Bastonário quer novos serviços nas farmácias e mais competências profissionais

Alargar os serviços prestados nas farmácias a situações de pouca gravidade, como algumas infeções urinárias, é uma das propostas da lista única concorrente às eleições para a Ordem dos Farmacêuticos, que arrancam no sábado.

© LUSA/ANTÓNIO COTRIM

A lista única candidata às eleições, que decorrem por voto eletrónico entre 01 e 08 de fevereiro, é encabeçada pelo atual bastonário, Helder Mota Filipe, que em declarações à agência Lusa reconhece que este alargamento pode ajudar a aliviar a pressão nas urgências hospitalares e nos cuidados de saúde primários.

“É uma tendência dos países desenvolvidos alargar os serviços prestados por farmacêuticos, obviamente, dentro da área de competência”, afirma Helder Mota Filipe, sublinhando: “muitas destas situações podem ser resolvidas pelo farmacêutico comunitário (…), com protocolos predefinidos, sempre em condições de qualidade e segurança”.

Lembra que a concretização deste tipo de serviços nas farmácias “obriga a criar um conjunto de condições, que ainda não estão disponíveis neste momento”, sobretudo no que se refere às tecnologias de informação.

“É preciso que os farmacêuticos comunitários possam comunicar com outros níveis de prestação, nomeadamente com os médicos de família, com os cuidados primários, mas também com os colegas farmacêuticos hospitalares e com médicos hospitalares, e que toda esta prestação [de serviço] esteja registada e de acesso aberto aos outros prestadores”, explicou.

Depois de um mandato “cheio de desafios”, como a inauguração da nova sede da Ordem dos Farmacêuticos, a nova lei das ordens profissionais e a vacinação nas farmácias, o bastonário diz que “ainda há muito caminho por fazer”.

Num balanço feito à agência Lusa, o responsável destaca a inauguração na nova sede — uma obra de seis milhões de euros para renovar e ampliar o edifício que acolhe a instituição desde 1901 – que “permite agora acolher iniciativas, não só internas à ordem, mas da própria classe farmacêutica, e mesmo da sociedade civil”.

O atual bastonário recorda igualmente o documento que permite agora ter “uma posição clara da profissão farmacêutica” relativamente ao risco, numa perspetiva ‘one health’ [uma só saúde], nomeadamente dos efeitos do medicamento do ambiente.

Aponta ainda a importância do papel desempenhado pelas farmácias nas campanhas de vacinação e o arranque da dispensa nas farmácias de medicamentos que os utentes até aqui apenas podiam levantar nos hospitais, um processo que diz estar com “algum atraso” na concretização no terreno.

Outro dos exemplos dados é a renovação da dispensa de medicamentos para doentes crónicos, que permite agora aceder nas farmácias ao medicamento (prescrito para um ano pelo médico assistente e dispensado de dois em dois meses), com o bastonário a destacar o acrescento da “revisão terapêutica” que este serviço traz: “é um adicional muito importante relativamente à utilização segura e racional dos medicamentos”.

Uma das grandes preocupações da Ordem foi igualmente a degradação das condições de trabalho dos farmacêuticos, lembrando que no último mês foi dado “um passo na direção certa”, com o acordo alcançado com o Ministério da Saúde.

Outro dos destaques apontados foi a criação de novas competências na profissão, referindo que em dezembro o Serviço Nacional de Saúde ganhou os primeiros farmacêuticos com competência em Oncologia.

Nas propostas da lista que encabeça como candidato a bastonário surgem ainda as competências da Saúde Pública, Investigação Clínica, Medicina Farmacêutica e Gestão em Saúde, abrindo a possibilidade de criar outras, como os Cuidados Paliativos.

“Hoje vivemos uma transformação imensa no arsenal terapêutico (…) que leva à necessidade de ter farmacêuticos diferenciados para melhor poderem acompanhar a jornada do doente e melhor darem aporte nas equipas multidisciplinares de saúde”, acrescentou.

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