Filiais estrangeiras pagam mais 42,5% a trabalhadores que empresas nacionais em 2023

Os trabalhadores de filiais de empresas estrangeiras em Portugal ganharam em 2023, em média, mais 42,5% do que os das sociedades nacionais, recebendo 1.745 euros, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) hoje divulgados.

© D.R.

No mesmo período, a produtividade aparente do trabalho (medida pelo Valor Acrescentado Bruto – VAB gerado por cada unidade de pessoal ao serviço) foi superior em 67,0% à das sociedades nacionais, atingindo 55.674 euros.

De acordo com o INE, em 2023 existiam 10.705 filiais de empresas estrangeiras em Portugal, mais 2,9% do que no ano anterior, correspondendo estas unidades a 2,1% do total de sociedades não financeiras.

As filiais de empresas estrangeiras empregavam nesse ano cerca de 682.000 pessoas, correspondendo a 18,5% do pessoal ao serviço do conjunto das sociedades não financeiras. Em termos médios, cada filial empregava 64 pessoas em 2023, valor muito superior à média de seis pessoas das sociedades nacionais.

Entre 2022 e 2023, o peso das pessoas ao serviço das filiais de empresas estrangeiras face ao total das sociedades cresceu 0,1 pontos percentuais, registando-se um aumento de cerca de 43.000 pessoas ao serviço nas filiais estrangeiras.

No ano passado, as filiais de empresas estrangeiras registaram um crescimento nominal do volume de negócios de 5,2% (+25,4% em 2022), atingindo 154.000 milhões de euros, e um aumento do VAB de 11,3% (+19,9% em 2022), para 38.000 milhões de euros, inferior ao aumento de 14,6% das sociedades nacionais (+18,1% em 2022).

Do total do VAB gerado pelas filiais de empresas estrangeiras, as de grande dimensão (652 sociedades) contribuíram com 65,7% do total do VAB gerado por estas empresas.

De nota ainda que a maior parte do VAB (67,0%) foi gerada por sociedades controladas por entidades sediadas na União Europeia, destacando-se a França como o principal país de origem do controlo de capital (15,6% do VAB).

Entre 2010 e 2023, as filiais estrangeiras registaram, em média, uma produtividade aparente do trabalho superior em 18,8 mil euros à média das sociedades nacionais, sendo a remuneração média mensal sempre superior nas filiais estrangeiras, em média mais 417 euros do que nas sociedades nacionais.

Já o peso das filiais de empresas estrangeiras no VAB passou de 21,9% em 2010 para 27,8% em 2023, (+5,9 pontos percentuais), sendo este aumento do peso relativo superior ao verificado no volume de negócios, em que o peso das filiais estrangeiras passou de 24,1% em 2010 para 29,0% em 2023 (+4,9 pontos percentuais).

No mesmo período, o peso no pessoal ao serviço aumentou de 13,7% em 2010 para 18,5% em 2023 (+4,8 pontos percentuais).

Os dados do INE indicam ainda que, em 2023, as filiais com perfil exportador, que representaram 43,3% do VAB total destas empresas, registaram um crescimento de 14,4% no VAB, acima dos 9,0% das filiais sem perfil exportador.

As exportações das filiais de empresas estrangeiras corresponderam a 37,9% do total das exportações nacionais de bens e diminuíram 56 milhões de euros em relação ao ano anterior (-0,2%), invertendo a trajetória de crescimento dos anos anteriores (+20,8% em 2022), em linha com as exportações totais do comércio internacional, que recuaram 1,4% (+23,2% em 2022).

Últimas de Economia

O 'stock' de empréstimos para habitação atingiu, em agosto, 119.062 milhões de euros, o equivalente a uma taxa de variação anual de 11,2%, a mais alta desde fevereiro de 2003, divulgou hoje o Banco de Portugal (BdP).
A inflação deverá acelerar este ano para 3,2%, num contexto de subida de preços dos combustíveis impulsionado pela guerra no Médio Oriente, estima o Conselho das Finanças Públicas (CFP).
O Banco Central Europeu (BCE) prevê que a inflação da energia atinja um pico no final de 2026 e diminua significativamente em 2027, foi hoje anunciado.
O valor mediano de avaliação bancária na habitação atingiu um novo máximo histórico de 2.254 euros por metro quadrado em agosto, mais 14 euros do que no mês anterior e 14,7% acima do mês homólogo de 2025, divulgou hoje o INE.
Os preços do gasóleo na União Europeia (UE) atingiram um novo máximo de 2,23 euros por litro, contra 2,16 euros na semana anterior, segundo uma análise da agência de notícias AFP aos dados nacionais publicados hoje pela Comissão Europeia.
A carga fiscal aumentou para 35,3% em 2025, face aos 35% registados no ano anterior, de acordo com a segunda notificação de 2026 relativa ao Procedimento dos Défices Excessivos divulgada hoje pelo INE.
A taxa de poupança das famílias recuou para 12,1% do rendimento disponível no segundo trimestre de 2026, face a 12,4% no trimestre anterior, divulgou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE).
Os preços aumentaram 16,5% no segundo trimestre, enquanto o número de negócios caiu 6,4%. Endividamento dos particulares regista o maior crescimento anual desde 2008.
A economia da zona euro deverá crescer 1% em 2026 e em 2027, segundo as previsões da OCDE, que está mais otimista para este ano mas mais pessimista em relação ao desempenho da economia no próximo.
O Presidente do CHEGA alerta para o peso dos combustíveis no setor agrícola e acusa PS e PSD de incoerência na discussão sobre a redução dos impostos.