20 Fevereiro, 2024

Parlamento aprova audições de ministra do Trabalho e ACT sobre Global Media

A Comissão parlamentar de Trabalho aprovou hoje as audições da ministra do Trabalho e da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) sobre situação laboral na Global Media, onde decorrem despedimentos e não foram pagos salários.

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Os requerimentos do PCP e do BE para audição da ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, na Comissão de Trabalho, Segurança Social e Inclusão (em conjunto com a Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto) foram aprovados por unanimidade.

O requerimento do BE pedia também a audição da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), que também foi votada favoravelmente.

Hoje está a decorrer no parlamento a audição das direções demissionárias do Jornal de Notícias, da TSF, d`O Jogo e do Dinheiro Vivo.

Recentemente, acionistas e comissão executiva da Global Media têm trocado acusações e ameaças, enquanto decorre um processo de despedimento de 150 a 200 pessoas, os trabalhadores estão sem receber o salário de dezembro e o subsídio de Natal e os jornalistas em prestação de serviços estão sem os pagamentos que lhes são devidos.

Na terça-feira, numa `newsletter` interna, a Comissão Executiva do Global Media Group, liderada por João Paulo Fafe, acusou os outros acionistas de protagonizarem situações “ética e moralmente condenáveis”, que contribuíram para a situação atual da empresa de media.

A Comissão Executiva diz que, desde que entrou em funções, “raro é o dia” em que não é apanhada “de surpresa por factos e procedimentos que fizeram parte deste grupo ao longo dos últimos anos e que, sem margem para dúvidas, roçam a fronteira daquilo que pode ser considerada uma gestão pouco transparente e irresponsável”.

Afirmou também que se tem deparado diariamente “com uma situação financeira muito difícil, e que a `due dilligence` [investigação] que previamente foi levada a cabo não refletiu de todo”.

“A realidade em que de facto vive o Global Media Group, nomeadamente tanto a nível de dívidas a fornecedores como a receitas bem abaixo do que nos era assegurado, e ainda a procedimentos internos verdadeiramente à margem da lei, obrigou-nos a ter de promover um plano de reestruturação que, além da necessária contenção de despesas e da racionalização de meios, implica, por muito que isso nos possa custar, um claro `emagrecimento` a nível de trabalhadores”, lamentou a gestão do grupo de `media`.

A gestão disse ainda que o fundo de investimento World Opportunity Fund (WOF) detém 51% de duas empresas, Palavras Civilizadas e Grandes Notícias, “onde os acionistas Marco Galinha e António Mendes Ferreira são detentores dos restantes 49%”.

“Por sua vez, estas duas empresas possuem 50,25% da Global Media”, assegurou, indicando que “de facto, o WOF tem uma participação indireta em redor de 26,0% no GMG”, sendo que, destacou, o capital social do GMG é ainda “detido em 29,35% pelo acionista Kevin Ho, e 20,40% pelo acionista José Pedro Soeiro”.

Na semana passada, os acionistas Marco Galinha, Kevin Ho, José Pedro Soeiro e Mendes Ferreira afirmaram que foi o “manifesto incumprimento” de obrigações pelo World Opportunity Fund que impediu o pagamento de salários aos trabalhadores.

Os trabalhadores do grupo Global Media estarão em greve no dia 10 de janeiro, em protesto pelos atrasos no pagamento de salários, entre outras reivindicações.

Agência Lusa

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