Organizações pedem a Governo venezuelano libertação de presos políticos

Várias organizações não governamentais (ONG) saudaram a libertação, no sábado, de pelo menos 70 das 2.400 pessoas detidas após as eleições presidenciais de julho e pediram ao Governo venezuelano que liberte todos os outros presos políticos.

© Instagram Maria Corina Machado

“Nenhum deles deveria estar atrás das grades. Todos merecem a liberdade. Estamos satisfeitos por alguns estarem a ser libertados e poderem finalmente abraçar as suas famílias”, escreveu a presidente da ONG Encontro Cidadão na rede social X.

Delsa Solórzano sublinhou que as libertações “não apagam a dor que sofreram e muito menos o próprio facto de estarem injustamente presos” e que “haverá justiça na Venezuela quando não houver um único preso político”.

Por outro lado, a ONG Justiça Encontro e Perdão (JEP) apelou “às autoridades para libertarem todos os presos políticos de todas as prisões”.

“Eles e as suas famílias aguardam o restabelecimento das suas vidas, especialmente os adolescentes, as mulheres e as pessoas com doenças crónicas e condições de saúde delicadas, assim como dos que cumpriram as suas penas e ainda não foram libertados”, lê-se na mensagem da JEP publicada na X.

Na mesma rede social, o coordenador-geral do Programa Venezuela de Educação e Ação em Direitos Humanos (PROVEA), Óscar Murillo, sublinhou que as libertações “confirmam a motivação política das detenções” e que põem fim à detenção arbitrária e às condições inumanas em que estiveram detidos.

“O regresso às suas casas é um alívio no meio de tanto sofrimento. Continuemos a exigir a liberdade para todos e um Natal sem prisões políticas. O exercício legítimo das liberdades fundamentais de expressão, reunião e associação, bem como a defesa dos direitos humanos, não é um crime”, escreveu na X.

Pelo menos 70 presos políticos venezuelanos foram libertados, no sábado, de três prisões pelas autoridades da Venezuela, confirmaram várias ONG.

As libertações tiveram lugar um dia depois de o Ministério Público anunciar que iria rever os casos de 225 das 2.400 pessoas que foram detidas na sequência de protestos contra os resultados das eleições presidenciais de 28 julho em que Nicolás Maduro foi declarado reeleito, e que a oposição contesta.

“Até agora, foram libertados pelo menos 70 presos políticos”, anunciou a ONG Fórum Penal (FP) na X, precisando tratar-se de cidadãos que estavam nos centros de detenção masculinos de Yare 3, Tocorón, Tocuyito e no Centro de Formação para Processadas Femininas La Crisálida.

Segundo Alfredo Romero, diretor do FP, entre os libertados estão 50 jovens adultos de Tocorón, prisão onde estão mais de 900 políticos que foram detidos após as presidenciais.

Nas redes sociais venezuelanas têm sido divulgadas fotos e vídeos do momento em que os presos se reencontram com familiares, mas sem quaisquer declarações aos jornalistas.

Em 12 de novembro, o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pediu às autoridades locais para reverem os processos judiciais de adolescentes detidos nos protestos pós-eleições presidenciais de 28 de julho, admitindo que pode ter ocorrido algum tipo de erro procedimental.

Segundo o Fórum Penal, até terça-feira estavam detidas 1.963 pessoas por motivos políticos na Venezuela, entre elas 69 adolescentes, desde 29 de julho, quando começaram os protestos.

A Venezuela realizou eleições presidenciais em 28 de julho, após as quais o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) atribuiu a vitória a Nicólas Maduro, com pouco mais de 51% dos votos, enquanto a oposição afirma que o seu candidato, o antigo diplomata Edmundo González Urrutia obteve quase 70% dos votos.

Últimas do Mundo

Dezasseis membros de uma rede de prostituição chinesa foram detidos e 26 mulheres exploradas sexualmente foram libertadas em Espanha, declararam hoje as autoridades locais.
O Parlamento Europeu aprovou ontem a sua posição sobre a polémica proposta conhecida como 'Chat Control'. Contudo, o texto acabou por sofrer alterações graças a propostas apresentadas pelo grupo Patriots for Europe, onde se integram os eurodeputados do CHEGA.
As autoridades da autonomia espanhola da Andaluzia indicaram hoje que há 19 pessoas desaparecidas no incêndio em Los Gallardos, Almeria, que causou pelo menos 12 mortos e oito feridos.
O número de cidadãos portugueses e lusodescendentes que morreram no duplo sismo que atingiu a Venezuela em 24 de junho aumentou para 104 e há 57 desaparecidos, anunciou hoje o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE).
O mês de junho foi o mais quente de que há registo na Europa Ocidental e o segundo mais quente no mundo, tendo em conta as temperaturas registadas em terra e no mar, indicou hoje o Serviço Copernicus.
Uma em cada cinco pessoas pode vir a ter cancro ao longo da vida, estima a Organização Mundial da Saúde (OMS) num relatório sobre a doença que atingiu mais de 20 milhões de pessoas em 2024.
Um médico alemão de cuidados paliativos foi hoje condenado a prisão perpétua pelo homicídio de 15 pacientes com grandes doses de sedativos, sendo suspeito de inúmeros outros assassinatos, anunciou um tribunal de Berlim.
Adolescente imigrante atraiu a vítima, de 13 anos, para um parque e esfaqueou-a mortalmente. Tribunal rejeitou a tese de legítima defesa e condenou o jovem à pena máxima prevista para menores.
O número de cidadãos portugueses e lusodescendentes que morreram no duplo sismo que atingiu a Venezuela há uma semana subiu para 96 e registam-se 60 portugueses desaparecidos, anunciou hoje o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE).
A Polícia Judiciária (PJ) deteve três suspeitos e identificou oito vítimas numa operação internacional de combate ao tráfico humano e exploração sexual, que fez mais de mil detidos em 59 países.