Associação defende revisão da lei que define pessoal necessário nos cuidados continuados

A Associação Nacional dos Cuidados Continuados (ANCC) defende a revisão da lei que define o pessoal necessário para o funcionamento destas instituições, pois prevê menos pessoas do que as unidades precisam para prestar o serviço.

© D.R.

“Há dois tipos de situação, uma é, face ao quadro legal em vigor, na prática, aqueles profissionais que lá estão não são suficientes, nomeadamente ao nível de enfermagem e auxiliares de ação médica. Há ainda o quadro de recursos humanos absolutamente necessário para o funcionamento da unidade e que não está na legislação, nomeadamente pessoal administrativo, da receção e da limpeza”, explicou à Lusa o presidente da ANCC, José Bourdain.

O responsável sublinhou que “nenhuma unidade destas funciona sem que haja pessoal para fazer a limpeza, sobretudo numa unidade de saúde, onde a limpeza é extremamente importante”.

Num estudo elaborado a pedido da ANCC, a Faculdade de Economia da Universidade do Porto conclui que, em termos de recursos humanos, os dados “evidenciam que o número e as categorias profissionais recomendados pela Portaria 174/2014, de 10 de setembro, para garantir adequadas condições de funcionamento nas diferentes respostas, são manifestamente insuficientes, nomeadamente ao nível de pessoal auxiliar e enfermeiros”.

Adicionalmente, “não contempla algumas categorias profissionais essenciais ao funcionamento das instituições, como técnicos de manutenção, pessoal de cozinha, pessoal de limpeza, técnicos administrativos ou técnicos de recursos humanos”, refere o documento.

“Estamos a falar também de pessoal de cozinha, de pessoal que trabalha nas lavandarias e também de um farmacêutico, que é uma exigência do Infarmed, mas não é uma exigência da Rede de Cuidados Continuados”, explicou José Bourdain.

Dando o exemplo da unidade que dirige – a CERCITOP, em Sintra – Bourdain afirmou: “para 60 utentes, eu tenho mais 17 trabalhadores do que devia face ao previsto na legislação”.

“Isto representa 30.000 euros por mês de encargos com salários a mais do que seria suposto face ao quadro legal”, constatou.

O estudo da Faculdade de Economia do Porto, a que a Lusa teve acesso, refere que a rubrica mais influente no custo por utente/dia é precisamente a dos custos com pessoal, representando entre 61%, nas Unidades de Longa Duração e Manjutenção (ULDM), e 71%, nas Unidades de Convalescença (UC).

“Os dados mostram que os recursos humanos [previstos na legislação] são insuficientes para os cuidados necessários”, sublinham os especialistas, acrescentando: ”Além disso, algumas instituições enfrentam custos adicionais, equivalentes a 15 meses de salário por ano, para cobrir substituições durante férias”.

Face a esta situação, que representa um garrote para muitas unidades de cuidados continuados, a ANCC desafia o Governo a estudar a tipologia dos doentes que estas instituições acolhem, o quadro de recursos humanos necessários e quanto custa uma diária nos cuidados continuados. “Depois, o Estado deve pagar consoante esses custos”, defendeu José Bourdain.

“Por um lado, para que não haja subfinanciamento e, por outro lado, para que também que não nos acusem de estarmos a receber mais dinheiro e de estarmos a enriquecer à conta do dinheiro dos impostos dos portugueses”, acrescentou.

O trabalho da Faculdade de Economia do Porto conclui ainda que, nos últimos três anos, os custos com pessoal nestas instituições subiram entre 9% a 13% – consoante o tipo de unidades (convalescença, média duração e reabilitação ou longa duração e manutenção).

José Bourdain exigiu igualmente que a diária seja paga em função de um quadro de recursos humanos que tenha um salário idêntico ao praticado na função pública. “Dou o exemplo da profissão da ministra da saúde: um farmacêutico na administração pública ganha 1.780 euros e no setor social ganha 1.160”.

Últimas do País

O Ministério da Educação registou até agora 15 mil pedidos de reapreciação de prova, mais do dobro dos 6.200 pedidos registados na primeira fase do ano passado, anunciou hoje o ministro.
Um homem de 31 anos suspeito de ter matado um primo, de 52, no concelho de Ansião, no domingo à noite, foi detido, disse hoje fonte do Comando Territorial de Leiria da Guarda Nacional Republicana (GNR).
Suspeito de 34 anos agrediu violentamente uma jovem antes de enfrentar os agentes chamados à ocorrência. Acabou algemado e detido.
Investigação da Polícia Judiciária (PJ) nasceu de uma denúncia com alegadas provas de fugas de informação antes da divulgação oficial das nomeações. Mensagens, áudios e registos de chamadas integram o processo que envolve responsáveis da arbitragem.
Cerca de 170 alunos do ensino secundário ainda não conheciam no domingo à noite a sua nota na primeira fase dos exames nacionais, anunciou hoje o ministro da Educação.
Um incêndio que deflagrou hoje no concelho de Almeirim estava cerca das 15:30 a ser combatido por 156 operacionais com a ajuda de cinco meios aéreos e 46 viaturas, disse à Lusa fonte da Proteção Civil.
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) fiscalizou 98 estabelecimentos de restauração em estações de comboios e nos terminais rodoviários e instaurou dois processos-crime tendo suspendido a atividade de um operador.
Quase quatro em cada 10 crianças entre os cinco e os 14 anos têm excesso de peso ou obesidade em Portugal e 44,7% consomem regularmente refeições rápidas, alimentos ultraprocessados ou refrigerantes, segundo dados hoje divulgados pelo INE.
Um homem, de 26 anos, suspeito de ter maltratado física e psicologicamente a ex-companheira e os seus irmãos, em Vendas Novas, distrito de Évora, foi detido pela GNR e ficou em prisão preventiva, foi hoje divulgado.
Quatro detidos numa operação da Polícia Judiciária que travou uma alegada rede de tráfico de droga. Grupo recrutava pessoas com dependências para transportar haxixe de Marrocos no interior do corpo. Três suspeitos ficaram em prisão preventiva.