Esta foi uma das formas de ocorrência pelo Ministério da Saúde para minimizar os constrangimentos dos serviços de urgência desta especialidade, devido à carência de médicos suficientes para preencher as escalas, e que têm sido mais evidentes na Península de Setúbal, para onde também está prevista uma urgência regional de obstetrícia.
Segundo a Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (DE-SNS), a urgência de ginecologia e obstetrícia de Loures-Odivelas/Estuário do Tejo, que terá apoio perinatal diferenciado, estará em funcionamento a partir de segunda-feira, 24 horas por dia, sete dias por semana, no Hospital Beatriz Ângelo, em Loures.
A concentração de serviços levanta reservas aos sindicatos, que alegam que a medida foi tomada sem ter existido um reforço da contratação de profissionais de saúde e que, no caso dos médicos, não podem ser obrigados a deslocarem-se do seu local de trabalho para outro hospital para garantirem as urgências.
O DE-SNS adiantou que a elaboração e gestão das escalas de urgência das urgências regionais serão articuladas entre os diretores de serviço das respetivas unidades locais de saúde (ULS), sob a sua coordenação.
As equipas da ULS Loures/Odivelas vão garantir 80% da prestação contínua dos cuidados de urgência e as da ULS Estuário do Tejo os restantes 20%, mas o Sindicato dos Médicos da Zona Sul já alertou que, apesar do Hospital de Loures passar a ter um acréscimo de serviço, a equipa “só terá o reforço de um enfermeiro que irá de Vila Franca de Xira”.
Apesar de estar previsto o encerramento da urgência de obstetrícia em Vila Franca de Xira, que serve também os municípios de Azambuja, Arruda dos Vinhos, Alenquer e Benavente, a direção executiva esclareceu que a maternidade desse hospital vai continuar a funcionar.
Toda a restante atividade mantém-se a funcionar no Hospital de Vila Franca de Xira, incluindo partos programados e consultas abertas de ginecologia e obstetrícia para doença aguda não urgente, adiantou ao DE-SNS.
A entidade liderada por Álvaro Almeida justificou a criação de urgências regionais com a falta de profissionais especializados em algumas zonas do país, o que faz com que não seja possível garantir equipamentos completos em determinados serviços em alguns períodos.
A Federação Nacional dos Médicos (Fnam) alertou, porém, que medida poderá ser mais abrangente, com a dirigente Joana Bordalo e Sá adiantar à Lusa que a perspetiva é que as urgências regionais se vão estender a várias especialidades – não apenas à de obstetrícia e ginecologia – e “em todo o país”.
O Governo previa que a urgência regional da Península de Setúbal, que sairá no Hospital de Almada e que transferisse ao encerramento da urgência do Barreiro, fosse a primeira do país a entrar em funcionamento, chegando a adiantar que seria no início deste ano, mas, esta semana, a ministra Ana Paula Martins referiu que isso só vai acontecer quando forem concluídas as escalas conjuntas.
Uma urgência regional assenta num modelo excepcional em que duas ou mais ULS próximas concentram o atendimento de urgência num único hospital, quando não é possível manter urgências a funcionar em todas ao mesmo tempo.
Este novo modelo prevê avaliações semestrais ao funcionamento das urgências centralizadas de âmbito regional.