Três anos depois de assalto ao Capitólio há protagonistas candidatos eleitorais

O assalto ao Capitólio a 06 de janeiro de 2021 ficou marcado pela quantidade maciça de vídeos e fotografias que circularam nas redes sociais e meios de comunicação em tempo real, tornando alguns invasores nos rostos da insurreição. 

© D.R.

Três anos depois, com mais de 1.230 arguidos e centenas de casos ainda pendentes, vários desses rostos estão presos ou cumpriram penas de prisão. Um deles, o que ficou conhecido como o “Xamã QAnon”, está a candidatar-se a um cargo político.

Jacob Chansley passou dois anos e três meses na prisão e agora que foi libertado formalizou a sua candidatura à Câmara dos Representantes pelo 8º distrito do Arizona.

O “Xamã”, que foi fotografado com cornos e pele de bisonte na cabeça e as cores da bandeira norte-americana pintadas na cara, corre pelo lugar deixado vago pela congressista republicana Debbie Lesko, que decidiu não se recandidatar em 2024.

Chansley candidata-se como libertário num estado que é considerado decisivo para as eleições de 05 de novembro.

Do lado contrário da barricada, um dos polícias que defendeu o Capitólio no dia do ataque, Harry Dunn, também anunciou a sua candidatura ao Congresso.

O ex-agente entra nas primárias do Partido Democrata para conseguir a nomeação no 3º distrito de Maryland, onde o congressista John Sarbanes optou por não se recandidatar.

Dunn declarou que Trump pretende “acabar o que começou” há três anos, quando terá instigado a insurreição, e a sua candidatura tem o objetivo de não deixar que isso aconteça.

Estas movimentações acontecem numa altura em que há, quase todas as semanas, novos acusados em conexão com o ataque.

Outro rosto da invasão, que ficou conhecido como “o tipo do pódio”, é Adam Johnson. Foi condenado a 75 dias de prisão, já cumpridos, e a uma multa de cinco mil dólares.

A sua fotografia com o púlpito da então líder democrata Nancy Pelosi nas mãos e um enorme sorriso na cara tornou-se um dos símbolos da insurreição, embora Johnson tenha dito que não sabia o que queriam dizer quando lhe chamaram “insurrecto”.

Richard Barnett, já com mais de 60 anos, teve uma sentença muito mais pesada. Foi condenado a quatro anos de prisão depois de ser dado como culpado de invadir o Capitólio transportando uma arma de choque com espigões.

Ficou célebre por ser fotografado com os pés pousados na secretária de Nancy Pelosi, furtando correspondência da então ‘speaker’ e deixando-lhe uma nota com um insulto sexista.

Outro invasor que está preso é Kevin Seefried, agora com 53 anos, que posou para as câmaras exibindo uma bandeira da Confederação às portas do Senado. Foi dado como culpado de cinco acusações, incluindo obstrução de um procedimento oficial, e cumpre uma pena de três anos de prisão.

Quem já está fora do cárcere é Aaron Mostofsky, o filho de um juiz de Nova Iorque que ficou conhecido como “homem das cavernas” por causa do traje que envergou no assalto. Lutou contra uma barreira policial e roubou o colete de um polícia, tendo cumprido oito meses de prisão com mais doze de condicional. Teve de pagar dois mil dólares de multa e cumprir 200 horas de serviço comunitário.

Um outro rosto da invasão que continua preso é Timothy Hale-Cusanelli, oriundo de Nova Jersey, cuja imagem se tornou infame por imitar o visual de Adolf Hitler. A sentença de quatro anos de prisão seguiu-se à condenação em todas as acusações, incluindo o crime de obstrução de um procedimento oficial.

Estes não foram os invasores que receberam as penas mais pesadas.

Aqueles que estiveram na linha da frente da orquestração da insurreição, incluindo Enrique Tarrio, Stewart Rhodes e Joseph Biggs foram condenados a penas entre 17 e 22 anos de prisão, as mais longas dos milhares de processos movidos pelo Departamento de Justiça até agora.

As penas pesadas devem-se à condenação por conspiração secessionista, uma acusação que muito raramente foi usada após a Guerra Civil e cuja fasquia de prova em tribunal é extremamente elevada.

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