Vítimas de violência doméstica arriscam ter de depor no julgamento se falarem no inquérito

As vítimas de violência doméstica podem vir a ser obrigadas a depor no julgamento do agressor, caso optem por falar durante a investigação, renunciando ao direito que têm de não testemunhar por serem cônjuge ou ex-cônjuge do suspeito.

© D.R.

Em causa está uma proposta do grupo de trabalho criado, em outubro de 2023, pelo Conselho Superior da Magistratura (CSM) para estudar a agilização dos megaprocessos que prevê que familiares diretos dos arguidos passem a ter de testemunhar em todas as fases do processos a partir do momento em que abdiquem do seu direito a não o fazer.

Embora direcionada aos processos de especial complexidade, a alteração legal aplicar-se-á, a concretizar-se, também nos casos mais simples e de menor dimensão.

“A alteração do regime de recusa de depoimento pode ter um especial impacto nos procedimentos de violência doméstica”, admitiu hoje, à margem da apresentação, em Lisboa, do documento “Megaprocessos e Processo Penal: Carta para a Celeridade e Melhor Justiça”, o procurador Rui Cardoso, que integrou o grupo de trabalho.

O magistrado defendeu que tal “vai proteger a vítima” de uma eventual coação por parte do agressor para que não deponha no julgamento, com o objetivo de “que não haja prova” ou “só com grande dificuldade haja prova contra si”.

“É uma mensagem clara que essa tentativa de coação não vai ter resultado, porque a testemunha continuará obrigada a depor”, acrescentou.

Questionado sobre se tal não poderá ter um efeito perverso para a integridade física da vítima, Rui Cardoso alegou que a mudança legal “não dispensa outro tipo de proteção”.

“Ela vai ser perguntada uma vez e aí tem de ponderar. Se decidir depor, depois tem de depor sempre. O que deixará de poder é fazer o que faz hoje, que é ligar ou desligar o interruptor, ora depõe, ora não depõe”, insistiu o magistrado.

Neste cenário, a vítima cometeria “um crime de recusa de depoimento” caso, tendo prestado declarações anteriormente, opte por se remeter ao silêncio.

A “Carta para a Celeridade e Melhor Justiça” propõe a adoção de 21 medidas e foi já remetida ao Ministério da Justiça, liderado por Rita Alarcão Júdice.

Por se tratar de alterações legislativas, terão sempre de ser aprovadas pela Assembleia da República.

Últimas do País

A PSP apreendeu, na quinta-feira, em Matosinhos, no distrito do Porto cerca de 450 artigos furtados de grandes superfícies e 750 comprimidos, tendo sido um homem constituído, foi hoje anunciado.
A maioria dos alunos inscritos no primeiro dia da época especial dos exames do ensino secundário faltou à prova, segundo dados divulgados hoje pelo Ministério da Educação.
Os nove chefes de equipa da urgência pediátrica do Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, apresentaram na quinta-feira a demissão dos cargos, alegando constrangimentos com a anestesiologia, confirmou hoje a Unidade Local de Saúde (ULS) São José.
Quem espera por um médico de família não encontra grandes motivos para otimismo no plano do Governo para os próximos três anos. O SNS prevê manter em 85,37% a percentagem de utentes com médico atribuído em 2026, 2027 e 2028, exatamente o mesmo nível registado em 2024.
Dez das mais recentes viaturas ligeiras da GNR destinadas ao combate aos fogos foram mandadas encostar. As alterações feitas às Toyota Hilux, incluindo depósitos de 400 litros de água e motobombas, não foram averbadas no Documento Único Automóvel e os veículos arriscavam chumbar na inspeção.
Denúncia anónima de 17 páginas aponta alegadas “ofensas, berros, ameaça, perseguições e ilegalidade” e chegou a Aguiar-Branco através de deputados do PS. Presidente da Assembleia da República mandou abrir um inquérito, mas o processo acabou arquivado sem que o visado ou a própria Secretária-Geral tivessem sido ouvidos.
Desemprego entre os jovens até aos 24 anos atinge os 20,1%, muito acima dos 15,1% da média europeia. São já 76 mil jovens ativos sem trabalho.
A Ordem dos Psicólogos Portugueses alertou hoje que os utentes do SNS podem esperar meio ano para terem a primeira consulta com um psicólogo e que o reforço de profissionais nos centros de saúde e nas escolas é insuficiente.
O primeiro-ministro soma pelo menos 81 dias no estrangeiro desde que chegou a São Bento. Só em 2025 foram documentados 38 dias fora do país e, em 2026, já vão pelo menos 24 até ao início de setembro.
O procurador-geral da República (PGR), Amadeu Guerra, revelou hoje que estão em curso três inquéritos, um processo no Tribunal de Contas e uma investigação de natureza administrativa sobre casos que envolvem o ministro Luís Neves.