Atos de violência associados ao tráfico de droga têm aumentado

Portugal tem vindo a registar um aumento de atos de violência associados ao tráfico de droga, alerta o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI).

© D.R.

Numa versão preliminar do relatório apresentado, esta segunda-feira, durante a reunião do Conselho Superior de Segurança Interna, e a que a Lusa teve acesso, surge o alerta para o aumento da violência em contexto do tráfico de droga, à semelhança daquilo que está também a acontecer noutros países europeus.

O RASI explica ainda, em relação às rotas do tráfico de droga, que o tráfico de haxixe por via marítima continua a registar um elevado número de ocorrências na costa algarvia, sendo esta uma zona que continua a exigir atenção redobrada por parte das autoridades.

Ainda assim, no total, a quantidade de haxixe apreendida caiu no ano passado mais de 80% face a 2023 e foram também feitas menos apreensões.

Os dados, que incluem todos os crimes de tráfico de droga, revelam que no ano passado se registou uma diminuição de 28,3% deste tipo de crimes. O número de apreensões de droga também diminuiu 24,7% e o número de detenções também caiu 36,6%. Só as quantidades apreendidas de heroína e ecstasy – 127,7% e 138,3% respetivamente – é que aumentaram.

A nível geográfico, Lisboa foi o distrito onde as autoridades apreenderam mais haxixe e cocaína no ano passado e o Porto foi o distrito onde foi apreendida mais heroína, revela o RASI. Em relação às detenções, o documento aponta para 4.820 detidos, sendo a maioria de nacionalidade portuguesa (3.694).

À semelhança daquilo que tem vindo a ser relatado em anos anteriores, as águas portuguesas são utilizadas como plataformas para fazer chegar a droga à Europa. De Marrocos, lê-se no relatório, chega sobretudo haxixe. Da Colômbia, Perú e Bolívia chega cocaína produzida nestes países e que é traficada através de outros países da América Latina, especialmente do Brasil, que continua a ser utilizado pelas organizações criminosas como ponto de passagem de droga.

Estas organizações criminosas têm, de um modo geral, uma elevada capacidade tecnológica e financeira e, segundo o RASI, podem recorrer à corrupção de funcionários, quer do setor público, quer do setor privado, para conseguirem movimentar a droga, sobretudo cocaína.

No tráfico de cocaína, o RASI aponta para uma ameaça que tem vindo a aumentar nos últimos anos e que está relacionada com a infiltração das organizações criminosas nos portos marítimos e nos aeroportos, através do recrutamento de funcionários para que seja facilitada a entrada desta droga.

Últimas do País

O Sindicato Independente do Corpo da Guarda Prisional (SICGP) alertou hoje o parlamento para uma “nova tipologia de reclusos” nas prisões, relacionada com grupos organizados de tráfico de droga, que pode vir a colocar problemas de segurança.
A operação 'Torre de Controlo II', que investiga suspeitas de corrupção em concursos públicos para combate aos incêndios, envolvendo o cunhado do ministro Leitão Amaro, resultou hoje em quatro arguidos, três pessoas e uma empresa, adiantou o Ministério Público.
A Câmara Municipal de Vila Franca de Xira liderada pelos socialistas aprovou, na última reunião do executivo, o novo regulamento que prevê a introdução do estacionamento pago nas cidades da Póvoa de Santa Iria e de Alverca do Ribatejo.
A mulher que tentou matar o marido em Matosinhos, distrito do Porto, desferindo 12 facadas, vai mesmo cumprir a pena de cinco anos e meio de prisão, depois de perder o recurso para o Supremo Tribunal de Justiça (STJ).
O presidente do CHEGA afirma que forças de segurança vivem sem dignidade, com salários baixos, medo de agir e falta de apoio do Estado.
O CHEGA exigiu hoje esclarecimentos ao Governo sobre falhas de segurança nos tribunais da Comarca de Portalegre, após a "gravidade dos factos" que ocorreram no Tribunal de Ponte de Sor com a fuga de arguido detido.
Os aeroportos nacionais movimentaram 14,497 milhões de passageiros no primeiro trimestre, uma subida de homóloga de 3,9%, impulsionada pelos máximos mensais históricos atingidos nos primeiros três meses do ano, anunciou hoje o INE.
A Polícia Judiciária está a realizar hoje novas buscas por suspeitas de corrupção relacionadas com os concursos públicos para o combate aos incêndios rurais, que incluem Ricardo Leitão Machado, cunhado do ministro António Leitão Amaro.
A conclusão resulta de um estudo divulgado hoje pela Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), que analisou os ganhos económicos associados ao prosseguimento dos estudos no ensino superior.
Três meses após restrições à venda de bebidas alcoólicas para fora dos estabelecimentos em Lisboa, os moradores consideram a medida “tímida” e querem proibir o consumo na rua, enquanto os comerciantes mantêm reservas à responsabilidade que lhes é imputada.