Ferro Rodrigues defende intervenção do Presidente da República na crise da justiça

O ex-presidente da Assembleia da República Eduardo Ferro Rodrigues defende uma intervenção do Presidente da República na crise da justiça, criticando, tal como Augusto Santos Silva, a atuação do Ministério Público em casos judiciais que causaram crises políticas.

©Facebook/eduardofero rodrigues

 

Na origem das criticas está a libertação dos arguidos que estiveram 21 dias detidos no âmbito da investigação aos alegados casos de corrupção na Madeira, após o juiz de Instrução ter concluido que os elementos da acusação não justificavam a privação da liberdade.

Em declarações ao jornal Público, Ferro Rodrigues disse que Marcelo Rebelo de Sousa deve agir “rapidamente” e dar um “sinal” de que a atual situação na justiça “não pode continuar” e que é “necessária uma intervenção”.

O antigo líder socialista referiu que o Presidente da República é o “único órgão de soberania que neste momento tem todos os poderes”, justificando de seguida que: “o Governo não tem todos os poderes, a Assembleia da República também não”, sugerindo que Marcelo Rebelo de Sousa se reúna com os Conselheiros de Estado.

Ferro Rodrigues considerou que a reunião dos Conselheiros de Estado deveria decorrer ainda antes do arranque da campanha eleitoral em 25 de fevereiro, “para obrigar os partidos a assumirem propostas e compromissos”.

O antigo líder socialista, Ferro Rodrigues considerou “inadmissível” que “os políticos todos e os partidos todos façam de conta que não está a acontecer uma coisa gravíssima” no sistema de justiça.

Na quinta-feira, o Presidente da República recusou-se a fazer comentários sobre casos concretos na justiça, sobretudo de um processo que está a decorrer, e remeteu para mais tarde a possibilidade de falar sobre o assunto.

Em declarações aos jornalistas, Marcelo Rebelo de Sousa admitiu ainda a possibilidade de falar de justiça “no abstrato” numa sessão a decorrer no próximo dia 21 de março por ocasião dos 50 anos do 25 de Abril.

O chefe de Estado recebe hoje o representante da República na Madeira.

Já na quarta-feira o presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, se declarou “perplexo” com a detenção, durante 21 dias, do presidente da Câmara do Funchal, na Madeira – que se demitiu entretanto – e de mais dois arguidos, quando afinal, o juiz de Instrução conclui que os elementos da acusação não justificavam a privação da liberdade.

Em entrevista à Rádio Renascença, Augusto Santos Silva sublinhou que é preciso fazer uma reflexão muito profunda – na próxima legislatura – sobre as condições, em seu entender demasiado fáceis, com que se priva da liberdade os cidadãos, em Portugal.

Em declarações divulgadas hoje no jornal Público, Ferro Rodrigues criticou a “completa irresponsabilidade e mediocridade” do Ministério Público (MP).

Ferro Rodrigues disse estar “indignado” por o Estado de Direito ser “cada vez menos respeitado” e desafiou a Procuradora-Geral da República, Lucília Gago, a “ter dignidade de assumir o ónus” das consequências dos casos judiciais que acabaram por causar crises políticas no Governo e na Região Autónoma da Madeira.

De acordo com o antigo presidente da Assembleia da República, é preciso pôr fim “ao politicamente correto” de afirmar “à justiça o que é da justiça e à política o que é da política”.

Além de Augusto Santos Silva, também a dirigente socialista Ana Catarina Mendes criticou na quinta-feira as “detenções bombásticas” na justiça que resultam depois em falta de indícios de crime e insurgiu-se contra julgamentos e “humilhações na praça pública”, manifestando-se indignada com a ligeireza desses casos.

Em 24 de janeiro, a Polícia Judiciária (PJ) realizou cerca de 130 buscas domiciliárias e não domiciliárias sobretudo na Madeira, mas também nos Açores e em várias zonas do continente, no âmbito de um processo que investiga suspeitas de corrupção ativa e passiva, participação económica em negócio, prevaricação, recebimento ou oferta indevidos de vantagem, abuso de poderes e tráfico de influência.

Na sequência desta operação, a PJ deteve o então presidente da Câmara do Funchal, Pedro Calado (PSD), que também já renunciou ao cargo, o líder do grupo de construção AFA, Avelino Farinha, e o principal acionista do grupo ligado à construção civil Socicorreia, Custódio Correia.

Os três arguidos foram libertados na quarta-feira com termo de identidade e residência, três semanas após as detenções, por despacho do juiz de instrução criminal, que considerou não terem sido encontrados indícios da prática “de um qualquer crime”.

Últimas de Política Nacional

Primeiro, o Governo respondeu ao CHEGA indicando um orçamento de 144.456 euros para a destruição dos químicos, em linha com a justificação apresentada por Luís Neves. Agora, confrontado pelo Observador, o Ministério da Justiça esclarece um pormenor decisivo: aquele valor abrangia produtos apreendidos em vários processos e não apenas os 62 bidões da Operação Pacoba. Afinal, os 144 mil euros não eram só para aqueles químicos.
O líder do CHEGA contesta limitações ao objeto da comissão de inquérito e quer escrutinar toda a passagem de Luís Neves pela direção da PJ, incluindo o seu afastamento da Operação Influencer e perceber se decisões tomadas durante o mandato sofreram influência política.
Luís Montenegro vai enfrentar o debate da moção de censura apresentada pelo CHEGA no dia 8 de setembro, às 15h00. Partidos decidiram acelerar os prazos para que o país não fique à espera de uma resposta política à iniciativa apresentada na sequência das polémicas que envolvem o ministro da Administração Interna, Luís Neves.
Presidente do CHEGA anunciou esta quarta-feira que o partido deu entrada de uma moção de censura ao Governo e considera a decisão “irreversível”. André Ventura acusa Luís Neves de não esclarecer as suspeitas que têm marcado a polémica em torno do ministro, critica o silêncio de Montenegro e garante que a comissão parlamentar de inquérito é para manter.
Presidente do CHEGA quer saber como Portugal vai pagar as novas fragatas e quanto custarão os juros. Ventura acusa ainda o Governo de ter adotado a “escola Luís Neves”: “Fala quando quer, sobre o que quer.”
Adjuntos, assessores e chefes de gabinete passaram dos corredores do Governo para lugares na Administração Pública. Em 17 casos, entraram em regime de substituição e, em dois, o percurso já terminou com uma nomeação por cinco anos.
Partido liderado por André Ventura questiona o Governo sobre o destino das habitações financiadas pelo PRR e pelo 1.º Direito e exige números sobre os beneficiários. Perante milhares de portugueses à procura de casa e uma oferta pública escassa, o CHEGA defende prioridade para cidadãos nacionais e para quem demonstre uma ligação duradoura e contributiva ao país.
Presidente do CHEGA considera que Luís Montenegro perdeu autoridade sobre o ministro da Administração Interna e avisa que, se não houver uma decisão sobre Luís Neves, o partido admite avançar com uma moção de censura. André Ventura acusa o ministro de ter arrastado o país para um “lamaçal político” e garante que a comissão parlamentar de inquérito é para manter.
Presidente do CHEGA considera “absolutamente razoável” o projeto que proíbe a mudança de sexo em menores de idade e reafirma a intenção de manter a iniciativa, rejeitando o apelo da ONU para que seja retirada ou revista.
Bancada de André Ventura apresentou dois projetos de lei, 14 projetos de resolução e avançou com a comissão de inquérito à liderança de Luís Neves na PJ. Somam-se ainda 28 perguntas dirigidas ao Governo.