Coimas aplicadas pela Concorrência quase duplicam e atingem 67 milhões

A Autoridade da Concorrência (AdC) aplicou sete decisões condenatórias em 2024, num montante global de cerca de 67,2 milhões de euros, isto é, quase duplicando o valor registado em 2023, segundo os dados enviados à Lusa.

© LUSA/ANTÓNIO COTRIM

Questionada pela Lusa, o regulador, liderado por Nuno Cunha Rodrigues, que completa dois anos de mandato em 13 de março, indicou que este montante representa quase o dobro do valor registado no período homólogo, quando foram aplicadas coimas no valor de cerca de 35 milhões de euros, em oito decisões condenatórias.

Ainda assim, o valor fica aquém dos 487,6 milhões de euros alcançados em 2022, que decorreram de 11 decisões de condenação por práticas restritivas da concorrência, que visaram vários setores como a distribuição, o futebol profissional ou a saúde.

Entre os cerca de 67,2 milhões de euros de coimas aplicadas em 2024, a maior fatia diz respeito a uma de cerca de 29,25 milhões dirigida a uma consultora tecnológica por restrição de vendas e repartição de clientes.

Segue-se uma outra coima aplicada a cinco laboratórios e a uma associação empresarial por participação em cartel de análises clínicas e testes covid. A coima foi inicialmente comunicada como ascendendo a um total de 48,6 milhões de euros, mas, fonte oficial da AdC explica à Lusa, que houve uma dispensa de coima a uma empresa, no âmbito do programa de clemência, pelo que o total ficou em 22,5 milhões de euros.

Em 2024, o regulador recebeu quatro pedidos de clemência, bem como avançou com três notas de licitude – notas de acusação que ainda não estão concluídas – e houve cinco aberturas de investigação e quatro diligências de buscas e apreensão, segundo o balanço enviado à Lusa.

No ano passado, houve ainda 93 decisões finais sobre operações de concentração, um novo recorde, e mais 11 face às 82 registadas no ano anterior (o equivalente a um aumento de 13,4%), assim como nove investigações a eventual ‘gun-jumping’ e 15 processos de avaliação prévia.

Segundo a AdC, “o conceito de ‘gun-jumping’ corresponde à violação da obrigação de não implementação de uma operação de concentração — que preencha algum dos critérios de notificação previstos na Lei da Concorrência — antes da adoção de uma decisão de não oposição pela Autoridade. Esta violação pode ocorrer antes ou depois da notificação”.

O prazo médio de análise de operações de concentração não complexas manteve-se relativamente estável: em 2024 foi de 36 dias, enquanto no total de 2023 era de 35 dias.

No plano da justiça, o ano passado ficou marcado pela decisão do Tribunal da Concorrência, Regulação e Supervisão, que, em setembro, confirmou as coimas de 225 milhões de euros aplicadas pelo regulador a 11 bancos, decidindo que ficou provado que, entre 2002 e 2013, houve “conluio” entre os bancos quando trocaram informações sobre créditos (‘spreads’ e montantes concedidos) e que “alinharam práticas comerciais” falseando a concorrência. Contudo, no início de fevereiro, o Tribunal da Relação de Lisboa [TRL] considerou que, no limite máximo, a prescrição ocorreu em 11 de fevereiro de 2024.

Entretanto, em 21 de fevereiro, a AdC disse que apresentou recurso para o Tribunal Constitucional da decisão do TRL.

Em 2024, o regulador da concorrência fez ainda 23 estudos, recomendações e pareceres abrangendo vários setores, entre os quais consta uma recomendação às condições de embarque e desembarque de passageiros por veículos de transporte de passageiros (TVDE) e táxis nos aeroportos portugueses ou um guia de boas práticas sobre acordos de sustentabilidade.

Últimas de Economia

Os preços homólogos da produção industrial aumentaram 5,8% na zona euro e 5,6% na União Europeia (UE) em julho, segundo dados hoje divulgados pelo Eurostat.
Quase metade dos europeus só consegue comprar o equivalente a um apartamento com até 50 metros quadrados, revela um novo estudo da Universidade Técnica de Viena, que inclui o mercado de habitação português entre os "sistematicamente inacessíveis".
A escalada do petróleo nos mercados internacionais ameaça provocar uma subida de 14 cêntimos por litro no gasóleo e de sete cêntimos na gasolina.
Os novos contratos de empréstimos para habitação aumentaram 166 milhões de euros em julho, para 2.345 milhões de euros, atingindo o valor mais elevado da série, informou hoje o Banco de Portugal (BdP).
A remuneração dos novos depósitos a prazo aumentou em julho pelo sexto mês consecutivo, para 1,59%, tendo o montante de novas operações de depósito atingido um máximo histórico, divulgou hoje o Banco de Portugal (BdP).
As empresas comunicaram 375 despedimentos coletivos até julho, o que representa um aumento de cerca de 13% face ao período homólogo, segundo os dados divulgados hoje pela Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT).
O consumo de energia elétrica em Portugal aumentou 3,1% entre janeiro e agosto, com a produção solar a atingir, no mês passado, um novo máximo de potência, segundo dados divulgados pela REN.
Os juros da dívida pública a 20 anos subiram para 4,26%, o valor mais elevado desde 2017, numa altura em que a escalada da inflação e os receios de novas subidas das taxas de juro estão a castigar as obrigações soberanas.
A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) alertou hoje para o crescimento de situações de fraude e burla associadas a supostos investimentos no mercado de capitais, através de contactos não solicitados e campanhas de publicidade enganosa 'online'.
A taxa de inflação anual na zona euro acelerou 1,3 pontos percentuais em agosto, face ao mesmo mês de 2025, para 3,3%, sobretudo devido aos preços da energia, com Portugal a registar 3,6%, acima da média.