Advogado diz que processos judiciais de imigrantes são única solução perante falta de resposta

O advogado José Augusto Schwalbach considera que o acréscimo de processos sobre imigrantes na justiça portuguesa resulta da falta de resposta das autoridades competentes e são o último recurso disponível para tentarem a regularização.

© D.R

Comentando as declarações da presidente do Supremo Tribunal Administrativo (STA), Dulce Neto, que indicou a entrada diária de uma centena de processos de intimação de pedidos de imigrantes para autorização ou renovação de residência, José Augusto Schwalbach afirmou que há uma “política de desrespeito para com todos os cidadãos estrangeiros que vieram para o país trabalhar e em busca de melhores condições de vida e que agora se encontram reféns do próprio Estado Português”, com uma “máquina pesada que compromete a análise dos processos em tempo útil”.

O recurso “à via judicial não é feita, pelos cidadãos imigrantes de ânimo leve pois que muitos receiam, por desconhecimento, intentar uma ação contra o Estado”, afirmou o advogado, ele próprio autor de muitas ações, porque a única solução que existe, perante o impasse, é “a propositura de intimações junto do tribunal administrativo”, mas o recurso a esse tipo de procedimentos “não deveria ser a regra”.

Segundo a juíza Dulce Neto, o “problema é dramático, é um problema de direitos humanos, é um problema de uma crueldade absoluta e que tem de ser resolvido com urgência”, durante uma intervenção, divulgada hoje, na Advocatus Summit, organizada pelo jornal Eco.

Para José Augusto Schwalbach, a recém-criada Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), “compromete todo o sistema pela sua inércia” e “são dadas justificações de faltas de vagas para agendamentos, faltas de comunicação” entre instituições ou “excesso de pendência processual”.

No entanto, segundo o causídico, a “justificação prende-se apenas com uma transição atabalhoada” entre o antigo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e a AIMA, gerando vários problemas.

“Este grito de alerta da presidente do STA é a gota de água, numa situação efetivamente dramática para todos aqueles que decidiram vir há anos para o nosso país, que contribuem para o nosso sistema de Segurança Social, que aqui já têm filhos, e que ficam impedidos de ir ao médico, comprar casa ou sequer visitar o seu país de origem”, porque não podem “voltar a entrar em Espaço Schengen sem documento válido”.

A 31 de março, estavam pendentes 1.465 processos, mas o número ultrapassa agora os 3.200 processos e a situação deverá agravar-se, segundo a presidente do STA, evocando o facto de existirem 350 mil casos pendentes.

Perante o cenário, a juíza conselheira alerta que o Tribunal Administrativo de Lisboa corre o risco de “ficar absolutamente congestionado e paralisado com este tipo de processos de caráter muito urgente”.

Últimas do País

Os proprietários de imóveis com um IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) superior a 100 euros têm até hoje para pagar a última prestação deste imposto.
O preço da farinha e do açúcar tem vindo a baixar desde o início do ano, mas o valor dos ovos deverá encarecer os doces de Natal, ao registar, desde o início do ano, um aumento de quase 32%.
Cerca de 20% das 2.331 vagas abertas para os novos médicos escolherem a especialidade ficaram por preencher, anunciou hoje a Federação Nacional dos Médicos (FNAM), alertando para a incapacidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS) em fixar esses profissionais.
O Banco Alimentar Contra a Fome (BA) começa hoje uma nova campanha de recolha de alimentos, em 2 mil lojas e com a ajuda de mais de 41 mil voluntários, apelando “à partilha de alimentos com quem mais precisa”.
A TAP está a atualizar o ‘software’ de controle de voo dos seus aviões A320, após problemas detetados pela Airbus, mas com “impacto reduzido” na operação e sem necessidade de cancelamentos, avançou hoje à Lusa fonte oficial da companhia.
O médico Miguel Alpalhão, que recebeu mais de 700 mil euros em três anos de cirurgias adicionais no Hospital de Santa Maria (Lisboa), foi suspenso de funções com perda total de vencimento.
Os maiores aumentos registaram-se entre mulheres asiáticas, sobretudo oriundas do Bangladesh, que ocupou o segundo lugar no número de episódios nos dois anos analisados.
Um bebé de apenas um ano deixou de respirar nos braços do pai, em Loures, mas a tragédia foi evitada por um agente da PSP que, em poucos segundos, conseguiu reanimá-lo.
O Governo decidiu que a solução para os problemas da saúde não passa por mais médicos, mais recursos ou menos burocracia, passa por criar um novo cargo. As Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) vão ganhar vice-presidentes especializados em Saúde, num movimento que promete revolucionar tudo… exceto o que realmente precisa de ser revolucionado.
O mês passado foi o segundo outubro mais quente em Portugal continental desde 1931, tendo sido muito quente e seco, segundo o mais recente boletim climatológico mensal do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) hoje divulgado.