Standard & Poor’s sobe ‘rating’ de Portugal que alcança nível ‘A’ em todas as principais agências

A Standard&Poor’s subiu hoje o ‘rating’ de Portugal de ‘BBB+’ para ‘A-’, com perspetiva positiva, com o país a voltar, treze anos depois, a estar entre os níveis 'A' de todas as principais agências.

© D.R.

A Standard&Poor’s (S&P) justifica, no relatório divulgado hoje, a decisão com a “acentuada desalavancagem de Portugal” estar “a alimentar uma melhoria significativa e contínua da posição financeira externa do país e a aliviar os riscos de liquidez externa”.

“Uma parte da desalavancagem decorre da rápida redução do rácio dívida pública/PIB [Produto Interno Bruto] apoiada por um forte desempenho orçamental”, explica.

A agência norte-americana acredita que o governo que sair das eleições legislativas de 10 de março “irá continuar a exercer disciplina orçamental e a concentrar-se na execução dos fundos da UE NextGeneration”.

A S&P era a única das quatro principais agências de ‘rating’ que ainda avaliava a dívida soberana portuguesa entre os níveis ‘B’ e com a melhoria de hoje alinhou com a Moody’s, a Fitch e a DBRS, que subiram no ano passado o ‘rating’ para os níveis ‘A’ (dentro do nível ‘A’ as escalas variam entre A-/A/A+ ou A1/A2/A3).

Antes da intervenção da ‘troika’ em Portugal, em 2011, as quatro agências ainda classificavam a dívida soberana portuguesa nos níveis ‘A’, cortando drasticamente a avaliação depois do pedido de ajuda financeira.

O país precisou de sete anos para deixar de ter ‘ratings’ “lixo”, e agora, ao fim de 13 anos, a trajetória de redução do endividamento do país é a principal justificação para as agências colocarem o risco do país no patamar dos níveis ‘A’, permitindo um financiamento com custos mais baixos pela República.

No relatório que acompanha a decisão de hoje, a S&P salienta que a decisão também reflete a perspetiva de uma nova descida do rácio da dívida pública em relação ao PIB”: “o rácio da dívida pública em relação ao PIB de Portugal já está abaixo dos níveis pré-pandemia, graças a políticas orçamentais prudentes e a um crescimento económico resiliente. Esperamos que esta tendência continue, embora de forma mais lenta”, indica.

A agência prevê uma desaceleração do crescimento económico este ano para 1,4%, devido às condições de financiamento restritivas e à fraca procura externa, e aponta para um crescimento moderado ao longo dos próximos anos, apoiado por um forte desempenho do turismo, pelo aumento dos investimentos públicos e por uma recuperação do consumo privado, com uma inflação mais baixa e condições de financiamento mais flexíveis.

Considera ainda que os riscos para a continuidade das políticas no contexto das próximas eleições são “contidos”, resultado de “um consenso sobre a prudência orçamental” entre o PS e o PSD.

“Os principais riscos dizem respeito a um parlamento potencialmente fragmentado, o que contrastaria com a anterior maioria absoluta do PS. Tal cenário poderia levar o novo governo a depender dos partidos minoritários para aprovar reformas. Isto poderia incluir, por exemplo, negociações com o partido de direita radical, mais eurocéptico, CHEGA, que está a ganhar popularidade”, alerta.

Contudo, acredita ser “pouco provável que se traduza num desvio significativo do longo historial de prudência orçamental e de boa implementação dos fundos da UE [União Europeia] em Portugal”.

A S&P indica que poderá melhorar a avaliação de Portugal se a posição externa do país continuar a progredir ou se a dívida pública continuar a diminuir. Por outro lado, poderá rever em baixa a perspetiva para ‘estável’, caso as atuais trajetórias decrescentes da dívida externa e pública se invertam, por exemplo, através de uma deterioração do desempenho orçamental ou da balança corrente.

A Fitch avalia atualmente a dívida soberana portuguesa em ‘A-‘, com perspetiva estável, a DBRS em ‘A’, com perspetiva estável; e a Moody’s em ‘A3’, com perspetiva estável.

A próxima agência a pronunciar-se sobre Portugal será a Fitch, em 22 de março.

O ‘rating’ é uma avaliação atribuída pelas agências de notação financeira, com grande impacto para o financiamento dos países e das empresas, uma vez que avalia o risco de crédito.

Últimas de Economia

A taxa de inflação homóloga dos países da OCDE subiu para 4,3% em agosto, contra 4,1% em julho, impulsionada por um forte aumento dos preços da energia, enquanto a inflação dos alimentos continuou a desacelerar, foi hoje anunciado.
O Estado injetou cerca de 30 mil milhões de euros no setor financeiro desde a crise de 2008. Até ao final de 2025, apenas 8,9 mil milhões tinham sido recuperados, segundo dados divulgados pelo Tribunal de Contas.
Os cerca de 540 diplomatas portugueses terão novos aumentos salariais no próximo ano. A valorização mensal varia entre 108 e 289 euros e completa a revisão remuneratória iniciada em 2025.
A taxa de poupança das famílias na zona euro diminuiu para 14,2% no segundo trimestre, enquanto a taxa de investimento manteve-se estável em 8,3%, divulga hoje o Eurostat.
A taxa de inflação homóloga da zona euro terá aumentado para 3,8% em setembro de 2026, puxada pelos preços da energia, segundo uma estimativa rápida do Eurostat.
O índice dos preços mundiais calculado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) subiu 5,8% em setembro face ao mesmo mês de 2025, foi hoje anunciado.
O Banco de Portugal (BdP) alertou hoje para uma nova burla e apelou às pessoas para terem atenção se receberem um cartão multibanco novo na caixa do correio, já que este pode ser falso.
A taxa de juro média das novas operações de crédito à habitação voltou a subir em cadeia em agosto, para 3,00%, situando-se acima dos 2,88% do mesmo mês de 2025, divulgou hoje o Banco de Portugal (BdP).
Os preços das casas subiram, no primeiro trimestre, 1,1% na zona euro e 1,2% na União Europeia (UE) na comparação homóloga, com Portugal a registar o maior aumento entre os Estados-membros (16,5%), divulga o Eurostat.
O Tribunal de Contas detetou falhas na informação sobre centenas de milhões de euros distribuídos pelo Estado a fundo perdido. Dos apoios analisados, 526 milhões ficaram sem informação suficientemente clara sobre a respetiva identificação ou finalidade. Conta Geral do Estado de 2025 recebeu um juízo de não conformidade.