A imigração começa a pesar de forma decisiva nas urnas. Dados divulgados pelo jornal espanhol La Gaceta indicam que, nas eleições de 2027 em Espanha, cerca de 280 mil cidadãos de origem marroquina poderão votar, após terem obtido nacionalidade na sequência de regularizações realizadas entre 2008 e 2016.
O efeito não é imediato, mas é cumulativo. A lei exige, em regra, dez anos de residência legal (ou dois anos para alguns países), confirmando uma tendência já visível: as regularizações de ontem tornam-se os eleitores de hoje.
Segundo um estudo da Opina360, citado pelo mesmo jornal, um em cada três cidadãos naturalizados vota no PSOE, com uma diferença de 45 pontos entre esquerda e direita entre eleitores de origem marroquina. Argentinos tendem igualmente para a esquerda, enquanto venezuelanos votam maioritariamente à direita.
O peso eleitoral já é relevante. Nas legislativas de 2023, note-se, 2,5 milhões de eleitores de origem estrangeira participaram no sufrágio. Até 2027, o número poderá crescer quase mais um milhão, à razão de cerca de 240 mil novos eleitores por ano, fruto das naturalizações desta legislatura.
Os dados oficiais confirmam o movimento: só em 2024, 252.476 residentes adquiriram nacionalidade, dos quais 42.910 eram marroquinos, seguidos por venezuelanos e colombianos. Desde 2018, o total ultrapassa 1,5 milhões, a que se somam 490 mil nacionalizações ao abrigo da Lei da Memória Democrática e 95 mil regularizações por arraigo em poucos meses.