Jovens emigram por melhores condições mas ainda têm esperança num futuro em Portugal

Os motivos que levam os jovens a emigrar são pautados sobretudo pela procura de melhores condições de vida, contudo há quem acredite que, com as medidas certas, ainda é possível construir um futuro em Portugal.

© D.R.

Entre aperitivos e copos de gin, a feira de emprego “Another Day at The Office” (ADATO) adota um modelo de captação de talentos jovens que visa combater a carência de trabalhadores qualificados provocada pela competitividade proporcionada por outros países europeus.

Organizada no final de março pela Júnior Empresa da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (JuniFEUP), a feira contou com vários estudantes que até preferem ficar em Portugal, mas ponderam emigrar devido ao “elevado custo de vida” no próprio país.

“Está demasiado elevado e o facto de o salário já não poder suportar todas as despesas” leva Filipa Mota, 21 anos, estudante de mestrado em Engenharia e Gestão Industrial, a querer acompanhar a família – também emigrada – em busca de melhores condições de vida.

A opinião é partilhada por Tomás Amaral, 18 anos, estudante de licenciatura na mesma área, que destacou a família como o único motivo para permanecer em Portugal.

“As condições de vida, a carreira, o salário e as oportunidades são melhores no estrangeiro”, disse, um testemunho que vai ao encontro de um estudo apresentado em fevereiro pelo Centro de Estudos da Federação Académica do Porto (CEFAP), que indicava que 73% dos jovens inscritos num ciclo de estudos no último ano letivo tinham a certeza ou uma elevada probabilidade de emigrar após a conclusão do curso.

Já Miguel Oliveira, 20 anos, estudante de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores, afirmou que prefere continuar a viver em Portugal, caso consiga uma oportunidade que considere vantajosa.

“Para trabalhar, idealmente, queria viver em Portugal porque, embora seja um país que, economicamente falando, não é tão forte, o clima e a comida são bastante apelativos. E tenho aqui a minha família, amigos, e um bocado por causa disso, se conseguir arranjar uma oportunidade que acho que valha a pena, gostaria de ficar”, explicou o estudante.

As feiras de emprego e os estágios de verão foram identificados pelos jovens como fatores que podem influenciar a permanência em Portugal.

“Se as empresas vierem expor o trabalho delas, os estudantes ficam cada vez mais interessados. Uma conversa é muito melhor do que estar a ler ‘online’ o que as pessoas fazem e é muito mais prático”, destacou Miguel Oliveira.

As empresas, por sua vez, também enfrentam desafios na retenção de talento, como explicou Marta Martins, responsável pelo Departamento de Recursos Humanos do Grupo ABB, que salientou a “escassa” mão de obra, em Portugal, e que as empresas se veem, por vezes, obrigadas a recorrer à contratação de profissionais estrangeiros para compensar a saída de jovens portugueses.

O diretor de gestão funcional da Volkswagen Financial Services (VWFS), no Porto, João Santos, defendeu que é crucial as empresas oferecerem condições atrativas como salários competitivos, seguros de saúde e políticas de teletrabalho favoráveis, para reter o talento jovem.

Na visão das empresas, é necessário adaptar os canais de comunicação para atrair as novas gerações, utilizando plataformas digitais como o TikTok, Instagram e LinkedIn.

“Queremos estar um bocadinho mais próximos deste público [jovem]”, sublinhou o membro do departamento dos recursos humanos da MC Sonae, Ana Leonor Mota.

Os jovens consideram ainda que o Estado tem um papel fundamental na criação de medidas para travar a saída de talento.

“Em termos políticos, eu acho que poderia haver mais bonificações de IRS ou outras bonificações nesse sentido para o pessoal mais jovem. Eu sei que já está a começar a haver o crédito jovem, só que não é suficiente para as condições que nós sabemos que, em comparação com outros países, vamos ter”, defendeu Filipa Mota.

Enquanto alguns ponderam ir, Marco Sousa, trabalhador em limpezas na Suíça, e Guilherme Pereira, médico emigrado na Alemanha, já deixaram Portugal e apontam as mesmas razões para permanecer no estrangeiro.

“Eu trabalhei a recibos verdes. Depois fui para uma escola a pensar que seria muito melhor e continuei a recibos verdes. Cheguei a um momento em que desisti e preferi começar do zero. Optei por ter uma vida equilibrada em vez de estar a combater contra a corrente”, mencionou, à Lusa, Marco Sousa, licenciado em desporto, através de videoconferência.

O jovem, de 32 anos, reconhece que a Suíça é “um país bastante mais caro”, mas o salário médio, que “ronda os 24 a 32 francos por hora”, cerca de “3.500 a 4.000 euros por mês”, permite “poupar bastante dinheiro”.

Médico fisiatra, Guilherme Pereira, de 26 anos, decidiu começar a aprender alemão cedo, com o propósito de ter um “plano B”. “Mais tarde, fiz um semestre de Erasmus e foi aí que o plano B se tornou no plano A”, referiu o emigrante, que destacou as experiências no programa de intercâmbio como repletas de oportunidades valiosas.

“Em Portugal, quando uma pessoa experimenta uma especialidade e não gosta, é obrigada a abandonar essa especialidade, a repetir o exame e todo o processo de estudo e a voltar a fazer o exame para conseguir uma vaga numa especialidade diferente. Aqui, na Alemanha, não é assim, uma pessoa concorre, se eu não gostar do meu emprego, ao fim de dois meses, posso ir embora”, afirmou o médico, sublinhando que essa “flexibilidade é o melhor argumento a favor da carreira”.

Emigrar não é um “processo fácil ou barato”, disse à Lusa, e é apenas o acesso facilitado a voos que faz com que não sinta Portugal tão distante.

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