2025: Incêndios rurais devastaram a segunda área ardida mais elevada desde 2015

A área ardida até 30 de novembro foi a quarta mais elevada desde 2001, com 270.000 hectares em 8.284 sinistros, e a segunda pior na década, só superada em 2017, segundo o Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais.

PEDRO SARMENTO COSTA/LUSA

De acordo com a AGIF – Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais, até ao final de novembro regista-se “o quarto pior ano desde 2001 em termos de área ardida”, com 270 mil hectares (ha) consumidos em 8.284 incêndios, e “as regiões Norte e Centro são as mais afetadas”.

“O número de incêndios mantém-se significativamente abaixo da média histórica”, refere, numa análise preliminar, notando que, depois da área ardida no trágico 2017, com 537.131 ha, as chamas devastaram mais terreno, por ordem decrescente, em 2003, 2005 e 2025.

O 8.º Relatório Provisório de Incêndios Rurais, do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), indica que, entre 01 de janeiro e 15 de outubro, registou-se “o quarto valor mais reduzido em número de incêndios e o segundo valor mais elevado de área ardida, desde 2015”.

Por seu lado, a análise do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR) refere que este ano “ocorreram 44 incêndios com mais de 500 hectares de área ardida: 21 no Norte, 17 no Centro, cinco no Alentejo e um no Algarve”, que “representam apenas 0,5% do número de incêndios, mas 91% da área ardida”.

No ‘pódio’ dos maiores incêndios rurais de agosto, surge em primeiro lugar o fogo que começou dia 13 em Piódão, concelho de Arganil, distrito de Coimbra, e que alastrou aos distritos da Guarda e Castelo Branco, devastando 65.417 ha durante 11 dias.

No fim de semana anterior, um fogo que deflagrou em Freches, Trancoso, distrito da Guarda, destruiu 46.906 ha e o incêndio que começou dia 13 em Ferreira de Aves, Sátão, distrito de Viseu, consumiu 13.761 ha.

Quanto à causalidade, embora com 23% dos incêndios ainda em investigação, o SIGFR revela que 34% devem-se a incendiarismo, 11% com investigação inconclusiva, 9% por queimadas para renovação de pastagens, 9% por maquinaria agroflorestal, 5% por causas naturais-raio e 5% por transportes e comunicações.

Na análise por distrito, destacam-se com maior número de incêndios Porto (1.921), Braga (804) e Viana do Castelo (642), mas maioritariamente de reduzida dimensão (menos de um ha ardido), enquanto o mais afetado, em relação à área ardida, é Guarda, com 83.790 ha (31% da área total ardida), seguido de Viseu, com 42.183 ha (16%), e Castelo Branco, com 39.313 ha (15%).

Segundo a AGIF, a área afetada “é maioritariamente matos, pastagens e vegetação esparsa (52%), seguida de florestas (38%) e áreas agrícolas (10%)” e “56% da floresta ardida foi em áreas de pinheiro bravo e outras resinosas, 23% em áreas de sobreiro, azinheira e outras folhosas, e 19% em eucaliptais”.

A maioria da área ardida ocorreu em Áreas Prioritárias de Prevenção e Segurança (APPS), com 84% em áreas de perigosidade “alta” ou “muito alta”, que cobrem 33% do território rural, e um quinto em Zonas de Intervenção Florestal (ZIF) e 34 mil ha (4% da área total) na Rede Nacional de Áreas Protegidas.

Este ano, morreram quatro pessoas (um bombeiro, um sapador, um ex-autarca e um operador de máquina) e estão em investigação as mortes de outros dois civis por queimadas ou acidentes. Mais de uma dezena de casas de primeira habitação foram destruídas, com o Governo a aprovar rapidamente apoios, após críticas de autarcas e da sociedade civil por inicialmente não ter acompanhado situações preocupantes nas regiões afetadas.

As imagens das chamas e do desespero das populações que tiveram de enfrentar, sem meios adequados e apoio de bombeiros, fogos que ameaçavam espaços agrícolas e habitacionais preencheram em ‘looping’ as programações televisivas.

As críticas de descoordenação no combate às chamas também se fizeram ouvir, mas a crónica falta de ordenamento agrícola e florestal levaram o executivo a propor ao parlamento o plano “Floresta 2050, Futuro + Verde”, com 61 ações de curto prazo, em 2025, e 88 iniciativas de médio prazo entre 2028 e 2050.

Os deputados aprovaram ainda uma proposta do PS para a criação de uma Comissão Técnica Independente para analisar os incêndios do verão, com 12 especialistas de reconhecido mérito, e produzir um relatório com conclusões e recomendações.

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