Elevador da Glória: Fidelidade diz que atribuição de indemnizações vai demorar mas garante apoio

O presidente executivo da Fidelidade, seguradora da Carris, disse que o processo de atribuição de indemnizações às vítimas do acidente no elevador da Glória vai demorar, porque falta definir os valores envolvidos, mas garantiu que “ninguém fica desamparado”.

© LUSA/MIGUEL A. LOPES

“Estes processos tendem a ser um pouco mais longos. Nós já pagámos despesas de todas estas vítimas, digamos assim. Despesas com tratamentos hospitalares, de viagens, aos familiares”, disse Rogério Campos Henriques em entrevista à Antena 1 e ao Jornal de Negócios, divulgada este fim de semana.

Segundo o responsável, este tipo de processo “tipicamente é moroso porque falta definir muito claramente o valor das indemnizações no caso das mortes”.

Rogério Campos Henriques apontou que para que se chegue a esse valor é preciso ter em conta diversas variáveis, como a idade da vítima, a sua situação familiar, danos morais que foram ou não incorridos ou até mesmo a identificação de herdeiros, tornando-se num processo longo.

“É um processo que vai demorar, o que nós asseguramos é que, independentemente do tempo que este processo demore, ninguém fica desamparado”, acrescentou o executivo, que não quis especificar o valor provisionado pela seguradora para este caso, referindo que “são vários milhões de euros”.

O descarrilamento do elevador da Glória, sob gestão da empresa municipal Carris, ocorreu no dia 03 setembro e provocou 16 mortos e duas dezenas de feridos, entre portugueses e estrangeiros de várias nacionalidades.

Na mesma entrevista, realizada no âmbito do programa Conversa Capital, Rogério Campos Henriques apontou que tem havido um abrandamento do número de seguros de saúde – tendo a Multicare mais de 1.200.000 pessoas seguradas –, e “um aumento, sobretudo, da utilização”.

“O seguro de saúde em Portugal, quando foi criado, tinha uma perspetiva complementar, acrescentava uma camada de serviço, de conveniência, que, nos últimos anos, face a alguma dificuldade do Serviço Nacional de Saúde (SNS) se ampliou e, portanto, há mais oferta e as pessoas usam mais o seguro de saúde”, afirmou, dizendo que tal “também explica por que é que o custo do seguro de saúde tem vindo a subir”.

Na ótica da subida dos prémios dos seguros, Rogério Campos Henriques estimou que os preços dos seguros de saúde deverão continuar a subir no próximo ano, mas abaixo dos 7% registados este ano, e que a subida também deverá acontecer noutros ramos.

No caso do ramo automóvel, o responsável registou que não houve uma descida do número de sinistros e que o custo das reparações aumentou. Em particular, apontou que o custo médio da reparação dos veículos elétricos é superior ao das reparações de veículos de combustão interna.

No caso de fenómenos atmosféricos severos, como Martinho e Cláudia, o CEO da Fidelidade apontou que “custaram largas dezenas de milhões de euros, no seu conjunto”.

Sobre a construção da nova sede do Banco de Portugal em Entrecampos, Rogério Campos Henriques disse que está a avançar e que o calendário está a ser cumprido, tendo já falado com o novo governador, Álvaro Santos Pereira.

Últimas do País

Do Seixal a Sesimbra e a Tavira, o padrão repete-se: três pessoas morreram em diferentes pontos do país após esperas prolongadas por assistência médica, num retrato da rutura do socorro.
O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) abriu uma auditoria interna aos procedimentos associados ao caso da mulher que morreu na Quinta do Conde, Sesimbra, depois de esperar mais de 40 minutos por socorro.
O Tribunal Judicial de Leiria começa a julgar no dia 23 um professor acusado de dois crimes de maus-tratos em concurso aparente com dois crimes de ofensa à integridade física qualificada.
O atraso no socorro voltou a ter consequências fatais. Uma idosa morreu na tarde de quarta-feira, na Quinta do Conde, após uma longa espera por assistência médica, com a ambulância mais próxima a mais de 30 quilómetros.
O Tribunal de Santarém condenou a prisão efetiva um homem responsável por três incêndios florestais, dois deles junto a zonas habitadas. A autoria foi confessada e considerada plenamente provada, apesar da tentativa de disfarçar os crimes alertando o 112.
As Equipas de Cuidados Continuados Integrados (ECCI) registaram um aumento de 43% no número de utentes a aguardar vaga, segundo o regulador, que aponta para uma tendência de tempos médios de internamento na rede superiores ao recomendado.
O Ministério Público instaurou um inquérito ao caso do homem que morreu na terça-feira no Seixal depois de esperar quase três horas pelo socorro do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).
O ex-diretor nacional adjunto da Polícia Judiciária Carlos Farinha tomou hoje posse como presidente da Comissão de Proteção às Vítimas de Crimes e alertou para a existência de atrasos excessivos na resposta às vítimas.
André Ventura criticou o Presidente da República por não exigir a demissão da ministra da Saúde após mais um caso de morte associada a falhas do INEM.
O plano que no inverno passado reforçou o INEM com mais 100 ambulâncias não avançou este ano. A decisão é criticada pelos bombeiros e surge num contexto de urgências sobrelotadas e atrasos graves no socorro.