Ex-presidente do INEM diz que visto do tribunal a helicópteros prova “quem disse a verdade”

O ex-presidente do INEM Luis Meira considerou hoje que a decisão do Tribunal de Contas de conceder visto ao contrato por ajuste direto dos helicópteros de emergência médica prova "quem disse a verdade".

© Facebook / INEM

Numa declaração escrita enviada à Lusa, em reação à decisão anunciada na terça-feira pelo Tribunal de Contas de conceder visto ao contrato de um ano com a empresa Avincis, Luis Meira entende ainda que esta decisão vem confirmar que o anterior conselho de administração foi forçado a “tomar uma decisão muito difícil e teve a coragem que faltou à senhora ministra da Saúde”.

“Também deixa claro quem disse a verdade”, escreve Luis Meira, que se demitiu do cargo na sequência da polémica sobre este contrato feito por ajuste direto, no valor de 12 milhões de euros.

Na posição divulgada na terça-feira, o Tribunal de Contas deixou ainda alguns recados à tutela para atribuir as verbas necessárias ao INEM para que o instituto possa levar a cabo o concurso público exigido, uma vez que no concurso lançado anteriormente todas as propostas ultrapassavam o valor máximo estipulado.

Na decisão divulgada na terça-feira, o Tribunal de Contas dá o visto ao contrato e iliba o INEM de responsabilidades neste processo, avisando o Ministério da Saúde para assegurar no futuro as condições financeiras necessárias ao instituto para abrir um concurso com o preço em linha com os valores que são praticados no mercado.

“Adverte-se a tutela que, se não o fizer, está, de forma indireta, a violar, ilegalmente, o princípio da concorrência, princípio esse que é estruturante da contratação pública e da tutela do interesse financeiro do Estado”, pode ler-se na decisão, que foi também comunicada ao gabinete da ministra da Saúde, Ana Paula Martins.

O INEM e o Ministério da Saúde entraram em choque devido a este tema no final de junho. O instituto acusou a tutela de negligência na questão da contratação do serviço dos helicópteros e o então presidente, Luís Meira, apresentou a demissão por “quebra de confiança”.

Quando foi ouvido na Comissão Parlamentar de Saúde sobre esta matéria, em julho, Luís Meira disse que apresentou à tutela duas propostas para refazer a Resolução de Conselho de Ministros (RCM) de 2023 que definia um valor para o serviço, ambas com valores mais elevados.

Esta informação surge depois de o Ministério da Saúde ter dito, no final de junho, em comunicado, que o instituto “nunca apresentou uma solução” ao abrigo da RCM de outubro de 2023 que autoriza a despesa relativa ao lançamento de um novo concurso público para o período 2024-2028.

“A proposta das duas RCM era para que uma eventual abertura do novo concurso fosse feita com um mínimo de condições de sucesso”, explicou na altura o responsável, em declarações à Lusa, acrescentando: “Fazer a mesma coisa duas vezes e esperar resultados diferentes é uma loucura”.

Também em declarações à Lusa na altura, referindo-se à sugestão da tutela de, em vez de renovar o ajuste direto feito em janeiro e que durava até final de junho, cumprir o serviço de transporte aéreo de doentes com apoio da Força Aérea e dois outros helicópteros privados, Luis Meira disse que quando o INEM foi forçado, no início do ano, a reduzir o serviço de helicópteros durante a noite, contactou a Força Aérea, que disse não ter meios para poder garantir a resposta necessária.

“A resposta foi ‘não me meta nesse filme’ porque depois perguntam-me com que helicópteros e pilotos e eu não tenho, nem uns, nem outros”, contou à Lusa, referindo-se a uma conversa tida com o chefe de Estado Maior da Força Aérea.

“Isto foi poucos dias antes do início deste ano. Portanto, há coisa de seis meses. Não vejo o que é que possa ter mudado.”, acrescentou.

Últimas do País

O presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH) reconheceu hoje que o aumento do número de utentes, devido à imigração, coloca sobre o SNS uma pressão acrescida, mas não justifica, por si, a falta de médicos de família.
A Europa enfrenta esta semana uma nova onda de calor que obriga vários países a tomar medidas, como o encerramento de escolas, com temperaturas a atingir os 42º C (graus Celsius).
Homem é suspeito da prática de dois crimes de roubo, dois de extorsão, oito de extorsão na forma tentada, um de ofensas à integridade física simples, dois de ameaças agravadas, um de ameaças e outro de detenção de arma proibida. Foi detido em Moura.
A associação dos Produtores de Leite de Portugal (APROLEP) mostrou-se hoje preocupada com a situação do setor, seja pela falta de apoios após a guerra no Irão, a importação vinda da Europa ou a "guerra de preços" nos hipermercados.
Homem de 28 anos vivia em situação irregular em Portugal desde 2021. Foi intercetado pela PSP com uma arma proibida na mochila e admitiu transportá-la diariamente para se proteger.
Dois homens foram detidos pela PSP em Coimbra e Leiria ao abrigo de mandados internacionais emitidos pelo Brasil. Suspeitos são acusados de burla e fraude comercial que terá causado prejuízos superiores a 168 mil euros.
Dois cidadãos estrangeiros, naturais do Kuwait, foram detidos no Aeroporto da Madeira quando tentavam embarcar para Manchester com documentos que levantaram suspeitas às autoridades. O caso junta-se a uma lista crescente de detenções por fraude documental registadas este ano.
Entre os dias 13 e 19 de junho, a Polícia de Segurança Pública (PSP) deteve 37 suspeitos por furtos, roubos e burlas e 59 por tráfico de estupefacientes, tendo sido apreendidas 13 968 doses individuais de droga.
O ex-ministro dos Transportes de Espanha José Luis Ábalos foi hoje condenado a 23 anos e três meses de prisão por corrupção em contratos públicos para compra de máscaras na pandemia.
Portugal ultrapassou os 11,4 milhões de habitantes, com a população estrangeira a mais do que duplicar. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, em apenas quatro anos, os imigrantes representam 14% dos residentes no país.