Juiz britânico diz que Estado de direito em perigo em Hong Kong, Governo rejeita

O Governo de Hong Kong rejeitou hoje as críticas de um juiz britânico, que, após abandonar o tribunal superior da região, avisou que o Estado de direito está “em perigo” face à pressão da China.

© D.R.

 

Num artigo de opinião publicado na segunda-feira no jornal Financial Times, Jonathan Sumption defendeu que “já não era realista” que juízes estrangeiros permanecessem no Tribunal de Última Instância de Hong Kong.

“Intimidados ou convencidos pela atmosfera política sombria, muitos juízes perderam de vista o seu papel tradicional como defensores da liberdade do indivíduo”, escreveu o magistrado de 75 anos, que apresentou a demissão a 06 de junho.

“Hong Kong, que já foi uma comunidade vibrante e politicamente diversificada, está lentamente a tornar-se num Estado totalitário”, disse Sumption, acrescentando que os juízes foram apanhados “num ambiente político impossível criado pela China”.

“O Estado de direito está profundamente comprometido em todas as áreas com as quais o Governo se preocupa”, acrescentou o magistrado.

Sumption mencionou ainda a crescente “paranoia das autoridades” e lamentou que “o menor sinal de dissidência seja tratado como um apelo à revolução”.

Num comunicado divulgado hoje, o executivo da região acusou o britânico de “traição aos juízes de Hong Kong” e defendeu que “as ameaças reais” à independência da justiça são as “tentativas flagrantes” de interferência vindas do estrangeiro.

O Governo alegou também que, ao contrário do que escreveu Jonathan Sumption, as leis existentes não eram “perfeitamente adequadas” para lidar com os protestos pródemocracia de 2019.

As autoridades defenderam que a lei de segurança nacional, imposta por Pequim em 2020 e que tornou praticamente ilegal qualquer dissidência política, era necessária para combater “o conluio com países estrangeiros ou forças externas”.

Pelo contrário, o governo de Hong Kong agradeceu à juíza canadiana Beverley McLachlin pela “avaliação objetiva” do estado de Direito na região administrativa especial chinesa.

“Continuo a ter confiança nos membros do Tribunal, na sua independência e na sua determinação em defender o Estado de direito”, disse McLachlin, de 80 anos, que anunciou na segunda-feira a demissão do Tribunal de Última Instância de Hong Kong.

O Governo garantiu hoje que a justiça permanece independente e que os cidadãos continuam a gozar de liberdades fundamentais, incluindo de expressão, imprensa e manifestação.

Na semana passada, o grupo de defesa dos direitos humanos Hong Kong Watch disse à Lusa que a região tem visto “um número crescente de presos políticos, a diminuição da independência judicial e a violação das obrigações legais internacionais”.

Sete juízes estrangeiros não permanentes (três do Reino Unido e quatro da Austrália) desempenham atualmente funções no tribunal superior de Hong Kong, que conta também com o lusodescendente Roberto Ribeiro.

Últimas do Mundo

Dezasseis membros de uma rede de prostituição chinesa foram detidos e 26 mulheres exploradas sexualmente foram libertadas em Espanha, declararam hoje as autoridades locais.
O Parlamento Europeu aprovou ontem a sua posição sobre a polémica proposta conhecida como 'Chat Control'. Contudo, o texto acabou por sofrer alterações graças a propostas apresentadas pelo grupo Patriots for Europe, onde se integram os eurodeputados do CHEGA.
As autoridades da autonomia espanhola da Andaluzia indicaram hoje que há 19 pessoas desaparecidas no incêndio em Los Gallardos, Almeria, que causou pelo menos 12 mortos e oito feridos.
O número de cidadãos portugueses e lusodescendentes que morreram no duplo sismo que atingiu a Venezuela em 24 de junho aumentou para 104 e há 57 desaparecidos, anunciou hoje o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE).
O mês de junho foi o mais quente de que há registo na Europa Ocidental e o segundo mais quente no mundo, tendo em conta as temperaturas registadas em terra e no mar, indicou hoje o Serviço Copernicus.
Uma em cada cinco pessoas pode vir a ter cancro ao longo da vida, estima a Organização Mundial da Saúde (OMS) num relatório sobre a doença que atingiu mais de 20 milhões de pessoas em 2024.
Um médico alemão de cuidados paliativos foi hoje condenado a prisão perpétua pelo homicídio de 15 pacientes com grandes doses de sedativos, sendo suspeito de inúmeros outros assassinatos, anunciou um tribunal de Berlim.
Adolescente imigrante atraiu a vítima, de 13 anos, para um parque e esfaqueou-a mortalmente. Tribunal rejeitou a tese de legítima defesa e condenou o jovem à pena máxima prevista para menores.
O número de cidadãos portugueses e lusodescendentes que morreram no duplo sismo que atingiu a Venezuela há uma semana subiu para 96 e registam-se 60 portugueses desaparecidos, anunciou hoje o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE).
A Polícia Judiciária (PJ) deteve três suspeitos e identificou oito vítimas numa operação internacional de combate ao tráfico humano e exploração sexual, que fez mais de mil detidos em 59 países.