Stoltenberg pede armas prioritárias para Kiev em detrimento das reservas da NATO

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, pediu hoje aos países aliados que priorizem o envio de armas para a Ucrânia se defender da Rússia, em detrimento da necessidade de cumprir as metas de reservas da organização para autodefesa.

© FACEBOOK | Jens Stoltenberg

“Se os aliados forem confrontados com a escolha entre cumprir os objetivos de capacidade da NATO e prestar mais assistência à Ucrânia, a minha mensagem é clara: enviem mais armas para a Ucrânia”, sublinhou Stoltenberg, durante uma conferência de imprensa, depois de se ter reunido com os líderes dos Países Baixos, Dinamarca e República Checa.

Stoltenberg confirmou ainda que a reunião do Conselho NATO-Ucrânia, solicitada pelo Presidente ucraniano terá lugar na sexta-feira, com a presença de Volodymyr Zelensky e dos ministros da Defesa aliados para “abordar as necessidades mais urgentes de apoio à Ucrânia”, em particular a defesa aérea e as munições de artilharia.

O encontro ocorrerá dias depois de Zelensky ter censurado os seus parceiros por a Ucrânia não receber a mesma ajuda que Israel, que foi apoiado por diferentes países para abater ‘drones’ e mísseis iranianos na sequência do ataque de Teerão, na noite de sábado para domingo.

“Os drones e os mísseis ‘Shahed’ representam riscos de escalada diferentes, mas será que as vidas humanas e o valor das pessoas são diferentes? Não, não são. Valorizamos todas as vidas da mesma forma”, sublinhou o líder ucraniano.

O secretário-geral da NATO afirmou que é “importante que todos os aliados alcancem e cumpram os objetivos de capacidade”.

“Mas apercebi-me de que, pelo menos a curto prazo, pode haver um conflito entre cumprir todos os objetivos e fornecer o que a Ucrânia precisa agora, e foi por isso que deixei claro que se a única forma de apoiar a Ucrânia é ficar aquém dos objetivos de capacidade da NATO, então é esse o caminho a seguir”, afirmou.

O responsável disse que esta é uma decisão que tem de ser tomada pelos aliados a nível nacional, uma vez que tem de existir “um equilíbrio entre o aumento dos riscos que terão de enfrentar na sua própria defesa nacional”.

“Mas a realidade é que apoiar a Ucrânia e ajudá-la a destruir as capacidades de combate russas também aumenta a nossa segurança”, referiu.

Ao mesmo tempo, salientou a importância de aumentar a produção para repor as reservas nos arsenais aliados.

Stoltenberg reuniu-se hoje com os primeiros-ministros da República Checa, Petr Fiala, da Dinamarca, Mette Frederiksen, e dos Países Baixos, Mark Rutte, para discutir a forma de fornecer mais sistemas de defesa aérea à Ucrânia, “porque a situação no campo de batalha continua muito difícil”.

A Dinamarca anunciou um novo e importante pacote de ajuda, os Países Baixos acabaram de confirmar mais 4 mil milhões de euros de ajuda militar adicional a Kiev e a República Checa continua a liderar uma iniciativa que está a angariar centenas de milhões de euros para enviar mais projéteis de artilharia para a Ucrânia.

Sobre as defesas aéreas de que a Ucrânia necessita, Rutte afirmou que a Ucrânia tem de produzir mais sistemas de defesa aérea a médio prazo, estudar o que pode fornecer com os seus próprios arsenais e comprar o que está “disponível em todo o mundo”.

Fiala indicou que, através da iniciativa checa de fornecer à Ucrânia mais munições de grande calibre, já foram contratados cerca de 200.000 cartuchos e estão previstos mais 300.000.

“[Os aliados devem] equilibrar as necessidades que temos enquanto membros da NATO e a nossa própria dissuasão e defesa com tudo o que queremos fazer pela Ucrânia”, sustentou Frederiksen.

“Mas a mensagem foi muito clara hoje: quando olhamos para o campo de batalha, neste momento, temos de fornecer especialmente mais munições e defesa aérea”, resumiu.

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