Curso de Bombeiros atrai jovens mas Governo falha estatuto e deixa milhares no limbo

Onze escolas já formam bombeiros profissionais em três anos, mas a Liga dos Bombeiros alerta: o Governo está a criar expectativas que não pode cumprir enquanto continuar sem aprovar o Estatuto do Bombeiro Profissional. Jovens terminam o 12.º ano qualificados, mas sem garantia de carreira.

© Folha Nacional

A formação profissional de bombeiros está a conquistar cada vez mais jovens, mas o entusiasmo contrasta com a ausência de soluções estruturais por parte do Governo. Atualmente, funcionam 11 cursos profissionais de bombeiro em escolas secundárias de norte a sul do país, segundo revela o Jornal de Notícias.

A formação, com três anos de duração, garante o 12.º ano, um certificado profissional de nível IV e habilitação para exercer funções em toda a União Europeia. Os primeiros cursos arrancaram em 2023/24, em Mafra e Espinho, e rapidamente se multiplicaram, revelando forte adesão das famílias e uma procura crescente por esta via de ensino.

A formação é assegurada numa parceria entre escolas secundárias, a Escola Nacional de Bombeiros e Associações Humanitárias de Bombeiros Voluntários — um modelo que a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) considera “exemplar”, mas que levanta um alerta crítico: o país está a formar bombeiros sem que exista, ainda, enquadramento legal e profissional que garanta emprego e progressão na carreira.

Últimas do País

Do Seixal a Sesimbra e a Tavira, o padrão repete-se: três pessoas morreram em diferentes pontos do país após esperas prolongadas por assistência médica, num retrato da rutura do socorro.
O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) abriu uma auditoria interna aos procedimentos associados ao caso da mulher que morreu na Quinta do Conde, Sesimbra, depois de esperar mais de 40 minutos por socorro.
O Tribunal Judicial de Leiria começa a julgar no dia 23 um professor acusado de dois crimes de maus-tratos em concurso aparente com dois crimes de ofensa à integridade física qualificada.
O atraso no socorro voltou a ter consequências fatais. Uma idosa morreu na tarde de quarta-feira, na Quinta do Conde, após uma longa espera por assistência médica, com a ambulância mais próxima a mais de 30 quilómetros.
O Tribunal de Santarém condenou a prisão efetiva um homem responsável por três incêndios florestais, dois deles junto a zonas habitadas. A autoria foi confessada e considerada plenamente provada, apesar da tentativa de disfarçar os crimes alertando o 112.
As Equipas de Cuidados Continuados Integrados (ECCI) registaram um aumento de 43% no número de utentes a aguardar vaga, segundo o regulador, que aponta para uma tendência de tempos médios de internamento na rede superiores ao recomendado.
O Ministério Público instaurou um inquérito ao caso do homem que morreu na terça-feira no Seixal depois de esperar quase três horas pelo socorro do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).
O ex-diretor nacional adjunto da Polícia Judiciária Carlos Farinha tomou hoje posse como presidente da Comissão de Proteção às Vítimas de Crimes e alertou para a existência de atrasos excessivos na resposta às vítimas.
André Ventura criticou o Presidente da República por não exigir a demissão da ministra da Saúde após mais um caso de morte associada a falhas do INEM.
O plano que no inverno passado reforçou o INEM com mais 100 ambulâncias não avançou este ano. A decisão é criticada pelos bombeiros e surge num contexto de urgências sobrelotadas e atrasos graves no socorro.