Paquistão prepara nova vaga de expulsões de afegãos

O Paquistão prepara-se para uma segunda vaga de expulsões de afegãos em abril, depois da que iniciou no passado outono, num contexto de tensões crescentes entre os dois países, apurou a agência France Presse (AFP) através de fontes paquistanesas.

©D.R.

 

Entre meados de setembro e 13 de janeiro, mais de 500 mil afegãos tiveram de abandonar o Paquistão, que tinha lançado um ultimato para o regresso dos imigrantes indocumentados ao seu país, segundo números publicados no início de 2024 pela Organização Internacional para as Migrações (OIM).

O Paquistão justificou a medida com razões de segurança e pelo peso que os afegãos representam na sua economia em dificuldades, mas os analistas acreditam que a sua intenção seria forçar o Governo talibã a agir face à atividade desenvolvida por grupos armados na fronteira com o seu território.

“As autoridades militares informaram-nos que a segunda fase do repatriamento de imigrantes afegãos ilegais começaria depois do Eid [fim do Ramadão]”, disse à AFP, sob condição de anonimato, um funcionário do Governo da província de Khyber Pakhtunkhwa, que faz fronteira com o Afeganistão.

O Eid el-Fitr, que marca a quebra do jejum do mês do Ramadão, será celebrado durante vários dias na segunda semana de abril.

Um oficial da polícia da capital da província de Peshawar, que também pediu anonimato, confirmou à AFP que uma segunda fase da operação contra “afegãos ilegais” começaria após o Eid el-Fitr.

“A polícia de Khyber Pakhtunkhwa recebeu ordens de identificar os locais onde residem os imigrantes ilegais afegãos”, indicou, acrescentando que, no entanto, “o Governo Federal ainda não deu diretrizes específicas sobre a natureza desta operação”.

No outono de 2023, Islamabade estabeleceu um ultimato de 01 de novembro para a partida de 1,7 milhões de refugiados afegãos indocumentados.

Milhões de afegãos procuraram refúgio no Paquistão nas últimas décadas, em fuga de conflitos.

Destes, cerca de 600 mil afegãos abandonaram o seu país devido ao regresso ao poder em Cabul, em agosto de 2021, dos talibãs, que impuseram uma interpretação radical da lei islâmica.

Desde o regresso ao poder dos talibãs, as tensões fronteiriças entre os dois países muçulmanos aumentaram.

O Paquistão afirma que grupos armados, como o Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP), realizam ataques planeados a partir de solo afegão, através de uma fronteira muito porosa.

O Governo afegão sempre negou ter abrigado grupos armados estrangeiros que utilizam o seu solo para lançar ataques contra os seus vizinhos.

Na segunda-feira, o Paquistão realizou ataques aéreos no leste do Afeganistão que mataram oito civis e levaram a uma resposta de Cabul com disparos de “armas pesadas” nas áreas fronteiriças.

Os ataques aéreos ocorreram dois dias depois da morte de sete soldados no Waziristão do Norte, no noroeste do Paquistão, perto da fronteira com o Afeganistão.

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