Despesa aumenta e excedente do Estado recua para 475,5 milhões até agosto

O Estado registou um excedente de 475,5 milhões de euros até agosto, recuando 5.163,9 milhões de euros face ao mesmo mês do ano anterior, divulgou a Direção-Geral do Orçamento (DGO).

© DR

“As Administrações Públicas (AP) registaram, até agosto de 2024, um saldo orçamental de 475,5 milhões de euros, o que representa uma diminuição de 5.163,9 milhões de euros face ao período homólogo”, indica a síntese da execução orçamental.

Esta evolução do saldo resulta do facto de a despesa ter registado um aumento superior ao da receita, com a primeira a crescer 10,9% face ao mesmo período de 2023, enquanto a receita aumentou 3%.

Do lado dos gastos, os dados da DGO indicam que as despesas com pessoal tiveram uma subida homóloga de 7,4%, refletindo o impacto das medidas de atualização remuneratória dos trabalhadores em funções públicas, bem como a medida especial de aceleração das carreiras e a evolução em algumas carreiras, nomeadamente nos setores da saúde e da educação.

A despesa com aquisição de bens e serviços, por seu lado, aumentou 11,1% para 10.467,2 milhões de euros, com a DGO a referir que o crescimento desta rubrica “teve particular evidência no Serviço Nacional de Saúde e no subsetor da Administração Local”.

Do lado da receita efetiva (que cresceu 3,0% face ao valor registado até agosto de 2023), a execução orçamental da conta consolidada das administrações pública revela que as contribuições da Segurança Social subiram 9,7%, enquanto as receitas fiscais registaram um aumento homólogo de 3,0%.

A subida homóloga da receita fiscal foi, sobretudo, sustentada pelo IRC, que avançou 26,4% face a 2023.

Em julho, o excedente então registado ascendeu a 1.059,8 milhões de euros e a justificá-lo esteve sobretudo a receita do IRC, refletindo o facto de, este ano, a entrega da declaração anual deste imposto pelas empresas ter ocorrido naquele mês, após o prazo para o cumprimento desta obrigação fiscal ter sido prorrogado.

Este é o segundo mês consecutivo em que o saldo das administrações púbicas regista um valor positivo, depois de entre abril e julho ter registado um défice.

A DGO, refere, contudo, que a variação do saldo está influenciada pela transferência, em 2023, da totalidade das responsabilidades asseguradas através do Fundo de Pensões do Pessoal da Caixa Geral de Depósitos (FPCGD) para a CGA, no valor de 3.018,3 milhões de euros — sendo que, em termos de contas nacionais, esta operação não teve impacto no saldo, assumindo uma natureza financeira.

“Ajustado do efeito inerente ao FPCGD, o saldo orçamental das AP diminuiu 2.145,5 milhões de euros, face ao registado no mesmo período do ano anterior, pelo facto de o aumento da despesa (10,9%) ter sido superior ao aumento da receita (7,5%)”, refere a DGO, acrescentando que o saldo primário se fixou em 5.259,8 milhões de euros, menos 1.708,8 milhões de euros do que em 2023.

O saldo das administrações públicas divulgado mensalmente pela DGO é em contabilidade pública, ou seja, funciona numa ótica de caixa (entradas e saídas de dinheiro), que difere da contabilidade nacional (ótica de compromisso), a que releva para as regras europeias.

Os dados mais recentes em contabilidade nacional, divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística, indicam que se registou um excedente de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro semestre deste ano.

Últimas de Economia

O Estado desembolsou 138,8 milhões de euros para comprar a participação da Fidelidade na REN. O valor pago inclui um prémio de 8,34% face à média de mercado dos últimos seis meses.
O défice do Serviço Nacional de Saúde (SNS) deverá mais do que duplicar no próximo ano, agravando-se em 1.377 milhões de euros. Apesar da intenção de reduzir os gastos com bens e serviços, a despesa aumentou 9,3% em 2026 e deverá continuar a subir.
A receita fiscal do Estado totalizou 51.161,9 milhões de euros até setembro, crescendo 6,5% em relação aos nove primeiros meses de 2025, impulsionada pelo IRS e IVA, indicam dados hoje divulgados pela Entidade Orçamental (EO).
A prestação da casa vai subir em novembro para créditos com taxa Euribor a três, seis e 12 meses que sejam revistos nesse mês, segundo as simulações feitas pela Deco Proteste para a agência Lusa.
A taxa de inflação situou-se nos 3,8% em outubro, face a 3,6% em setembro, segundo a estimativa rápida divulgada hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Apesar da descida dos preços do gás natural na União Europeia para o nível mais baixo desde 2022, Portugal continua entre os países com as tarifas mais elevadas. Quando considerado o poder de compra, os consumidores portugueses enfrentam o segundo preço mais alto dos 27 Estados-membros.
As portagens das autoestradas poderão aumentar 3,82% em 2027, a confirmar-se a estimativa da taxa de inflação homóloga para outubro, sem habitação, divulgada hoje pelo INE, acrescida dos 0,1% de compensação às concessionárias.
A Caixa Geral de Aposentações reduziu o valor de três mil reformas devido a um erro nos cálculos. Um aposentado de 65 anos perdeu 51 euros mensais e admite regressar ao trabalho para compensar o corte.
O CHEGA/Açores alertou hoje para o desinvestimento do Governo Regional na ilha de São Miguel, destacando que o investimento por habitante previsto para 2027 é de 2.739 euros, inferior à média regional de 4.099 euros.
O sentimento económico na União Europeia e na zona euro recuou em outubro pelo segundo mês consecutivo, com uma quebra de 0,6 nas duas áreas face a setembro, fixando-se nos 96,9 pontos, divulgou hoje a Comissão Europeia.