Ventura considera “picardias políticas” as críticas do autarca de Leiria Sobre campanha na região

O candidato presidencial André Ventura não respondeu às críticas do presidente da Câmara de Leiria por ter iniciativas de campanha nesta região afetada pelo mau tempo e considerou tratar-se de "picardias políticas".

© Folha Nacional

“Não vou entrar em picardias políticas hoje, temos de nos focar no que falhou e na ajuda a estas pessoas. Tive a preocupação de ir ao centro de Leiria imediatamente ouvi no centro de Leiria de várias pessoas que à volta estava muito pior e eu senti que tinha o dever como candidato de estar aqui”, afirmou.

O candidato a Presidente da República visitou hoje uma estufa destruída pelo mau tempo, na zona de Ortigosa, no concelho e distrito de Leiria. Na quinta-feira esteve no centro da cidade de Leiria, mais de 36 horas depois da passagem da depressão Kristin, e no dia seguinte participou numa recolha de alimentos.

“Compreendo que alguns critiquem, que não gostem. Eu vou continuar a mobilizar as pessoas para recolher bens essenciais, alimentos, água e no que puder e tenho talvez a certeza que não são os bens que recolhemos que vão resolver os problemas, mas damos um sinal ao país, num momento em que temos uma visibilidade acrescida por estarmos numas eleições, de que agora não é isso que interessa, não é a picardia que interessa, seja o presidente da Câmara de qualquer partido que seja, agora é ajudar”, salientou.

“Quem está preocupado hoje com picardia política está do lado errado da história”, acrescentou.

Esta manhã, o presidente da Câmara de Leiria considerou que nos últimos dias se tem assistido a “um carrossel de pessoas a vir a Leiria como se um jardim zoológico se tratasse”.

“Acho ridículo quando alguém quer oferecer meia dúzia de garrafas de água e que se filma para trazer numa carrinhazinha pequenina a ajuda ao distrito e ao concelho de Leiria”, criticou Gonçalo Lopes, sem confirmar se se referia a Ventura, e considerou que “aproveitar o que está a acontecer para fazer campanha” é “uma ofensa a quem está a sofrer, a quem está há mais de dois dias sem água, sem luz, com dificuldades extremas”.

Falando aos jornalistas junto à estufa destruída e com o empresário ao seu lado, André Ventura voltou a pedir celeridade e simplificação nos apoios destinados às famílias e empresas afetadas.

“Passou claro a dor em que estas pessoas estão, precisam de apoio rápido, não é de apoios burocráticos que demoram seis meses só a ser preenchidos, precisam de consultores só para tratar deles. Estas pessoas precisam de saber que vão pedir o apoio, que estes apoios vão chegar para isto, e que rapidamente o conseguimos fazer”, sustentou.

E apelou para que sejam mobilizados “todos os recursos, sejam eles políticos, administrativos, financeiros, para ajudar de forma rápida, para que estas pessoas não percam a oportunidade de se levantarem novamente”.

Questionado sobre se os apoios devem ser atribuídos a fundo perdido, o candidato e líder do Chega considerou que “alguns obviamente que sim”, sem especificar.

Sobre se concorda com a sugestão do atual chefe de Estado para a constituição de comissão técnica independente, depois de ter defendido uma auditoria, André Ventura apenas abanou a cabeça de um lado para o outro. Mais tarde, perante nova insistência dos jornalistas, voltou a desviar o assunto.

André Ventura questionou ainda por que “o Estado não pode dar telhas às pessoas” que têm os telhados afetados, indo buscá-las “a Lisboa e trazendo para Leiria”, e disse também que esta tarde iria tentar recolher lonas “aquelas que até se usa para os ‘outdoors'”.

“Parece um país de terceiro mundo onde nós não conseguimos mobilizar recursos de distribuição de coisas tão simples como telhas, de outras zonas do país para aqui. Isso pode ser feito pelas Forças Armadas”, defendeu.

O candidato considerou que houve algum atraso no envolvimento da Forças Armadas e criticou também a ministra da Administração Interna, afirmando que Maria Lúcia Amaral “parece que não vê que esta a acontecer, não sabe o que está a acontecer”.

“Diz que temos agora tempo para uma aprendizagem coletiva. Estas pessoas não precisam de aprendizagens, estas pessoas precisam de apoio rápido, de ação. É isso que temos de fazer agora, ajudar, agir, fazer”, defendeu.

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