Alguns lares pediram comida a vizinhos para os idosos jantarem devido ao apagão

Lares a pedir ajuda aos vizinhos para alimentarem os idosos, assistentes a gritar na rua para lhes abrirem portas e utentes a descer seis pisos pelas escadas foram alguns constrangimentos vividos pelas instituições durante o apagão de segunda-feira.

© D.R

O corte da energia elétrica que afetou a Península Ibérica ao final da manhã de segunda-feira não prejudicou os almoços nos lares associados da Confederação Nacional de Instituições de Solidariedade (CNIS), que já estavam preparados.

Mas alguns lares viram-se obrigados a pedir comida aos vizinhos para que os utentes tivessem jantar, disse hoje à Lusa, o padre Lino Maia, presidente da CNIS.

O responsável da confederação, que representa mais de 500 lares de idosos, referiu que as refeições na hora de jantar foram prejudicadas, por não ser possível cozinhar em muitos lares, devido à falta de energia.

Às 11:33, quando faltou a luz, houve também algum pânico entre idosos e profissionais, que temeram que a falta eletricidade fosse consequência de um ciberataque, contou ainda o padre.

Lino Maia informou que a falta de comunicação contribuiu para o receio e lamentou que a proteção civil não tivesse dado explicações.

Já nos lares das misericórdias, o apagão não teve impactos significativos: “Para os idosos foi um dia normal”, referiu o presidente da União das Misericórdia Portuguesas, que representa 700 lares de idosos.

Manuel Lemos disse que os lares “estavam muito bem preparados” e quase todos têm geradores.

Os constrangimentos ocorreram no serviço domiciliário, porque os assistentes tiveram de subir escadas, pelo menos até ao sexto andar, para levar comida aos utentes.

Manuel Lemos elogiou os funcionários, caracterizando-os como fantásticos, e sublinhou que em muitos casos houve “uma perfeita cooperação entre os presidentes de câmara e proteção civil”, que forneceu gasóleo aos geradores.

O apagão provocou constrangimentos em outros serviços de apoio a idosos, como o Centro de Dia da Apoio, uma associação de solidariedade social sem fins lucrativos, em Carnaxide, concelho de Oeiras, distrito de Lisboa.

A coordenadora do centro e assistente social, Mara Ferreira, disse hoje à Lusa que foi difícil deixar os utentes em casa, porque as campainhas e os telemóveis não funcionavam.

“Não era possível contactar cuidadores ou familiares”, referiu a assistente, exemplificando que, quando foi deixar um idoso em casa, ficou a acenar para um prédio de 10 andares, à espera que alguém abrisse a porta.

Mara Ferreira referiu que o apoio domiciliário, com 75 utentes, foi um desafio e que foi preciso bater em portas, em janelas e fazer barulho na rua.

A assistente indicou ainda situações em que os idosos, na maioria dos casos dependentes, com demências, perturbações mentais ou mobilidade reduzida, tiveram de subir e descer escadas, do sexto andar até à entrada, para receber os cuidados.

“Viram-se obrigados a descer as escadas dos prédios e a subir para poderem abrir-nos a porta para nós prestarmos cuidados”, indicou a assistente.

A coordenadora disse que o maior constrangimento foram os cuidados de higiene ao domicílio, sublinhando que alguns serviços que não foram feitos por falta de condições, devido à falta de água ou à falta de água quente.

Mara Ferreira indicou que os utentes têm entre os 62 e 96 anos e que, no final do dia, os idosos estavam ansiosos por não conseguirem falar com ninguém.

Normalmente, durante o dia os utentes vêm televisão, ouvem rádio, entre outras atividades, mas na segunda-feira foi organizado um jogo de cultura geral no jardim com 40 pacientes.

Hoje, a situação nas instituições está normalizada, sem quaisquer constrangimentos, disseram as fontes à Lusa.

Um corte generalizado no abastecimento elétrico afetou na segunda-feira, desde as 11:30, Portugal e Espanha, continuando sem ter explicação por parte das autoridades.

Aeroportos fechados, congestionamento nos transportes e no trânsito nas grandes cidades e falta de combustíveis foram algumas das consequências do “apagão”.

O operador de rede de distribuição de eletricidade E-Redes garantiu hoje de manhã que o serviço está totalmente reposto e normalizado.

Últimas do País

O Tribunal da Comarca da Madeira condenou hoje três homens a penas de prisão efetiva, entre os cinco anos e três meses e os oito anos, por falsificarem viagens aéreas e receberem o subsídio social de mobilidade indevidamente.
O Infarmed ordenou a suspensão imediata da comercialização e a retirada do mercado do Calmidine, indicado para o alívio de queimaduras superficiais, escaldões e irritações cutâneas, por estar indevidamente qualificado como produto cosmético.
Uma falha informática está a paralisar os cuidados de saúde primários em todo o país, impedindo o acesso aos processos clínicos dos utentes, a prescrição de medicamentos e a requisição de exames, alertou hoje o Sindicato Independente dos Médicos.
Um imigrante de 33 anos, titular de um pedido de asilo, foi detido pela PSP nas Caldas da Rainha após agredir três pessoas na via pública, entre as quais uma mulher grávida.
O presidente da Assembleia da República remeteu para conhecimento dos deputados da Comissão de Assuntos Constitucionais a exposição que recebeu do juiz desembargador Ivo Rosa com acusações "graves" à atuação do Ministério Público em diversos inquéritos-crime.
A cerimónia de sexta-feira, na Aula Magna, na Reitoria da Universidade de Lisboa, contará com a presença do Presidente da República, António José Seguro, e com muitas intervenções de representantes da Ordem dos Advogados, mas que o bastonário João Massano pretende que seja um momento também para olhar para fora da profissão.
Cerca de 100 concelhos de 12 distritos de Portugal continental apresentam hoje um perigo máximo de incêndio rural, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Os 24 acidentes em passagens de nível registados em Portugal em 2025 causaram nove mortos, segundo um comunicado oficial divulgado hoje, no qual se destaca que o número não tem diminuído "de forma correspondente" à redução destas infraestruturas.
Os alunos do 4.º que não realizaram a prova de Monitorização das Aprendizagens de Matemática devido à greve dos trabalhadores não docentes de sexta-feira vão fazê-lo no dia 19 de junho, informou hoje o Ministério da Educação.
O presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), Luís Laginha de Sousa, alertou hoje para as limitações à capacidade de utilização de recursos que o supervisor tem, o que lhe "retira flexibilidade e operacionalidade".