Falta de financiamento adia inclusão de 24 mil pessoas com deficiência

Quase 24 mil pessoas com deficiência têm adiada desde 2021 a sua inclusão no mercado de trabalho e na vida social, devido à falta de financiamento pelo Governo dos Centros de Atividades e Capacitação para a Inclusão (CACI).

© D.R.

A revelação foi feita hoje à Lusa pela professora adjunta da Escola Superior Educação do Instituto Politécnico do Porto, Mónica Silveira Maia, no âmbito das Jornadas CACI que decorrerão na quinta-feira e na sexta-feira naquele instituto.

As razões para o adiamento, explicou, decorrem das decisões do anterior e do atual governo, sendo que o primeiro publicou uma portaria em 2021, indicando que as “instituições devem apostar muito mais na inclusão destes adultos na comunidade, deixando de funcionar um sistema de institucionalização” e que envolvia “uma reformulação dos edifícios e, sobretudo, uma reformulação dos recursos humanos”.

O problema é que a legislação não foi acompanhada de financiamento, lamentou a docente, o mesmo acontecendo recentemente quando o atual governo, a 20 de janeiro, adiou a implementação da portaria para até 31 de dezembro de 2025.

“Atendendo a que se mantêm os constrangimentos verificados, entende-se que importa revisitar os termos e as condições da resposta CACI de forma integrada, pelo que, estando em curso um trabalho de avaliação e reflexão sobre a necessidade de alteração dos mesmos, se afigura desde já necessário proceder ao alargamento do período de adequação às condições técnicas de instalação e funcionamento a que deve obedecer o CACI, prorrogando o mesmo”, lê-se no diploma publicado em Diário da República.

Isto mostra, segundo Mónica Silveira Maia, que “não é dada prioridade ao grupo de pessoas mais vulnerável dentro da diversidade”.

“Portugal continua neste adiamento constante e a apoiar-se no facto de até ter boas métricas de inclusão a nível educacional, mas a verdade é que continuamos a ter pessoas que nascem com uma deficiência e que, em princípio, quando forem adultos, vão ser excluídos da comunidade e de uma vida plena em sociedade”, lamentou a especialista.

Questionada pela Lusa sobre quantas pessoas foram atingidas pelo adiar do financiamento dos CACI, a docente indicou serem 23.696 pessoas, divididas entre os CACI, Lar Residencial e RAI (Residências de Autonomização e Inclusão).

“Continuamos a funcionar numa ótica de institucionalização. De manter as pessoas protegidas da sociedade e a sociedade protegida delas”, acrescentou, revelando que a primeira reação ao adiamento anunciado em janeiro surgirá das jornadas com a redação de recomendações ao Governo nesta área da atuação.

“É muito importante haver proximidade com as instituições para que se conheçam as suas condições atuais de funcionamento, como são tratados os seus profissionais, que tipo de equipas têm de ser compostas, como estão definidos os profissionais, como é que são chamados os profissionais da ação social, profissionais de tributação, que têm de definir bem quais são os profissionais que devem compor as equipas”, elencou a docente.

Últimas do País

Os tempos médios de espera para primeira observação ultrapassaram hoje as 11 horas na urgência do hospital do Barreiro, na Unidade Local de Saúde (ULS) do Arco Ribeirinho, segundo o portal do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
As forças de segurança vão reforçar a fiscalização nas estradas no próximo fim de semana, anunciou hoje o ministro da Administração Interna, salientando que a aposta será na imprevisibilidade, pelo que os polícias não estarão sinalizados.
Uma turista sueca, de 42 anos, foi atingida por uma bala perdida durante um confronto na Baixa de Lisboa. o suspeito de etnia cigana, também investigado por violência doméstica e sequestro, saiu em liberdade após ser ouvido em tribunal.
O núncio apostólico em Portugal, D. Andrés Carrascosa, preside à Peregrinação Internacional Aniversária de Agosto, que arranca hoje no Santuário de Fátima e deverá reunir milhares de fiéis, entre os quais muitos migrantes.
A Ordem dos Médicos defendeu hoje uma avaliação nacional da resiliência dos hospitais perante sismos e outras catástrofes, insistindo na necessidade de manter em funcionamento urgências, cuidados intensivos e blocos operatórios.
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) suspendeu um entreposto ilegal e apreendeu 76 toneladas de géneros alimentícios, no distrito de Braga, indicou hoje esta autoridade.
O aviso amarelo, devido ao calor, que abrange hoje os distritos de Bragança, Vila Real, Viseu e Guarda será estendido na quarta-feira a mais cinco distritos, informou hoje o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
A PSP acredita ter neutralizado uma célula que tentava introduzir droga em Lisboa, no âmbito de uma operação da Divisão de Investigação Criminal que resultou na detenção de dois homens e apreensão de 37 quilogramas de haxixe e várias armas.
Alunos com necessidades específicas estão sem resposta adequada no sistema educativo português por falta de vagas, segundo o Movimento Cidadão Diferente, que escreveu ao Ministério da Educação a pedir soluções para vários casos denunciados por famílias afetadas.
A Proteção Civil recomendou hoje que quem se desloque ao Parque Natural de Montesinho, em Bragança, para observar o eclipse solar de quarta-feira estacione o carro apenas em locais sinalizados e não fume, para prevenir incêndios.