Reino Unido inicia segunda-feira operação para deportar migrantes para o Ruanda

O Governo do Reino Unido vai iniciar na segunda-feira uma operação que visa deter e deportar para o Ruanda os requerentes de asilo, segundo noticia hoje o jornal britânico The Guardian.

© Facebook/Rishi Sunak

 

O plano do Governo britânico que permite deportar requerentes de asilo para o Ruanda tinha sido assinado na quinta-feira pelo rei Carlos III, o que permitirá a organização dos voos de repatriação, ainda que pendentes de possíveis recursos judiciais.

Este processo gerou um longo e turbulento debate parlamentar em que os ‘conservadores’ fizeram valer a sua maioria na Câmara dos Comuns para fazer cair alterações em assuntos chave.

Segundo a edição de hoje do jornal The Guardian, as autoridades britânicas pretendem, a partir de segunda-feira, deter refugiados que compareçam para reuniões de rotina em serviços de imigração ou para garantias de fiança.

Face a esta situação, organizações de defesa dos refugiados e também advogados perspetivaram que estas detenções podem originar prolongadas batalhas jurídicas, protestos comunitários e confrontos com a polícia.

“O Governo está determinado a prosseguir, de forma imprudente, o seu plano desumano em relação ao Ruanda, apesar do caos e da miséria humana que irá originar”, afirmou o chefe executivo do Conselho de Refugiados, Enver Solomon, citado pelo The Guardian.

Os detidos vão ser imediatamente transferidos para centros de detenção, já preparados para este efeito, onde permanecerão até que sejam colocados em aviões com destino ao Ruanda.

O Ministério da Administração Interna britânico considera que esta nova lei, que classifica o Ruanda como um país seguro, será essencial para “combater a migração ilegal e parar os barcos” no Canal da Mancha, onde esta semana cinco pessoas perderam a vida.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Rishi Sunak, estimou esta semana que o primeiro voo ocorrerá dentro de 10 ou 12 semanas.

O início desta operação de detenção, que chega umas semanas antes do previsto, coincide com as eleições para as autarquias, que se realizam na quinta-feira, nas quais os conservadores correm o risco de perder até metade dos lugares que ocupam atualmente.

O Supremo Tribunal britânico já derrubou um plano anterior para realizar estas transferências e os ativistas anunciaram que irão recorrer novamente aos tribunais para bloqueá-las mais uma vez.

O caso provavelmente chegará ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos que, em junho de 2022, impediu ‘in extremis’ a primeira deportação para o Ruanda.

Entretanto, o Governo irlandês indicou hoje que quer legislar com urgência para poder enviar de volta migrantes para o Reino Unido, confrontado com um afluxo do país vizinho na sequência da política britânica de expulsões para o Ruanda.

Segundo o Governo irlandês, 80% das chegadas recentes de estrangeiros ilegais são feitas através da fronteira terrestre, aberta ao abrigo do acordo de paz de 1998, entre a província britânica da Irlanda do Norte e a República da Irlanda.

Segundo o meio público irlandês RTE, citando um porta-voz do primeiro-ministro, Simon Harris (centrista), o governante terá pedido à sua ministra da Justiça que apresentasse propostas na próxima semana para alterar a lei atual relativa à designação de países terceiros seguros e permitir o reenvio para o Reino Unido de requerentes que não sejam elegíveis para proteção internacional.

O país de cinco milhões de habitantes, membro da União Europeia, tem sido atormentado nos últimos meses por tensões crescentes sobre o alojamento de migrantes, com um aumento de manifestações hostis, por vezes pontuadas por incidentes.

Últimas do Mundo

A Polónia vai dedicar à ciberdefesa "o maior orçamento da história" do país depois de um ciber-ataque na quarta-feira atribuído a grupos ligados à Rússia e Bielorrússia.
O secretário-geral da NATO assegurou hoje que a "parte europeia" da Aliança Atlântica está a "fazer o maior investimento em defesa desde a Segunda Guerra Mundial", considerando a despesa necessária para fazer face a ameaças duradouras.
O Governo da Hungria anunciou hoje a decisão de se retirar do Tribunal Penal Internacional (TPI), disse o ministro do Interior de Budapeste, Gergely Gulyás, pouco antes da chegada do primeiro-ministro de Israel ao país.
Quase 80 pessoas foram detidas no âmbito de uma operação internacional que desmantelou uma plataforma online de pornografia infantil e que tinha mais de 1,8 milhões de utilizadores em todo o mundo, anunciaram hoje as autoridades alemãs.
A Comissão Europeia abriu hoje as candidaturas para um novo ciclo do programa DiscoverEU, que disponibiliza quase 36 mil bilhetes de comboio a jovens de 18 anos em toda a Europa, terminando o prazo no dia 16.
A Comissão Europeia aplicou hoje multas de 458 milhões de euros a ‘gigantes’ do setor automóvel, como BMW, Toyota e Volkswagen, e à associação europeia por cartel na reciclagem de veículos em fim de vida denunciado pela Mercedes-Benz.
Três pessoas suspeitas de estarem ligadas ao grupo islamita libanês Hezbollah foram detidas hoje em Barcelona, Espanha, numa operação antiterrorista internacional, revelaram fontes judiciais e policiais espanholas a meios de comunicação social locais.
A Ucrânia não registou qualquer ataque de drones russos durante a noite, pela primeira vez desde que foi anunciado um acordo destinado a proibir os ataques a instalações energéticas, disseram hoje as autoridades de Kiev.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, apelou hoje à comunidade internacional para que se una para "eliminar de uma vez por todas as redes de tráfico humano", durante uma cimeira em Londres com 40 países representados.
Um acordo para acabar com os subsídios prejudiciais à pesca poderá ser alcançado ainda antes da Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, agendada para junho em Nice, disse o enviado especial da ONU para os oceanos.