição para ouvir utentes, Fertagus e Governo sobre as condições de segurança, capacidade e qualidade do serviço.
O presidente do CHEGA, André Ventura, acusou esta quarta-feira o Governo de se vitimar e o primeiro-ministro de querer desviar atenções e usar as alterações à lei laboral como “manobra de distração”.