Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande alertam para falhas no acesso à saúde

A Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande (AVIPG) alertou hoje para falhas graves no acesso à saúde em Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos e Pedrógão Grande, e considerou inaceitável que estes concelhos continuem a ser marginalizados.

EPA/MIGUEL A. LOPES

Num comunicado enviado à agência Lusa, a AVIPG expressou “profunda preocupação com a situação insustentável na área da saúde” nestes três concelhos do norte do distrito de Leiria.

“A obrigatoriedade de recorrer à Linha Saúde 24 para acesso aos cuidados médicos veio agravar ainda mais os problemas enfrentados por estas populações, já fortemente penalizadas pela falta de serviços de saúde de proximidade”, referiu.

Entre os problemas identificados pela associação está a falta de médicos de família, já que “grande parte da população continua sem acompanhamento médico regular, comprometendo a gestão de doenças crónicas e cuidados básicos”.

Ao nível das infraestruturas, a associação elencou “centros de saúde sem condições e inexistência de urgências”, o que “obriga os utentes a percorrer longas distâncias em situações críticas”.

Por outro lado, considerou, no âmbito da Linha Saúde 24, que “o modelo centralizado revela-se ineficaz, com longos tempos de espera, falhas no atendimento e orientações insuficientes para quem vive em zonas sem alternativas locais”.

A AVIPG assinalou ainda que, numa região com população envelhecida e vulnerável, os “idosos sem acesso a meios digitais ou telefónicos adequados são excluídos do sistema”.

Para a AVIPG, é necessário um “reforço imediato da Linha Saúde 24, garantindo rapidez e eficácia no atendimento”, e a “contratação de médicos para os três concelhos e requalificação dos centros de saúde”.

A “criação de respostas de urgência locais, reduzindo a dependência de serviços centralizados”, e “medidas inclusivas para populações envelhecidas, com alternativas à dependência digital”, são outras das reivindicações da associação.

A AVIPG salientou ser “inaceitável que estas comunidades continuem a ser marginalizadas num direito tão básico como a saúde”, e prometeu continuar “a lutar para garantir que os cidadãos de Castanheira de Pera, Pedrógão Grande e Figueiró dos Vinhos tenham acesso a cuidados médicos dignos e eficazes”.

À agência Lusa, a presidente da AVIPG, Dina Duarte, adiantou que a posição da associação surge na sequência de queixas de habitantes quanto à demora no atendimento da Linha Saúde 24 e avisou para dificuldades no recurso a este meio pela população idosa.

Reconhecendo que problemas no setor da saúde não são exclusivos desta região, a dirigente defendeu, contudo, que tem de haver “outro cuidado” para com o Interior do país.

A AVIPG, sediada na antiga escola primária da Figueira, freguesia da Graça (Pedrógão Grande), surgiu na sequência dos incêndios que deflagraram em junho de 2017 em Pedrógão Grande e que alastraram a concelhos vizinhos, sobretudo Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos.

Os fogos provocaram a morte de 66 pessoas, além de ferimentos a 253 populares, sete dos quais graves, e destruíram cerca de meio milhar de casas e 50 empresas.

Últimas do País

Oito embarcações, algumas das quais associadas à captura ilegal de amêijoa japonesa no rio Tejo, foram apreendidas durante uma operação de fiscalização realizada durante a madrugada, informou esta quinta-feira, 16 de abril, a Polícia Marítima (PM).
As equipas de dermatologia do Hospital Santa Maria terão de devolver os mais de 800 mil euros que receberam indevidamente por cirurgias feitas em produção adicional, segundo a Inspeção-geral das Atividades em Saúde (IGAS).
Os incidentes de segurança aumentaram 6% no ano passado, face a 2024, para 87, sendo o apagão de 28 de abril um deles, já que afetou a resiliência das redes, divulgou hoje a Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom).
Nelson Vassalo encontra-se em prisão preventiva, é militante do PS e está indiciado por infrações terroristas. A sua defesa está a cargo de Ricardo Sá Fernandes, advogado que representou a comunidade cigana no processo relativo aos cartazes presidenciais de André Ventura.
O homem detido na quarta-feira por infrações terroristas por ter alegadamente atirado um 'cocktail molotov' contra a Marcha Pela Vida, em março, vai aguardar o desenrolar do processo em prisão preventiva, decidiu hoje o tribunal.
Vinte e três cirurgiões gerais do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto entregaram escusas de responsabilidade e alertaram que estão a ser chamados para assegurar situações clínicas fora da sua especialidade, denunciaram os sindicatos médicos.
Portugal tem valores inferiores à média internacional em quase todos os indicadores de resultados em saúde e as diferenças são mais destacadas nos grupos mais visíveis, conclui um estudo hoje divulgado.
Mais de 80% dos utilizadores dos cuidados de saúde primários com 45 anos ou mais tem pelo menos uma doença crónica e mais de metade tem várias, refere um estudo hoje divulgado.
A GNR alertou hoje a população para as burlas na aquisição e arrendamento de casas, numa altura em que se aproxima a época de férias, especialmente através de plataformas digitais, recomendando procedimentos de segurança preventiva.
O homem detido por lançar um engenho incendiário contra participantes da Marcha pela Vida é professor de Belas-Artes e militante do PS, estando indiciado por crimes de natureza terrorista.