EUA pedem a empresas em Portugal que confirmem leis contra diversidade e inclusão

A embaixada dos Estados Unidos em Portugal está a pedir a empresas em Portugal, com as quais tem contrato, para confirmarem se estão em linha com as leis federais norte-americanas contra a diversidade e inclusão, solicitando que “completem um documento”.

© D.R.

Segundo a porta-voz da embaixada, em respostas escritas à agência Lusa, “as missões diplomáticas dos EUA estão a rever todos os contratos e bolsas para garantir que estão em conformidade com as recentes ordens executivas da Casa Branca”.

“Como parte dessa revisão, está a ser solicitado às empresas contratadas e recipientes de bolsas a certificação exigida pela Ordem Executiva do Presidente”, confirmou Marie Blanchard.

Acrescenta que esta certificação “apenas solicita que as empresas contratadas ou recipientes de bolsas certifiquem que estão em conformidade com as leis federais antidiscriminação dos EUA”.

Garante que essa verificação não é feita pela embaixada, e que apenas solicitam às empresas que se “autocertifiquem”.

“Em outras palavras, estamos apenas a pedir-lhes que completem um documento adicional”, afirmou Marie Blanchard.

Acrescentou que na sequência desse contacto, “cada empresa é encorajada a consultar os seus advogados relativamente às suas circunstâncias factuais específicas”.

A embaixada recusou o pedido da Lusa de facultar a carta enviada às empresas com o argumento de que “não pode partilhar correspondência privada”.

Esta iniciativa por parte da embaixada em Portugal vem na sequência das várias ordens executivas assinadas por Donald Trump em 23 de janeiro, que obrigam as agências federais a reconhecerem apenas o sexo feminino e masculino e eliminar a identidade de género e todas as políticas que promovem diversidade, equidade e inclusão são eliminadas.

O jornal ECO noticiou na segunda-feira que a embaixada estava a rever contratos entre o governo norte-americano e empresas em Portugal, o que incluía a certificação de que cumpririam as novas regras do Presidente Trump contra programas de diversidade.

O ministro da Economia, Pedro Reis, quando questionado sobre esta questão durante a conferência de imprensa do Conselho de Ministros de hoje, optou por não responder diretamente, acentuando que mais do que encontrar “pontos de discórdia” são necessárias “pontes”.

Os presidentes da Confederação dos Agricultores de Portugal e da Confederação Empresarial de Portugal também reagiram hoje, deixando o aviso que a Europa não deve estar “a reboque dos humores de Washington” nem devem ser os EUA a definirem “regras”.

A União Geral dos Trabalhadores (UGT) divulgou hoje que fez chegar uma carta à embaixada dos Estados Unidos a manifestar preocupação por os EUA terem contactado empresas em Portugal impelindo alterações a programas de diversidade, considerando que põe em causa um mundo mais democrático, justo e solidário.

Segundo a imprensa internacional, várias dezenas de empresas da União Europeia receberam uma carta da Embaixada dos Estados Unidos em que sugere que abandonem práticas de diversidade, igualdade e inclusão para continuarem a trabalhar com instituições estatais dos EUA.

Últimas do País

Três homens foram intercetados pela Polícia de Segurança Pública (PSP) na cidade de Leiria quando vendiam uma réplica de gerador, declarou hoje à agência Lusa o comandante distrital, Domingos Urbano Antunes.
Uma mulher de 26 anos foi detida na posse de mais de 15 mil doses de droga no concelho da Horta, na ilha do Faial, nos Açores, revelou hoje a Polícia Judiciária (PJ).
Um telefonema anónimo bastou para suspender um dos julgamentos mais sensíveis do ano: o caso dos estivadores de Leixões acusados de facilitar a entrada de cocaína do Brasil a troco de milhares de euros. O Tribunal de São João Novo foi evacuado horas antes da leitura do acórdão.
Os clientes afetados pela tempestade Kristin e que pagaram o crédito após 28 de janeiro verão devolvido o valor pago pelos bancos quando aderirem às moratórias, explicaram esta quinta-feira, 5, responsáveis do Santander Totta.
As condições atmosféricas causadas pelas constantes tempestades continuam a obrigar ao corte de trânsito na Autoestrada 14 (Coimbra-Figueira da Foz), em três troços, noutros três de Itinerários Complementares (IC), além de múltiplos em 77 estradas nacionais e em 66 municipais.
A proteção civil registou 399 ocorrências entre as 00:00 e as 08:00 relacionadas com o mau tempo, a maioria na Grande Lisboa e na Região Oeste, sem vítimas ou desalojados, disse à Lusa Elísio Pereira.
Dez distritos de Portugal continental, a costa norte da Madeira e o Porto Santo estão hoje sob aviso laranja - o segundo mais grave - por causa da agitação marítima, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Depois de dias de espera, o ministro das Finanças garante que o dinheiro para apoiar as famílias afetadas pela tempestade Kristin estará disponível “o mais tardar” até segunda-feira. Para quem viu casas destruídas e contas a acumular, a ajuda continua prometida, mas ainda não chegou.
O mau tempo da madrugada de hoje fez aumentar para 86 mil o número de pessoas sem energia elétrica, segundo a informação divulgada pela E-REDES.
O corpo de um homem foi resgatado do interior da viatura encontrada submersa numa linha de água no concelho de Serpa, revelaram as autoridades, tendo a Proteção Civil referido que não estava mais ninguém no veículo.