Relatórios de técnicos sem competência legal podem encher tribunais com pedidos de anulação

O sindicato dos técnicos de reinserção social teme que ainda este mês os tribunais possam ficar assoberbados com pedidos de anulação de decisões tomadas com base em relatórios de técnicos que legalmente não os podiam ter elaborado.

© DR

Em causa está uma decisão do Tribunal Central Administrativo (TCA) do Sul, que confirmou uma decisão de primeira instância, dando razão ao Sindicato dos Técnicos da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (SinDGRSP), que pedia a anulação de um concurso para contratação de técnicos superiores por ilegalidades no aviso de abertura.

O aviso previa que pudessem ser pagos suplementos remuneratórios específicos das carreiras de técnico superior de reinserção social e técnico superior de reeducação a técnicos superiores da carreira geral, o que o tribunal confirmou ser ilegal.

No entanto, disse à Lusa o presidente do SinDGRSP, Miguel Gonçalves, a decisão confirma também que as funções exercidas pelos técnicos destas duas carreiras apenas podem ser exercidas por profissionais que nelas estejam integrados, sob pena de “esvaziamento do conteúdo funcional das carreiras de técnico superior de reinserção social e técnico superior de reeducação”, como afirmado no acórdão do TCA do Sul.

Isto significa, referiu o presidente do sindicato, que a partir de 15 de janeiro, quando a decisão do TCA do Sul transita em julgado, podem começar a entrar nos tribunais pedidos de anulação de decisões judiciais tomadas com base em relatórios elaborados por técnicos superiores das carreiras gerais, que apenas podiam ter sido feitos por técnicos das duas carreiras específicas da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP), em cumprimento da lei que determina as funções adstritas a cada uma das duas carreiras.

Entre as funções está a elaboração de relatórios de apoio aos tribunais, com pareceres que apoiam a tomada de decisão, em processos como a tutela de menores, por exemplo.

Miguel Gonçalves adiantou que não é possível estimar o número de processos e decisões afetadas, mas disse já ter pedido uma audiência à bastonária dos advogados, Fernanda de Almeida Pinheiro, “para alertar para esta situação”.

Últimas do País

Estava condenado a quatro anos de prisão na Bélgica e era procurado pelas autoridades daquele país. Um homem de 56 anos foi localizado e detido pela Polícia Judiciária, esta quinta-feira, na zona de Loures, por factos relacionados com um crime de branqueamento.
A GNR apreendeu uma pistola, uma caçadeira, três carabinas de ar comprimido, uma catana, um punhal, um bastão e mais de 800 munições e cartuchos. O suspeito foi detido e presente ao Tribunal Judicial de Santarém.
Três homens, com idades entre 24 e 31 anos, foram detidos pela PSP por furto no interior de uma residência em Lagos, distrito de Faro, tendo dois deles sido intercetados após perseguição pelo lesado, foi hoje anunciado.
A Linha Nacional de Prevenção do Suicídio recebeu cerca de 25.600 chamadas no primeiro ano de atividade, das quais quase 700 correspondiam a situações de risco iminente de suicídio, avançou hoje à Lusa o coordenador clínico do serviço.
Carlos Mendonça, antigo presidente da Câmara Municipal do Nordeste eleito pelo PS, foi condenado a 10 anos de prisão e a 300 dias de multa. O tribunal deu como provados crimes de peculato, falsificação de documento e abuso de poder num processo relacionado com a utilização de dinheiros públicos.
O ex-presidente do Colégio de Competência em Emergência Médica Vítor Almeida alertou hoje que mais de 22 mil ocorrências de nível P1, situações associadas a risco de vida iminente, continuam sem socorro adequado.
Metade dos alunos inscritos para a época extraordinária dos exames nacionais do ensino secundário faltou às provas, segundo dados do Ministério da Educação, que registaram uma taxa de desistência de 49,6%.
Uma sondagem da Aximage indica que 55% dos inquiridos aprovam a iniciativa apresentada pelo CHEGA e as razões que levaram o partido de André Ventura a censurar o Governo.
A ministra da Justiça reconheceu hoje dificuldades nas cadeias, com mais de 13.700 presos e 55 mortes só este ano, e voltou a garantir que uma ala do Estabelecimento Prisional de Lisboa (EPL) encerra ainda este ano.
A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) aplicou quase meio milhão de euros de coimas no primeiro semestre deste ano, referentes a 143 processos de contraordenação instaurados no âmbito da supervisão de estabelecimentos de saúde.