Esforços de Xi Jinping para centralizar poder trouxeram maior repressão na China

Os esforços do líder chinês, Xi Jinping, para centralizar o poder resultaram no aumento da repressão em todo o país, com impacto mais severo nas regiões do Tibete e Xinjiang, afirmou hoje a organização Observatório dos Direitos Humanos (ODH).

©Facebook/XiJinping

“Não existe sociedade civil independente, liberdade de expressão, associação, reunião ou religião. Os defensores dos direitos humanos e outros críticos do governo são perseguidos”, afirmou a organização não-governamental, sobre os desenvolvimentos na China, no seu relatório anual.

A ONG destacou a repressão “particularmente severa” das minorias étnicas tibetena e uigur, vistas por Pequim como uma ameaça.

Em 2016, o Presidente chinês, Xi Jinping, apelou à “sinização” das religiões, dando início a uma campanha repressiva que se concentrou na região de Xinjiang, onde vivem mais de 11 milhões de uigures e outros membros de minorias étnicas de origem muçulmana.

Um relatório das Nações Unidas, difundido em 2022, concluiu que a China poderá ter cometido “crimes contra a Humanidade” em Xinjiang, nomeadamente ao criar uma rede de campos de doutrinação extrajudiciais que albergaram pelo menos um milhão de uigures, huis, cazaques e quirguizes.

O ODH destacou também o controlo exercido pelo Governo chinês sobre os principais canais de informação, incluindo televisão, rádio ou jornais e a existência do ‘Grande Firewall da China’ – um trocadilho com a Grande Muralha, o principal ex-líbris do país — que isola o ecossistema digital do país do exterior. Isto torna inacessível na China plataformas como o YouTube, redes sociais como Instagram ou Facebook, e dezenas de órgãos de comunicação estrangeiros.

“Temas anteriormente tolerados passaram a ser proibidos. Com a economia chinesa em dificuldades, o governo proibiu discussões sobre as suas políticas económicas e penalizou aqueles que as criticam”, explicou a organização.

O relatório citou o caso de Zhu Hengpeng, um economista da Academia Chinesa de Ciências Sociais que foi detido e investigado, em abril passado, após comentários depreciativos sobre as políticas económicas de Xi num grupo privado na rede social WeChat.

“As autoridades continuaram a atualizar o regime de censura e vigilância do país para reforçar o controlo”, descreveu a organização.

A entrada em vigor da Lei dos Segredos de Estado e da Lei de Contraespionagem, que passaram a proibir a transferência de qualquer informação relacionada com a segurança nacional e alargaram a definição de espionagem, suscitaram preocupação entre empresas de consultadoria e investidores estrangeiros, face aos termos vagos da legislação.

A organização denunciou também as “implicações internacionais” dos esforços do Governo chinês para controlar a informação, à medida que “tem como alvo críticos da China que se exilaram e cidadãos estrangeiros fora do país”.

Em agosto, pessoas ligadas ao Governo chinês intimidaram e agrediram manifestantes chineses de Hong Kong e do Tibete durante a visita de Xi a São Francisco, nos Estados Unidos, apontou a organização.

No âmbito da liberdade religiosa, a organização destacou o esforço das autoridades para “promover a fidelidade ao Partido [Comunista] e a Xi Jinping”.

“A polícia prende, detém e assedia regularmente líderes e membros de vários grupos religiosos ilegais, incluindo as congregações católicas e protestantes que se recusam a aderir às igrejas oficiais, e perturba as suas atividades pacíficas”, descreveu.

As manifestações católicas no país, por exemplo, são apenas permitidas no âmbito da Associação Patriótica Católica Chinesa, a igreja aprovada pelo Partido Comunista Chinês e independente do Vaticano. Os católicos do país funcionam assim “independentes” de forças externas e “promovem o socialismo e patriotismo através da religião”, segundo a linguagem do Partido.

No entanto, existe também a igreja clandestina, que tem uma estrutura própria e mantém obediência ao Vaticano, sofrendo perseguição por parte do regime.

“Ao longo de 2024, indivíduos [ligados a congregações clandestinas] foram acusados e condenados por crimes fabricados (…) como ‘incitamento à subversão’ e ‘fraude'”, explicou a ONG.

Últimas do Mundo

Bombeiros na região central de Espanha de Castela‑La Mancha lutavam ainda na quarta‑feira para controlar um incêndio florestal que já devastou mais de 32.000 hectares, um dos maiores de sempre no país.
Quatro ex-funcionários de uma das empresas de abastecimento de água britânicas foram acusados de manipular e falsificar controlos sobre a qualidade da água, anunciou hoje a agência do ambiente.
Um tribunal indonésio condenou hoje 18 mulheres e um homem a penas de prisão até seis anos pelo envolvimento numa rede de tráfico de bebés para Singapura.
O duplo sismo que abalou a Venezuela em 24 de junho causou a morte a 121 portugueses e lusodescendentes, de acordo com o mais recente balanço avançado hoje pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros português.
O Ministério Público de Munique, na Alemanha, acusou hoje um jovem de 15 anos de planear um ataque com explosivos, afirmando que o seu principal alvo era uma sinagoga.
A Comissão Europeia multou hoje a chinesa AliExpress em 550 milhões de euros por falhas na avaliação e redução do risco de venda de produtos ilegais, inseguros ou contrafeitos na sua plataforma de comércio eletrónico.
Jamey Carney, conhecida pelo apoio à causa palestiniana e aos direitos dos migrantes, foi encontrada morta na Irlanda. O principal suspeito é o companheiro, que abandonou o país e acabou detido na Jordânia.
O duplo sismo que abalou a Venezuela em 24 de junho causou a morte a 119 portugueses e lusodescendentes, de acordo com o mais recente balanço avançado hoje pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português.
Os incêndios em França, incluindo na histórica floresta de Fontainebleau, a menos de 100 quilómetros de Paris, levaram à detenção de 30 adultos e 29 menores, informou o ministro do Interior.
Há mais de uma década que a União Europeia (UE) regista mais mortes do que nascimentos. Ainda assim, a população continua a crescer porque entram mais pessoas do que aquelas que abandonam o espaço europeu.