Monumentos e parques de Sintra fechados hoje devido a greve marcada até domingo

© D.R.

Trabalhadores da Parques de Sintra – Monte da Lua, que gere os palácios nacionais de Sintra e da Pena, iniciaram hoje uma greve de quatro dias para reivindicar, entre outros, aumentos salariais, motivando o fecho de vários monumentos e parques.

Hoje, “entre 150 e 200 trabalhadores” concentraram-se junto ao chamado palácio da vila (o Palácio Nacional de Sintra) de forma a alertar para a situação vivida na empresa de capitais exclusivamente públicos, criada em 2000 no seguimento da classificação da paisagem cultural de Sintra como Património da Humanidade, pela UNESCO (sigla em inglês para a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura).

Conforme disse à Lusa Nuno Santos, da Comissão de Trabalhadores (CT) da Parques de Sintra – Monte da Lua (PSML), “apesar de alguns avanços na reunião de quarta-feira da assembleia-geral de acionistas, os trabalhadores decidiram manter o protesto”.

“Queremos medidas para o imediato”, salientou.

A empresa tem como acionistas a Direção-Geral do Tesouro e Finanças, o Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, o Turismo de Portugal e a Câmara Municipal de Sintra, no distrito de Lisboa.

É responsável pela gestão do Parque e Palácio de Monserrate, Castelo dos Mouros, Palácio Nacional de Sintra, Parque e Palácio Nacional da Pena, Convento dos Capuchos, Chalet e Jardim da Condessa d’Edla, Farol do Cabo da Roca, Palácio Nacional e Jardins de Queluz, Vila Sassetti, Escola Portuguesa de Arte Equestre e Santuário da Peninha.

Numa nota divulgada no seu ‘site’, a PSML indica que os parques e monumentos que gere estão encerrados hoje devido à greve.

Gonçalo Franco, também da CT, explicou que o fim de semana de Páscoa “é normal ser de pico de visitantes, apesar de em alguns dias de agosto se ultrapassar o máximo de entradas”, sobretudo por turistas espanhóis.

A greve foi marcada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública e de Entidades com Fins Públicos (SINTAP) e pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local e Regional (STAL).

De acordo com a CT, “40% dos trabalhadores auferem o salário mínimo nacional”: “apesar da riqueza e especificidade dos seus recursos humanos, a PSML paga salários bastante inferiores à já baixa média nacional”, o que tem levado a uma “elevada dificuldade de contratação e fixação de trabalhadores, pondo em risco a salvaguarda do património”.

Em comunicado, a comissão refere que, “encontrando-se numa situação insustentável e ingerível, a empresa já não é capaz de cumprir cabalmente a função que lhe está atribuída, colocando em risco o património inscrito pela UNESCO”.

De entre os vários problemas, a CT enumera espaços encerrados ao público, entre bilheteiras e cafetarias, peças de espólio retiradas de exposição por incapacidade de cumprimentos de normas de segurança, falta de trabalhadores de atendimento ao público e também o facto de a gestão florestal não ser “cabalmente cumprida por falta de técnicos”.

Em março, aquando de uma concentração junto ao Ministério do Ambiente e Ação Climática, Pedro Salvado, coordenador da secção distrital de Lisboa do SINTAP, avançou que, devido à falta de respostas, foi decidida uma greve durante três dias consecutivos (06 a 08 de abril) em todos os espaços geridos pela empresa, no concelho de Sintra (distrito de Lisboa).

O SINTAP apresentou, no final do ano passado, uma proposta reivindicativa que representava uma atualização salarial de 7,5%, garantindo um aumento mensal não inferior a 80 euros para todos os trabalhadores.

Perante “o silêncio” da administração, e após nova reunião em janeiro, onde não foi apresentada qualquer contraproposta, as reivindicações foram reformuladas: é exigido um aumento de 14% para trabalhadores que fazem 40 horas semanais e de 7% para os que fazem 37,5 horas semanais.

São ainda pedidos um aumento mínimo de 52 euros para todos os trabalhadores, um salário de 1.320 euros no início da carreira de técnico superior, subsídio de alimentação no valor de 8,32 euros, retroativos a janeiro deste ano e seguro de saúde no acordo de empresa.

Segundo Pedro Salvado, a empresa enfrentou dificuldades durante a pandemia de covid-19, tendo sido obrigada a contrair um empréstimo, que ainda está a pagar.

“A desculpa da empresa é que, por causa da dívida, não pode aumentar salários. Mas, neste momento, a empresa já tem condições para o fazer”, realçou, acrescentando que, “das pessoas que entraram este ano para a empresa, 50% já saíram”.

Além dos horários de 35 horas semanais para todos os trabalhadores, o STAL – que promove a greve já num período de quatro dias, entre hoje e domingo de Páscoa – defende aumentos de 100 euros para todos os trabalhadores, com retroativos a janeiro deste ano, além da criação de um sistema de carreiras, com progressões de três em três anos.

Numa nota enviada à Lusa, a administração da PSML admite que são formados, anualmente, vários profissionais, mas que não existe capacidade para os manter ou captar.

Para manter os colaboradores e responder às principais reivindicações sindicais, a empresa afirma que “tem desenvolvido várias diligências e todos os esforços no sentido de resolver o problema estrutural” e que estão a ser “concretizadas todas as diligências necessárias para a resolução das razões de foro salarial”.

Últimas do País

O ex-presidente do Colégio de Competência em Emergência Médica Vítor Almeida alertou hoje que mais de 22 mil ocorrências de nível P1, situações associadas a risco de vida iminente, continuam sem socorro adequado.
Metade dos alunos inscritos para a época extraordinária dos exames nacionais do ensino secundário faltou às provas, segundo dados do Ministério da Educação, que registaram uma taxa de desistência de 49,6%.
Uma sondagem da Aximage indica que 55% dos inquiridos aprovam a iniciativa apresentada pelo CHEGA e as razões que levaram o partido de André Ventura a censurar o Governo.
A ministra da Justiça reconheceu hoje dificuldades nas cadeias, com mais de 13.700 presos e 55 mortes só este ano, e voltou a garantir que uma ala do Estabelecimento Prisional de Lisboa (EPL) encerra ainda este ano.
A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) aplicou quase meio milhão de euros de coimas no primeiro semestre deste ano, referentes a 143 processos de contraordenação instaurados no âmbito da supervisão de estabelecimentos de saúde.
A Unidade Local de Saúde de São José (Lisboa) foi obrigada a rever e a reforçar os procedimentos de identificação de cadáveres, na sequência da troca de dois corpos que só foi detetada por uma das famílias no velório.
Um homem de 70 anos foi detido na terça-feira em Sintra, o distrito de Lisboa por suspeita de crimes sexuais contra quatro crianças e um crime de pornografia de menores, informou esta terça-feira a Polícia Judiciária (PJ).
Cerca de 100 empresas da Região de Leiria afetadas pela depressão Kristin têm candidaturas elegíveis à Linha Reindustrializar, mas a verba esgotou, pelo que ficaram sem apoios para a recuperação, revelou hoje a Comunidade Intermunicipal (CIM).
Os professores estão preocupados com a deterioração dos resultados dos jovens portugueses no estudo internacional PISA 2025, defendendo melhores condições para quem ensina e aprende e mais formação para a integração de dispositivos digitais no ensino.
A Polícia de Segurança Pública (PSP) resgatou na sexta-feira cerca de 70 animais que se encontravam em condições inadequadas de higiene e bem-estar no interior de uma habitação em Setúbal, informou hoje aquela força de segurança.