Segundo “relatos internos” recolhidos pelo partido, esta situação “está a ocorrer neste momento na sua sede nacional” e “representa uma séria ameaça à integridade física dos membros do partido”, bem como um “atentado à estabilidade, à democracia e ao Estado de Direito na Guiné-Bissau”, avançou em comunicado o secretariado da Plataforma dos Presidentes das Comissões Políticas na Diáspora Europa, América do PAIGC.
Numa mensagem enviada à Lusa, o porta-voz do PAIGC, Muniro Conte, adiantou que Polícias de Intervenção Rápida (PIR) assaltaram a sede do partido, expulsando todos os que lá se encontravam. Segundo o responsável, o objetivo é “introduzir armas [no local] para depois acusarem o partido”.
Na nota enviada à comunicação social, o PAIGC condenou “de forma veemente qualquer ato de violência política” e apelou às autoridades nacionais “para que atuem imediatamente no sentido de garantir a segurança de todos os cidadãos presentes na sede do partido” e para “esclarecer a situação do seu líder”, Domingos Simões Pereira, que está detido desde 22 de novembro.
O partido apelou ainda à comunidade internacional “para que acompanhe de perto estes acontecimentos e apoie todos os esforços que visem preservar a legalidade democrática” e à população para que “mantenha a serenidade, rejeitando qualquer forma de provocação ou escalada de violência”.
“O PAIGC reafirma o seu compromisso inabalável com a paz, a democracia e o diálogo, e espera que os responsáveis por estes factos sejam identificados e responsabilizados”, refere a mesma nota.
Um grupo de militares anunciou na quarta-feira ter tomado o poder na Guiné-Bissau e ter destituído o Presidente, Umaro Sissoco Embaló, que viajou entretanto para o Senegal.
A junta militar nomeou general Horta Inta-A como presidente de transição pelo período de um ano e suspendeu do processo eleitoral na véspera da divulgação dos resultados das eleições gerais de 23 de novembro.
As eleições, que decorreram sem registo de incidentes, realizaram-se sem a participação do principal partido da oposição, o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), e do seu candidato, Domingos Simões Pereira, excluídos da corrida eleitoral e que declararam apoio ao candidato opositor Fernando Dias da Costa.
Simões Pereira foi detido após o anúncio da junta militar.
A oposição, que reclamou vitória nas eleições presidenciais, denuncia a intervenção militar como uma manobra orquestrada pelo Presidente cessante para travar a divulgação dos resultados eleitorais.
A União Africana (UA) anunciou hoje que suspendeu “de forma imediata” a Guiné-Bissau até que a ordem constitucional seja restabelecida.
*** A delegação da agência Lusa na Guiné-Bissau está suspensa desde agosto após a expulsão pelo Governo dos representantes dos órgãos de comunicação social portugueses. A cobertura está a ser assegurada à distância ***