Democracias liberais, iliberais e o Partido Chega

O texto da Clara Ferreira Alves, articulista que eu aprecio sobremaneira, faz uma análise crítica de André Ventura e do partido Chega, colocando em questão o estilo e as motivações do político português e sugerindo que o seu discurso é marcado mais por ressentimentos e provocações do que por uma ideologia bem estruturada. Nada mais falso. Clara Ferreira Alves compara Ventura com líderes da extrema-direita europeia, como Marine Le Pen e Giorgia Meloni, argumentando que, ao contrário desses políticos, Ventura carece de sofisticação e raízes doutrinárias. Afirmação absolutamente ignóbil e acima de tudo ridícula. De quem nunca leu o programa do Partido Chega e entendeu o seu conteúdo.

Clara Ferreira Alves sustenta que líderes europeus iliberais mantêm uma estratégia mais refinada e doutrinada, enquanto Ventura se apoia em discursos populistas e, por vezes, despropositados, o que pode afastar eleitores moderados. Pode? Será mesmo assim? Passar de 1 para 12 e de 12 para 50 é afastar? Se é, então que continue com esses mesmo discursos pois estão a ser percecionados cada vez melhor pelos portugueses.

Clara Ferreira Alves também reflete sobre o declínio da democracia liberal e o avanço do iliberalismo global, com o Sul Global e blocos como os BRICS assumindo posições de destaque. Ela critica a falta de preparo de Ventura e seu partido para entender e navegar essas mudanças, sugerindo que o Chega não tem a base cultural ou ideológica para participar efetivamente nesse contexto. Novamente, será mesmo que não?

Clara Ferreira Alves refere-se ao declínio da democracia liberal e ao avanço do iliberalismo global ao observar que, nos últimos tempos, muitos países têm desafiado ou se afastado dos princípios democráticos liberais, ou seja, da defesa da liberdade individual, do estado de direito, dos direitos humanos universais e da igualdade. Esse movimento é reforçado por países e blocos, como os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que adotam abordagens mais autoritárias e questionam os valores e instituições tradicionais das democracias ocidentais, como a União Europeia e a NATO.

O iliberalismo, nesse contexto, envolve um governo que mantém alguns processos eleitorais, mas limita ou mina liberdades e instituições democráticas, priorizando um nacionalismo forte e rejeitando interferências externas, como o monitoramento de direitos humanos. Líderes de países como Hungria, Rússia e Turquia, que favorecem regimes fortes e centralizados, são exemplos de um tipo de “democracia” que confronta a ordem liberal tradicional. Esses líderes tendem a valorizar a segurança e a ordem interna em detrimento das liberdades civis, e com isso ganham simpatia de grupos que rejeitam a globalização e o multiculturalismo.

O texto de Clara Ferreira Alves sugere que esses movimentos iliberais representam uma resposta contra o que muitos veem como o fracasso das democracias liberais em resolver questões de desigualdade, segurança e identidade nacional. A autora argumenta que, em vez de se alinharem aos valores tradicionais da extrema-direita europeia, figuras como André Ventura e seu Partido acabam por adotar um discurso mais reativo e menos fundamentado, o que limita a sua capacidade de se posicionar de forma estratégica nesse contexto global de iliberalismo. O que faz todo o sentido pois devido à iliteracia política, financeira da população é de todo necessário que o Partido adapte o discurso ao público que tem. E como parece obvio para pessoas inteligentes o Partido Chega aproveita de uma tática simples, mas não simplória, que evita nuances ou uma discussão aprofundada das questões nacionais e internacionais. O Partido constrói uma ideologia que explique as raízes e consequências das suas propostas e, obviamente, foca-se em slogans e posições polarizadas para captar a atenção e a frustração das pessoas, especialmente as que se sentem excluídas ou esquecidas pelas elites políticas tradicionais.

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