Apreensões de botijas de óxido nitroso disparam 650% em 2025

As apreensões de botijas de óxido nitroso, substância psicoativa conhecida como "gás do riso", dispararam em 2025, registando um aumento de quase 650% face ao total de apreensões em todo o ano passado, revelam hoje dados da GNR.

©D.R.

“As apreensões desta substância são circunscritas a áreas geográficas muito restritas, não podendo, ainda, ser considerado como um fenómeno nacional. Não obstante, tem-se verificado um registo mais significativo nos distritos do Porto, Faro, Setúbal e Lisboa”, afirma a GNR em resposta a questões da agência Lusa.

Os dados provisórios da GNR indicam que, este ano, até 4 de março, foram apreendidas 1.546 botijas, mais 1.339 do que em todo o ano de 2024, em que totalizaram 207, o que representa um aumento de 646%, ou seja, 7,47 vezes mais.

Segundo os números avançados à Lusa, as apreensões das botijas de óxido nitroso – substância psicoativa que causa efeitos rápidos, mas de curta duração, de euforia, relaxamento, calma e dissociação da realidade -, têm vindo a crescer desde 2022, ano em que foram apreendidas 162, assim como 42 cápsulas, que contêm o “gás do riso”, que é inalado através de um balão.

Em 2023, o número de apreensões de botijas subiu para 175 e no ano passado aumentou para 207, refere a autoridade, que tem vindo a monitorizar o aparecimento do óxido nitroso fora do contexto permitido.

O consumo desta substância também tem sido uma preocupação para a PSP, que em 2021 emitiu um alerta para serem reforçadas as medidas de fiscalização de venda e o consumo deste gás, incluído em 2022 na lista de novas substâncias psicoativas proibidas.

Em 2022, a PSP fez 173 apreensões de óxido nitroso (botijas ou balões), 69 em 2023 e 152 no ano passado, segundo dados enviados recentemente à Lusa.

A PSP alerta que o uso continuado de óxido nitroso, cujo consumo tem vindo a ser identificado, nos últimos tempos, em contexto recreativo, pode provocar, a longo prazo, sérios danos no sistema imunitário, alterações na memória, entre outros danos neurológicos.

“Este gás, inodoro e incolor, tornou-se uma droga popular em festas e em contexto de diversão noturna. Pode ser inalado através de balões ou cartuchos vendidos para culinária, como os encontrados nos recipientes de ‘chantilly’”, refere a PSP à Lusa.

A GNR observa, por seu turno, que o óxido nitroso é um produto utilizado na indústria transformadora, na área automóvel e alimentar, e na indústria hospitalar e farmacêutica, não se identificando nenhuma situação que, do ponto de vista legal, esteja previsto o consumo humano direto, com exceção do uso médico-hospitalar e sob supervisão profissional.

“Com efeito, sendo uma substância legal e, apesar de haver controlo no seu circuito quando utilizado em maiores quantidades, o óxido nitroso, devido à sua plasticidade de aplicação nos vários setores de atividade económica, é possível comercializar em quantidades mais reduzidas, através de várias plataformas ‘online’”, salienta.

Segundo a autoridade, o óxido nitroso é maioritariamente adquirido ‘online’, “mas a sua dimensão e escala de mercado ainda se encontra em fase de estudo”.

O Observatório Europeu das Drogas e da Toxicodependência tem alertado para uma crescente utilização pelos jovens, em contexto recreativo, do “gás do riso”, que tem sido associado a vários problemas de saúde, incluindo envenenamentos, queimaduras e lesões pulmonares e, em alguns casos de exposição prolongada, lesões neurológicas.

Os hospitais têm comunicado esses casos ao Centro de Informação Antivenenos (CIAV) do INEM, que desde 2020 registou 21 situações, a maioria envolvendo rapazes entre os 20 e os 29 anos, disse à Lusa a coordenadora do CIAV, Fátima Rato.

Em 2020, foram registados três casos, quatro em 2021, um em 2022. Em 2023 não foi registado nenhum, e, em 2024, oito. Nos primeiros dois meses deste ano, já foram registadas cinco intoxicações por este gás, segundo Fátima Rato.

Últimas do País

Pedido de auxílio por agressões a um homem levou a GNR a encontrar produto estupefaciente no interior de uma casa no Cadaval. Mulher de 38 anos foi constituída arguida.
Cidadão estrangeiro, de 33 anos, preparava-se para embarcar no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, quando apresentou um passaporte croata falso. PSP encontrou ainda na sua posse outros dois documentos croatas igualmente fraudulentos.
Homem de 38 anos foi detido pela PSP depois de ter entrado pela janela de uma residência em Alvalade e furtado artigos avaliados em 18.200 euros. Polícia conseguiu recuperar parte dos bens.
Ministro disse que os empréstimos usados na compra dos montes estavam declarados. Em causa estão quatro propriedades situadas na freguesia de São Teotónio, no concelho de Odemira.
Jovens que vão entrar no 7.º ano continuam sem colocação a poucas semanas do início das aulas. Ministério da Educação em silêncio.
Grupo que se apresentava como ‘Diligência Judicial’ é suspeito de ameaçar pessoas e empresas endividadas, apreender bens e obrigar vítimas a assumir dívidas alegadamente inexistentes. Investigação do DIAP de Lisboa e da PJ arrasta-se há mais de seis anos.
Mais de 1,6 milhões de pensionistas de velhice da Segurança Social receberam menos de 870 euros por mês em 2025. Entre os beneficiários de pensões de invalidez, a realidade é ainda mais pesada: cerca de 90% ficaram abaixo daquele valor.
Ministério Público acusa Rui Cristina na sequência de declarações sobre a política de habitação destinada à comunidade cigana. Autarca defende que a Câmara não deve continuar a canalizar dinheiro público para aquele grupo.
Menor foi surpreendido por dois indivíduos de rosto tapado, que efetuaram vários disparos em plena rua. Projétil ficou alojado no tronco e vítima sofreu ainda dois ferimentos na cabeça. Polícia procura os autores do ataque.
Partido avança com pedidos de informação sobre o parque habitacional dos municípios e quer conhecer o número de casas ocupadas e desocupadas, o valor médio das rendas e a dívida acumulada. CHEGA defende maior escrutínio sobre a gestão da habitação pública em plena crise de acesso à casa.