CHEGA revoltado com lei que deixa à solta criminosos perigosos

© Folha Nacional

O Governo viu aprovada uma lei no parlamento que liberta automaticamente os doentes perigosos inimputáveis, tendo revogado o n.º 3 do artigo 92º do Código Penal.

Na prática, a revogação deste artigo implica que haja ou não resposta do sistema, seja ou não considerado perigoso o inimputável, existam ou não sinais e sintomas que desaconselhem a libertação – os magistrados terão mesmo de decretar a soltura dos Doentes Perigosos Inimputáveis.

Sem surpresa, os juízes manifestaram desde o início a sua oposição a esta alteração ao Código Penal, tendo o Conselho Superior da Magistratura (CSM) enviado um parecer à comissão parlamentar da Saúde, referindo que “parece que é intenção do legislador que, finda a duração da pena máxima aplicável ao crime cometido, mesmo que o inimputável sujeito a medida de segurança de internamento mantenha perigosidade baseada em grave anomalia psíquica, seja libertado, definitiva e incondicionalmente, logo que atingido aquele máximo.”

Acrescenta ainda o CSM que há dois interesses em conflito com esta alteração: “O conflito entre o direito de liberdade pessoal do inimputável, por um lado, e, por outro, o direito à segurança e à defesa social – que ao Estado também incumbe garantir.”

PS e PCP votaram a favor da substituição da lei de saúde mental. O diploma insere-se na reforma que o Governo quer concluir até 2026, com auxílio a 88 milhões de euros para investimentos na área.

O documento recebeu os votos contra de CHEGA e PSD, enquanto Iniciativa Liberal (IL), BE, PAN e Livre se abstiveram.

A proposta de lei do Governo sobre a saúde mental foi aprovada na generalidade a 14 de outubro do ano passado, que rejeitou outras quatro iniciativas sobre essa área apresentadas pelos deputados do CHEGA, BE, Livre e PAN. O diploma do Governo foi então aprovado com os votos a favor do PS, do PSD, do PCP, do BE, do PAN e do Livre, contra do CHEGA e a abstenção da IL.

A proposta de lei insere-se na reforma da saúde mental que o Governo quer concluir até final de 2026 e que recorre a 88 milhões de euros para investimentos nesta área, disponíveis no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Segundo Pedro Frazão, que representou o CHEGA no debate, “esta é mais uma lei do esquerdismo que não se preocupa nem com a segurança dos doentes e das suas famílias, nem com a realidade no terreno! É uma lei feita à pressa para que mais estruturas do Estado acedam rapidamente a fundos do PRR para satisfazerem as clientelas dos avençados do sistema!”

O também vereador em Santarém perguntou ainda “onde está a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados de Saúde Mental, cuja implementação deveria ter avançado em 2011, foi adiada até 2018 e no presente dá resposta a pouco mais de 1.300 pessoas, a nível nacional”, enquanto “mais de 2.100 pessoas aguardam vaga na Rede de Cuidados Continuados Integrados, como ficámos a saber esta semana na audição da Saúde requerida pelo CHEGA à Rede nacional.”

O deputado do CHEGA terminou a sua intervenção com uma denúncia: “as atuais medidas de apoio ao cuidador informal não são aplicáveis aos familiares das pessoas com doença mental. Mesmo depois do Despacho Conjunto n° 407/98 ter criado a medida destinada ao descanso periódico do cuidador, 25 anos depois, nunca chegou a ser implementada!”

*com lusa

Últimas de Política Nacional

Com apenas seis anos de existência, o partido de André Ventura tornou-se determinante em Lisboa, Sintra, Gaia e Cascais. Sem precisar de vencer, passou a ser a chave das maiorias.
Portugal deve pedir à Organização das Nações Unidas (ONU) o afastamento da relatora especial para os Territórios Palestinianos Ocupados. Esta é a recomendação apresentada pelo CHEGA, através de um projeto de resolução que pretende levar o Governo a assumir uma posição diplomática ativa sobre o tema.
André Ventura acusou o Governo de falhar às populações afetadas pelas tempestades e exigiu isenção imediata de IMI, rapidez nos apoios e um pedido público de desculpas. “Persistir no erro é que não fica bem”, atirou.
José Manuel Fernandes tem dois imóveis na capital e mais de 43 mil euros anuais em rendimentos prediais, mas recebe 724 euros por mês de subsídio de alojamento. É um dos 19 governantes abrangidos por uma regra de 1980 que continua a permitir compensações mesmo a quem já tem casa em Lisboa.
As propostas apresentadas pelo CHEGA na Câmara Municipal da Amadora para reforçar a transparência e prevenir a corrupção deram um passo em frente e podem vir a traduzir-se em novos mecanismos de controlo na gestão autárquica.
André Ventura anunciou a recandidatura à liderança do CHEGA e a convocação de um congresso eletivo para maio. O líder da oposição diz que o partido entra num “novo ciclo”, reafirma a luta contra corrupção, subsidiodependência e ideologia de género e garante: “Vencer é condição para transformar”.
A Direção Nacional do CHEGA vai propor a realização da próxima convenção do partido nos dias 08, 09 e 10 de maio, para eleger eleitos novos órgãos, meses depois de André Ventura ter anunciado a recandidatura à liderança.
Famílias e empresas que vivem em concelhos atingidos por fenómenos meteorológicos extremos poderão ficar isentas de pagar Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) no próximo ano. A proposta é do CHEGA que apresentou na Assembleia da República um projeto de lei para criar um regime excecional de isenção fiscal em 2026.
Milhares de profissionais de segurança privada que trabalham diariamente em centros comerciais, hospitais, aeroportos e transportes de valores poderão vir a receber um subsídio de risco e passar a usar meios de defesa não letais em serviço. Esta é a proposta apresentada pelo CHEGA através de um projeto de lei que altera o regime jurídico da segurança privada e a legislação sobre armas e munições.
O Executivo contratou serviços de maquilhagem e cabeleireiro para garantir “qualidade de imagem” em conferências de imprensa. O contrato prevê a realização de 50 sessões ao longo de um ano, ao valor de 230 euros por sessão.