Docentes acusam reitor de Lisboa de censurar estudo sobre assédio

© Técnico Lisboa

Sete docentes da Universidade de Lisboa acusaram hoje o reitor da instituição de censurar um projeto de investigação sobre assédio na academia, acusação rejeitada por Luís Manuel Ferreira.

Num artigo de opinião publicado hoje no Diário de Notícias, três docentes do Instituto Superior Técnicos (IST), dois da Faculdade de Letras e outros dois da Faculdade de Arquitetura acusam o reitor de tentar censurar um projeto de investigação sobre assédio entre professores e investigadores que estava em curso no ano passado.

“Numa estrutura de forte pendor hierárquico, em que as práticas de assédio fazem parte do quotidiano, o Reitor atuou como Censor-Mor. E fê-lo com o apoio dos seus diretores e presidentes de Faculdades e Institutos e a conivência (por obstinado silêncio) do Conselho Geral da Universidade, que o elegeu”, escrevem os docentes no artigo intitulado “O Reitor censor ou a censura como assédio”.

Os docentes dizem que, quando estava a decorrer o inquérito de levantamento de casos de assédio, o reitor enviou uma circular escrita instruindo professores e investigadores no sentido de se absterem de responder ao estudo.

A circular referia que estava a ser averiguada a legalidade de todo o processo e questionava a qualidade do trabalho: “A validade científica não está minimamente demonstrada” é uma das citações que aparecem no artigo de opinião.

A Lusa contactou o gabinete da reitoria durante a manhã de hoje, mas não obteve qualquer resposta até ao momento.

Em declarações à Antena 1, o reitor Luís Manuel Ferreira negou qualquer tentativa de censurar um projeto de investigação sobre o assédio: “Aquilo que fizemos foi um apelo e não uma ordem para que se abstivessem de responder ao inquérito cuja validade científica não estava minimamente demonstrada”, explicou esta manhã.

O reitor garantiu que não houve “nenhuma censura”, apenas que não recomenda a utilização de inquéritos que não seguem passos normais: “Não referia, e isso é importante, a que se destina aquele inquérito e qual a política de dados?”, exemplificou.

A Lusa questionou também o Ministério da Ciência Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) sobre se recebera alguma denuncia sobre o caso relatado, se tinham sido tomadas diligências e quais as consequências, mas também não obteve qualquer resposta até ao momento.

Foi precisamente a abertura de um canal de denúncias no início do ano passado pela Universidade de Lisboa que chamou a atenção para os casos de assédio na academia.

Na altura, a ministra do Ensino Superior, Elvira Fortunato, apelou para que as instituições desenvolvessem ações de prevenção e criassem mecanismos de denúncia próprios.

Já este ano, o assédio na academia voltou a ser notícia com a divulgação de um artigo de três investigadoras que tinham passado pelo Centro de Estudos Sociais, na Universidade de Coimbra, e que denunciaram situações de assédio e violência sexual envolvendo o sociólogo Boaventura de Sousa Santos.

Este fim de semana, o sociólogo admitiu num artigo de opinião escrito no Expresso que nasceu num tempo e faz parte de uma “geração em que comportamentos inapropriados, se não mesmo machistas, quer se trate da convivência ou da linguagem, eram aceites pela sociedade”.

A Lusa fez há cerca de dois meses um levantamento junto das universidades e politécnicos de todo o país e verificou que das mais de 150 queixas de assédio recebidas, apenas quatro resultaram em penalizações.

Foi nas três instituições mais antigas do país que se concentrou a grande maioria das queixas (são também as que têm mais alunos e funcionários): A Universidade de Lisboa (UL) registou 60 denúncias, a Universidade de Coimbra (UC) “36 reportes” e a Universidade do Porto (UP) 19.

Também em declarações à Lusa, alunos, professores e investigadores defenderam que os canais de denúncia devem ser independentes para que as vítimas se sintam seguras para denunciar e as equipas não se sintam pressionadas durante a investigação.

Últimas do País

Um homem de 34 anos foi detido pela Polícia Judiciária (PJ) e ficou em prisão preventiva por indícios de abuso sexual agravado de um menino de dois anos, informou hoje o Ministério Público (MP).
O Tribunal Judicial de Beja decretou hoje a prisão preventiva do homem, de 26 anos, detido pela Polícia Judiciária (PJ) por suspeitas de ter atingido com tiros de caçadeira outros dois homens, naquela cidade, revelou fonte policial.
O Ministério Público (MP) acusou um homem, considerado inimputável, de ter matado a mulher em setembro de 2025 numa clínica de saúde do Porto onde estava internado após um surto psicótico, adiantou hoje a Procuradoria-Geral Regional do Porto.
A Região Metropolitana de Coimbra (RMC) denunciou a existência de atrasos nos pagamentos de apoios aos municípios afetados pelos incêndios do verão de 2025, situação que agrava os prejuízos face às tempestades e cheias do início do ano.
A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) recebeu 271 reclamações em 2025, ligeiramente acima das 269 de 2024, o que segundo o regulador dos mercados financeiros são "níveis historicamente baixos".
Um homem de 54 anos foi detido em flagrante delito por crime de incêndio florestal no concelho de Resende, anunciou hoje a Guarda Nacional Republicana (GNR), através do Comando Territorial de Viseu.
A Guarda Nacional Republicana (GNR) começa hoje a operação 'Páscoa 2026', que se prolonga até segunda-feira, durante a qual é reforçado o patrulhamento e ações de fiscalização nas estradas.
A linha de aconselhamento psicológico do SNS 24 já atendeu quase meio milhão de chamadas desde que foi criada em abril de 2020, logo após o início da pandemia, aproximando-se atualmente dos 430 atendimentos diários.
A PSP alertou hoje para a circulação de notas falsas em Bragança, usadas para fazer pagamentos em estabelecimentos comerciais e de restauração, tendo sido já constituída arguida uma jovem de 17 anos.
A Autoridade Marítima Nacional (AMN) vai reforçar os meios para assistência a banhistas, entre quinta-feira e 12 de abril, devido à previsão de aumento da temperatura, nas zonas Centro e Sul do país, revelou hoje a AMN.